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O câncer de pele mais perigoso é o que parece inofensivo

Se parece micose, hematoma ou verruga, pode ser melanoma.

O melanoma acral é um tipo raro de câncer de pele que surge nas palmas das mãos, plantas dos pés e embaixo das unhas. Ele não dói, não coça e não sangra nas fases iniciais. Justamente por isso, costuma passar despercebido — por pacientes e, muitas vezes, até por profissionais de saúde.

Segundo o cirurgião oncológico Luiz Fernando Nunes, referência no estudo do melanoma acral, o maior perigo está no disfarce. Essas lesões frequentemente são confundidas com problemas benignos e acabam recebendo tratamento antes do diagnóstico correto.

Por que esse melanoma engana tanto

Diferente do melanoma mais conhecido, associado à exposição solar, o melanoma acral não tem relação clara com o sol. Ele aparece em regiões que não costumam entrar no radar de risco.

Na prática, o erro se repete:

  • mancha nova na sola do pé vira “machucado”
  • faixa escura na unha vira “micose”
  • lesão avermelhada vira “granuloma”

Como geralmente não há dor ou incômodo, a suspeita de câncer simplesmente não surge.

O erro mais grave: tratar antes de diagnosticar

O alerta é direto: não trate sem biópsia.

Procedimentos como cauterização podem até melhorar o aspecto externo da lesão.
Por dentro, o tumor continua evoluindo.

Além disso, esse tipo de intervenção destrói informações fundamentais para o prognóstico, como a profundidade do melanoma — dado essencial para definir tratamento, risco de metástase e acompanhamento.

O que confirma o diagnóstico

O diagnóstico correto exige três passos básicos:

  1. Suspeita clínica
  2. Dermatoscopia, exame com lente de aumento especial
  3. Biópsia, com análise anatomopatológica

É nesse exame que se avalia o fator mais importante do melanoma: o quanto a lesão cresceu em profundidade, e não apenas o tamanho visível.

Outros pontos decisivos incluem:

  • presença de ulceração
  • velocidade de divisão das células tumorais
  • invasão de vasos sanguíneos ou linfáticos

Quanto mais cedo o diagnóstico, mais simples e eficaz é o tratamento.

Tratamento evoluiu, prognóstico também

Quando identificado precocemente, o melanoma acral pode ser tratado com cirurgia conservadora, preservando função e estética — inclusive em casos que antes exigiam amputação de dedos.

Em estágios mais avançados, entram em cena imunoterapia, terapias-alvo, quimioterapia, radioterapia e, em situações específicas, cirurgia complementar.

Fique atento a esses sinais

  • Mancha nova na sola do pé ou palma da mão
  • Faixa escura sob a unha
  • Lesão que não cicatriza ou muda de aparência

Lesão simples só é simples depois da confirmação.

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