Você, muito provavelmente, já ouviu falar em clean label.
Talvez em uma embalagem mais minimalista.
Talvez em uma conversa sobre alimentação saudável.
Ou talvez nem tenha percebido — e isso já diz muita coisa.
Nos últimos anos, o clean label deixou de ser um termo técnico da indústria alimentícia e passou a fazer parte de um movimento maior: o de questionar o que estamos colocando para dentro do corpo e, principalmente, por quê.
Vivemos em um mundo barulhento.
Cheio de promessas, selos, slogans e alimentos que dizem ser saudáveis, mas exigem um dicionário para serem compreendidos.
É nesse cenário — de excesso, desconfiança e do famoso “fake saudável” — que o clean label ganha força.
Mas afinal… o que é clean label?
Clean label: menos barulho, mais verdade
O curioso é que clean label não nasceu como tendência, nem tem um autor definido.
O termo surge aos poucos, como resposta ao desconforto do consumidor.
Nos anos 1980, no Reino Unido, começou a rejeição aos códigos químicos nos rótulos.
Nos anos 1990, vieram os questionamentos sobre alimentos excessivamente modificados.
Já nos anos 2000, com a internet e o acesso à informação, essa inquietação ganhou ainda mais voz.
Clean label, ou “rótulo limpo”, fala sobre algo aparentemente básico: olhar um rótulo e entender o que está ali — sem esforço, sem tradução, sem nenhum truque.
Na prática, são alimentos que costumam ter poucos ingredientes, nomes reconhecíveis, menos aditivos artificiais, menos interferência industrial e mais transparência.
Não existe uma lei que defina o que é ou não clean label.
Mas existe o senso do consumidor.
Clean label se aproxima da ideia de comida de verdade.
Daquilo que não precisa se explicar demais.
E não é coincidência que esse movimento tenha ganhado força junto com a internet, o acesso à informação e uma inquietação coletiva sobre saúde, bem-estar e sustentabilidade.
RXBAR: um rótulo que posiciona o produto
A RXBAR é um exemplo interessante porque faz algo simples — e justamente por isso, disruptivo.
Enquanto muitas marcas de barrinhas de proteína escondem ingredientes em letras pequenas, a RXBAR faz o contrário.
Na frente da embalagem.
“3 claras de ovo, 6 amêndoas, 4 castanhas de caju, 2 tâmaras. Nenhuma besteira.”
A RXBAR se posiciona para um consumidor que está exausto de ser enganado.
Ele busca saúde sem controvérsias.
O consumidor “investigador”
Hoje, a gente não compra sem olhar. A gente pesquisa. Questiona. Desconfia.
Palavras como maltodextrina, xarope de glicose, adoçantes artificiais e conservantes sintéticos deixaram de ser invisíveis. Elas começaram a incomodar.
Muitos produtos que se vendiam como “fitness”, “light” ou “naturais” passaram a ser percebidos como aquilo que são: ultraprocessados com uma boa e convincente narrativa.
E não foi por acaso.
Redes sociais, documentários, nutricionistas e criadores de conteúdo começaram a desmontar esse discurso.
O que vemos hoje é um consumidor mais atento e muito menos ingênuo.
Talvez estejamos, aos poucos, nos despedindo do “fake saudável”.
O papel do Desrotulando
Quando a informação não vem clara, o consumidor aprende a ir atrás dela.
Por isso, aplicativos como o Desrotulando caminham em prol do desmascaramento.
Eles traduzem rótulos, escaneiam códigos de barras e mostram, sem rodeios, o que está ali.
A tecnologia, nesse caso, funciona como um espelho.
E nem sempre o reflexo agrada à indústria.
Quando o rótulo fica legível, a escolha muda.
E isso pressiona marcas a fazerem algo que, em tese, sempre foi básico: serem mais honestas.
O impacto dos “nãos”: o clean label como exclusão
Existe algo curioso no movimento clean label: ele é muito mais sobre o que não está no produto do que sobre o que está.
Sem conservantes.
Sem corantes artificiais.
Sem aromatizantes.
Sem adoçantes artificiais.
Sem ultraprocessados.
Essa “lista do sem” mostra algo interessante: o consumidor aprendeu a associar saúde à retirada, não ao acúmulo.
Depois de anos de excessos, talvez o corpo e a consciência estejam pedindo pausa.
Será que chegou a vez do “menos é mais”?
Como o clean label está transformando o mercado
Os números ajudam a entender que isso não é só sensação.
O mercado global de produtos clean label já movimenta centenas de bilhões de dólares.
Millennials e Geração Z lideram esse movimento — não apenas consumindo, mas pagando mais por produtos que fazem sentido para eles.
No Brasil, o dado é quase simbólico: apenas 23% das pessoas dizem entender completamente os rótulos tradicionais.
Talvez o problema nunca tenha sido falta de interesse, mas excesso de barulho.
Para as marcas, isso exige uma mudança real: menos ingredientes, mais alinhamento.
Menos “blá blá blá”, mais transparência.
No fundo, não é só sobre comida
Clean label conversa com a ideia de viver com menos excesso.
De escolher melhor.
De respeitar o corpo.
De recuperar uma relação mais consciente com aquilo que consumimos — dentro e fora do prato.
Talvez, assim como o clean living, o clean label seja apenas mais um convite ao essencial.
Menos barulho.
Mais clareza.
Um beijo,
Luiza