A Olympikus lançou o Corre Pace, seu primeiro tênis de corrida realmente voltado à performance, desenvolvido e fabricado no Brasil. E aqui tem um detalhe importante: ele chega como o primeiro modelo “ultra” da marca, justamente na fase em que correr virou cultura de massa por aqui.
O Corre Pace foi apresentado em um evento em São Paulo, mas a história dele começa bem longe do hype.
Segundo a marca, foram mais de 18 meses de testes e 35 protótipos até chegar na versão final. O desenvolvimento aconteceu no Centro de Pesquisa & Desenvolvimento da Vulcabras, em Parobé (RS), onde também nasce a engenharia da linha Corre.
O tênis chega ao mercado por R$ 1.999,99 e começa a aparecer nas lojas em 7 de março.
A Olympikus diz que o Corre Pace foi pensado para o corredor brasileiro e que incorpora especificidades mapeadas a partir de estudos sobre esse público.
E tem um pano de fundo maior aqui: a Vulcabras também toca as operações de Under Armour e Mizuno no Brasil e afirma ter investido cerca de R$ 1 bilhão desde 2019 em inovação, modernização de fábricas, sistemas integrados e no fortalecimento do P&D.

Um ponto que a marca bate forte é que reputação não nasce só de campanha. Nas palavras do CMO Márcio Callage, marca hoje é reputação, e reputação vem da coerência entre o que se promete e o que se entrega.
O raciocínio é simples: em corrida, o produto é rei. Você até compra pelo impulso. Mas só volta (e recomenda) se o tênis entregar no asfalto.
O mercado ajuda a explicar o timing.
Há estimativas de 15 milhões de corredores de rua no país, entre amadores e profissionais. Os dados citados vêm do estudo “Por Dentro do Corre”, produzido pela Box1824 a pedido da Olympikus.
O mesmo estudo aponta a corrida como a 4ª atividade física mais praticada no Brasil, atrás de caminhada (39%), musculação (25%) e futebol (16%), considerando corredor quem corre pelo menos 1x por semana.
E pelo recorte de eventos, a Ticket Sports (no estudo Perfil do Atleta Brasileiro) informou que, em 2025, vendeu quase 3 milhões de inscrições para mais de 3.500 eventos. Dentro das modalidades, a corrida de rua concentra 75,3% das inscrições, seguida por triathlon/multisports (14,7%) e ciclismo/mountain bike (3,7%).
Junto do Pace, a Olympikus também anunciou o Corre do Amanhã, projeto de formação de atletas em parceria com o Instituto Vanderlei Cordeiro de Lima.
A proposta é apoiar 10 jovens entre 18 e 23 anos com suporte técnico, nutricional e psicológico. A marca enquadra isso como trabalho de médio e longo prazo, com menos promessa de resultado imediato e mais investimento consistente.
Por que isso importa?
O Corre Pace parece cumprir duas funções ao mesmo tempo:
- Ser o “ultra” que prova capacidade técnica do Brasil em corrida de alto nível.
- Amarrar narrativa com entrega, porque a comunidade de running é exigente e não perdoa produto que não sustenta o discurso.