O Reino Unido decidiu mexer onde dói de verdade: na exposição diária das crianças a anúncios de comida ultrapalável.
Como parte de uma campanha para combater a obesidade infantil, o país passou a proibir anúncios de alimentos e bebidas considerados não saudáveis na TV antes das 21h e na internet em qualquer horário. A regra vale para itens com alto teor de gordura, sal e açúcar, como refrigerantes, chocolates, doces, pizzas e sorvetes. E não para por aí: a lista também inclui alguns cereais matinais e mingaus, produtos de panificação adoçados, além de refeições prontas e sanduíches.
Segundo a BBC, a medida está em vigor desde 5 de janeiro e já é vista por especialistas como um movimento atrasado, porém necessário. Em entrevista à emissora, Katherine Brown, professora de mudança comportamental em saúde na Universidade de Hertfordshire, resumiu o clima: é “um passo na direção certa”.
O detalhe é estratégico. As empresas ainda poderão fazer publicidade das suas marcas, mas não poderão anunciar produtos específicos dentro dessas categorias para o público nos horários e ambientes definidos.
E tem consequência: quem descumprir pode sofrer sanções da Autoridade de Padrões de Publicidade.
Por que isso virou prioridade?
Os números pesam. De acordo com o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido, 1 em cada 10 crianças em idade pré-escolar está obesa. E 1 em cada 5 já chega aos 5 anos com cárie dentária.
O governo estima que a proibição pode evitar cerca de 20 mil casos de obesidade infantil. A lógica é simples: menos estímulo, menos gatilho, menos “compra por impulso” travestida de entretenimento.
Quando o país corta a vitrine digital e o horário nobre da TV, ele está dizendo uma coisa bem direta: criança não deveria ser o alvo mais fácil de uma indústria com orçamento infinito de mídia.
Agora, a pergunta que fica é bem FitFeed.
Se a internet virou o maior outdoor do mundo, quem vai proteger o público mais vulnerável dela?