Pagar para destruir uma TV com um taco de beisebol e sair de lá bem mais leve.
Essa é a proposta das chamadas “salas da fúria”, espaços onde você veste equipamento de proteção, escolhe sua trilha sonora e pode quebrar objetos antigos sem culpa.
Sim, isso está ficando cada vez mais popular.
E, segundo proprietários desses espaços, a maioria do público é feminino.
Mas o que está por trás disso?
Deena, entrevistada pela BBC, conta que sua primeira experiência foi diferente do que imaginava, ela achou que sairia agressiva, caótica.
Mas aconteceu o oposto.
Ela descreveu a sensação como uma liberação física, não uma explosão emocional.
Comparou com apertar um botão de reset. Ou fazer uma massagem muito boa.
Ela não se considera uma pessoa irada, muito pelo contrário.
Mas trabalha sob pressão constante, tomando decisões o tempo todo.
E ali, por alguns minutos, ela simplesmente não precisava sustentar nada.
De onde veio isso?
O conceito ganhou força no Japão no fim dos anos 2000, mas também surgiu quase simultaneamente nos Estados Unidos, quando Donna Alexander montou uma sala improvisada na própria garagem, no Texas.
Hoje, há espaços no Reino Unido, nos Estados Unidos e em outros países oferecendo a experiência como forma de alívio do estresse.
Por que tantas mulheres?
Aqui a conversa fica mais interessante.
A psicoterapeuta Jennifer Cox, que falou sobre o tema na BBC Radio 4, levanta um ponto importante.
Mulheres são frequentemente condicionadas a reprimir frustração, agressividade e raiva.
Enquanto isso, acumulam trabalho, cuidado com filhos, responsabilidades emocionais, pressão social.
Segundo Cox, quando a raiva é reprimida, ela pode aparecer no corpo: ansiedade, enxaqueca, problemas gastrointestinais, depressão.
Já a terapeuta Shelly Dar defende que a raiva é uma emoção saudável. O problema não é sentir, é não ter espaço seguro para expressar.
E talvez as salas da fúria estejam ocupando exatamente esse espaço.
Funciona mesmo?
A ciência é cautelosa aqui.
Alguns estudos antigos sugerem que “descarregar” agressivamente pode até reforçar padrões de agressividade se virar hábito.
Por outro lado, práticas físicas intensas e controladas são reconhecidas como ferramentas eficazes de regulação emocional.
O que as entrevistas mostram é que, para muitas pessoas, a experiência é menos sobre violência e mais sobre liberação corporal consciente.
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