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Saúde da mulher entra na era dos ciclos de vida e não mais de eventos isolados

Durante décadas, a saúde da mulher foi tratada como uma sequência de episódios desconectados: gravidez, parto, pós-parto. Fora desses momentos, o cuidado simplesmente desaparecia. Agora, esse modelo começa a mudar.

A Pomelo Care acaba de levantar US$ 92 milhões, alcançando uma avaliação de US$ 1,7 bilhão, para expandir seu modelo de cuidado além da gestação. O foco passa a ser um acompanhamento contínuo da saúde feminina, incluindo saúde hormonal, perimenopausa e menopausa.

Na prática, isso significa tratar a saúde da mulher como um processo ao longo da vida, e não como um intervalo curto dentro do sistema médico.

Do pré-natal ao “e depois?” Até aqui, a Pomelo era conhecida por sua atuação em gravidez e pós-parto, com um modelo virtual-first que combina análise preditiva de dados com acesso 24 horas a equipes clínicas, apoio emocional e suporte social.

O resultado foi concreto: redução de partos prematuros, menos casos de depressão pós-parto, menos internações em UTI neonatal — e custos menores para planos de saúde.

Hoje, a empresa já cobre 25 milhões de mulheres e crianças e está presente em cerca de 7% de todos os nascimentos nos Estados Unidos. Mas a pergunta inevitável surgiu: o que acontece depois que a gravidez termina?

O buraco no cuidado começa aos 35

Para muitas mulheres, os primeiros sinais de desequilíbrio hormonal aparecem anos antes da menopausa: fadiga persistente, alterações de humor, ganho de peso, queda de libido, piora do sono. Sintomas reais, mas frequentemente ignorados ou tratados de forma fragmentada.

A nova fase da Pomelo tenta preencher esse vazio. A proposta é criar jornadas de cuidado contínuas, que podem começar antes da concepção, passar por gravidez e pós-parto, e seguir até a meia-idade.

Na prática, isso inclui desde coaching pré-concepcional e doulas virtuais até orientação nutricional na perimenopausa e acompanhamento para terapia hormonal, quando indicado.

É menos sobre “tratar sintomas” e mais sobre manter funcionalidade, energia e qualidade de vida ao longo do tempo.

Uma mudança maior no mercado

O movimento da Pomelo não acontece isoladamente. Ele sinaliza uma virada mais ampla na saúde feminina, que começa a ser organizada por fases da vida, não por consultas pontuais.

Outros players já se movem nessa direção:

  • WeightWatchers, integrando medicamentos GLP-1 ao cuidado metabólico
  • Midi, investindo em inteligência artificial para longevidade
  • Maven Clinic, conectando dados com wearables como o Oura
  • Elektra Health, firmando parcerias com seguradoras como a Oscar

O fio condutor é o mesmo: usar dados, biometria e acompanhamento contínuo para antecipar problemas, não apenas reagir a eles.

Por que isso importa de verdade

Apesar de avanços tecnológicos e bilhões investidos, a experiência de cuidado da mulher ainda é fragmentada. Muitas passam anos ouvindo que “é normal”, “faz parte da idade” ou simplesmente saem de consultas sem respostas claras.

A aposta de empresas como a Pomelo é simples, mas poderosa: intervenções pequenas, feitas no momento certo, podem gerar impacto acumulado ao longo de décadas.

Menos rupturas no cuidado. Menos silêncio entre fases da vida. Mais continuidade.

O novo jogo da saúde feminina

Se antes a saúde da mulher girava em torno da maternidade, agora ela começa a ser redesenhada em torno do healthspan — viver mais tempo com qualidade, autonomia e equilíbrio.

Não é sobre medicalizar tudo. É sobre não desaparecer do sistema quando o corpo muda.

E essa, talvez, seja a mudança mais importante de todas.