Não é outra pandemia, mas também não é “só mais um vírus”.
Casos recentes do vírus Nipah envolvendo dois profissionais de saúde na Índia colocaram autoridades sanitárias de vários países asiáticos em estado de atenção. As infecções aconteceram no estado de Bengala Ocidental, em dezembro, e evoluíram rápido para complicações neurológicas.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, ambos foram isolados no início de janeiro. O ponto-chave até agora: 196 pessoas foram rastreadas e nenhuma testou positivo.
O risco global segue classificado como baixo, mas aeroportos em países como Singapura e Tailândia já retomaram protocolos de vigilância que lembram os tempos da Covid.
Tá, mas o que é o vírus Nipah?
O Nipah não é novo. Ele foi identificado em 1998, na Malásia, e pertence à categoria dos vírus zoonóticos, aqueles que saltam de animais para humanos.

O principal reservatório são morcegos frugívoros. Em alguns surtos, porcos também entraram na equação, facilitando a transmissão para pessoas.
O quadro clínico é traiçoeiro:
pode ir de assintomático até encefalite grave, uma inflamação no cérebro com alta taxa de letalidade.
Segundo a OMS, a mortalidade varia entre 40% e 75%, dependendo da rapidez do diagnóstico e da estrutura do sistema de saúde local.
Por que isso não virou um pânico global?
A transmissão entre humanos é rara e, quando acontece, costuma ficar restrita a ambientes hospitalares ou contatos muito próximos, como familiares.
Não há registros de disseminação internacional via viagens aéreas. Isso reduz drasticamente o risco de um cenário pandêmico.
Ou seja: é um vírus perigoso, mas não é eficiente em se espalhar.

Mas o vírus tem um problema sério…
Apesar do risco controlado, o Nipah tem um problema sério: não há vacina nem tratamento específico aprovado.
O manejo hoje é básico e pesado:
isolamento, suporte clínico e monitoramento rigoroso dos sintomas.
Regiões como o estado indiano de Kerala já enfrentaram vários surtos e são consideradas zonas de alto risco. Até dezembro de 2025, estima-se que o vírus tenha causado cerca de 750 infecções e 415 mortes no mundo.
A boa notícia é que a ciência está se mexendo. A CEPI já financia estudos clínicos para o desenvolvimento de uma vacina.
Até lá, o jogo é outro: contenção rápida, vigilância constante e cooperação internacional.
No mundo pós-Covid, ignorar sinais pequenos não é mais uma opção.
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