Aprovar um remédio é só metade da partida. O Ministério da Saúde começou nesta semana a distribuir nove medicamentos oncológicos no SUS, em 20 centros de tratamento, com expansão prevista até dezembro. Muitos deles estavam aprovados para a rede pública havia mais de dez anos e simplesmente não chegavam aos hospitais.
O que entra na rede pública?
Os nove remédios cobrem 13 usos diferentes e devem atender mais de 116 mil pessoas. Na rede privada, um desses tratamentos pode custar até R$ 366 mil.
Na lista estão o abemaciclibe, para alguns tipos de câncer de mama, a abiraterona, para câncer de próstata, o pazopanibe, para câncer de rim com metástase, e o rituximabe, para leucemia e alguns linfomas. O trastuzumabe, que o SUS já usava contra câncer de mama, passa a valer também para o de estômago. O gefitinibe, previsto para câncer de pulmão no SUS desde 2013, finalmente passa a ser ofertado de fato.
Segundo o governo, é a maior inclusão já feita no cuidado com o câncer na rede pública.
Por que os remédios ficavam parados?
O gargalo nunca foi só a aprovação. Era a cadeia de compra. A virada vem com o AF-Onco, programa que reorganiza financiamento e distribuição. O ministério assumiu a compra direta de dez medicamentos, montou uma ata de preços para os estados adquirirem outros nove pelo menor valor e ampliou repasses para custear os quatro restantes.
O governo vai gastar R$ 155,4 milhões por ano só com esses nove. A meta é chegar a 23 novos remédios contra câncer até o fim do ano, ampliando em 35% as opções na rede pública.
O que isso muda no tabuleiro?
Para a indústria farmacêutica, o sinal é de um comprador mais centralizado e com mais poder de negociação. Para o sistema, é uma tentativa de reduzir a judicialização. Processos judiciais citam custos anuais acima de R$ 350 mil para alguns desses tratamentos na rede privada, conta que hoje muitas vezes chega ao Estado pela via da Justiça.
Por enquanto, a oferta vale só para os centros da primeira etapa, distribuídos pelas cinco regiões do país. A lista completa de hospitais ainda não foi divulgada.
Incorporar um remédio no papel é fácil. O jogo de verdade é a logística que faz o tratamento chegar na mão do paciente. Se o novo modelo funcionar, o SUS troca a promessa pela entrega, e isso muda o mercado oncológico inteiro.
Quer continuar por dentro do que realmente está apostando no bem-estar?
A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor.
Inscreva-se em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/