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Tatiana Sampaio diz que Polilaminina vai ser gratuita no SUS

A polilaminina pode ser distribuída gratuitamente pelo SUS depois da aprovação da Anvisa.
Quem afirmou isso foi a pesquisadora Tatiana Sampaio, em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura.

A substância ainda está na fase 1 de testes. Ou seja, o processo regulatório está só começando. Mas o plano já está desenhado. Segundo ela, existe um acordo com o laboratório parceiro para que, se aprovada pela Anvisa, a produção seja disponibilizada ao Ministério da Saúde e chegue aos hospitais públicos.

Quanto custa produzir a polilaminina?

Ao contrário do que muita gente imagina, não é um medicamento bilionário por dose.
Segundo a pesquisadora, o custo gira em torno de 100 dólares por aplicação.

Hoje, apenas o Laboratório Cristália está autorizado a produzir a substância. Ela reforçou o alerta para evitar golpes e perfis falsos usando seu nome.

Outro ponto importante: a patente internacional não foi mantida por decisão administrativa da universidade. Já a patente nacional foi paga do próprio bolso da pesquisadora para não perder os direitos sobre a descoberta.

Ciência no Brasil também é feita na base da persistência.

Quando questionada se havia encontrado a cura para paralisias por lesão medular, Tatiana foi direta: ainda não. O que existe é uma substância promissora, com resultados inéditos até aqui, mas que continua em pesquisa.

Esse ponto é crucial.

O debate esquentou quando levantaram a necessidade de grupo controle com placebo. Ela argumentou que, em estudos piloto com pacientes em situação aguda, não se aplica placebo. Segundo a pesquisadora, testes com grupo controle já haviam sido feitos em modelos animais.

Quando algo realmente novo surge, os protocolos tradicionais nem sempre dão conta da complexidade do caso. A própria pesquisadora afirma que precisou desenvolver novos métodos dentro do laboratório da UFRJ para estudar a proteína.

Revoluções científicas não pedem licença, mas precisam de validação.

Os números que chamam atenção

Até agora, pelo menos 30 pacientes já receberam a aplicação.
Na pesquisa conduzida por ela na universidade, seis foram tratados diretamente no estudo inicial.

A literatura científica aponta que cerca de 9% das pessoas com lesão medular podem ter alguma recuperação espontânea. Segundo os dados apresentados, mais de 75% dos pacientes tratados mostraram ganho motor.

É um dado que chama atenção.
Mas ainda precisa passar por todas as fases clínicas.

A exposição massiva na imprensa criou uma onda de esperança. Isso tem dois efeitos.

O lado bom é acelerar o olhar das autoridades e atrair investimento. O tema já chegou ao ministro da Saúde Alexandre Padilha, que comentou publicamente sobre o assunto.

O lado delicado é a expectativa. Nem todo paciente terá o mesmo resultado. E quando se fala em lesão medular, cada caso é único.

Entre a esperança e a evidência, existe um caminho longo.

O que acontece agora?

A bola está com a Anvisa.
Não existe prazo fechado para conclusão das fases clínicas.

Se a substância comprovar segurança e eficácia, pode sim virar política pública. E isso seria um marco histórico para a ciência brasileira.

Mas ciência não se move no ritmo das redes sociais.
Ela se move no ritmo dos dados.

A polilaminina é promissora? Sim.
Já é tratamento aprovado? Ainda não.

E é exatamente essa diferença que precisa estar clara.