arrow-left-square Created with Sketch Beta.

Tatiana Sampaio: testes clínicos da polilaminina devem começar em abril

Uma das pesquisas mais acompanhadas da ciência brasileira acaba de dar um passo importante.

Os primeiros testes clínicos em humanos com a proteína polilaminina devem começar na primeira semana de abril. O anúncio foi feito pela pesquisadora Tatiana Sampaio, durante o evento Ciência por Elas, realizado em São Carlos, no interior de São Paulo.

A nova fase marca um momento decisivo em uma linha de pesquisa que vem sendo desenvolvida há quase três décadas.

Uma pesquisa construída ao longo de quase 30 anos

A investigação sobre a polilaminina é conduzida por cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e tem como principal objetivo estudar formas de recuperação de movimentos após lesões na medula espinhal.

O projeto é liderado pela professora Tatiana Sampaio e conta com parceria do laboratório Cristália.

Ao longo dos anos, a pesquisa recebeu apoio do Ministério da Saúde para avançar nas etapas de investigação básica, acumulando dados científicos antes de chegar à fase clínica em humanos.

O que os testes clínicos vão avaliar

Nesta primeira etapa com pacientes, o foco principal não será ainda medir eficácia.

O objetivo inicial é avaliar a segurança do tratamento em pessoas que sofreram lesão medular recente. Esse tipo de abordagem é comum no início de estudos clínicos, quando os pesquisadores buscam entender como o organismo reage à terapia antes de ampliar o número de participantes.

Segundo a pesquisadora, os primeiros resultados devem aparecer dentro de cerca de um ano.

A partir desses dados, será possível avaliar se a terapia poderá avançar para fases mais amplas e eventualmente ser adaptada também para pacientes com lesões mais antigas.

Resultados preliminares animaram os pesquisadores

Antes de chegar à fase clínica, a polilaminina já havia sido testada em estudos experimentais.

Segundo os pesquisadores, os resultados indicaram potencial para estimular recuperação de movimentos após lesões na medula espinhal.

Em aplicações realizadas de forma compassiva, 40 pacientes já receberam o medicamento. Entre os relatos divulgados, um dos pacientes voltou a andar e outros apresentaram recuperação parcial de movimentos e sensibilidade corporal.

Agora, com o início formal dos testes clínicos, o objetivo é validar cientificamente a segurança e o potencial terapêutico do tratamento.

Lesões na medula espinhal estão entre as condições neurológicas mais desafiadoras da medicina.

Tratamentos capazes de restaurar movimentos ou recuperar funções perdidas ainda são raros. Por isso, qualquer avanço nessa área costuma mobilizar grande atenção da comunidade científica.

Se os testes clínicos confirmarem a segurança e eficácia da polilaminina, o estudo poderá abrir caminho para novas abordagens terapêuticas voltadas à regeneração do sistema nervoso.

Por enquanto, os pesquisadores iniciam a fase mais delicada do processo científico: transformar resultados de laboratório em evidências clínicas robustas.