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Uma injeção a cada seis meses: a nova aposta do SUS para zerar o HIV

A Fiocruz deu o pontapé inicial no estudo ImPrEP LEN Brasil, uma iniciativa que pode redefinir a prevenção ao HIV no país. A proposta é testar a implementação do lenacapavir, uma injeção semestral que substitui a pílula diária, diretamente no Sistema Único de Saúde (SUS), sinalizando um avanço gigante na medicina preventiva.

Menos pílulas, mais liberdade: como a inovação chega na ponta?

O estudo vai rolar em sete cidades brasileiras, com foco em populações mais vulneráveis, como homens gays, bissexuais e pessoas trans e não binárias de 16 a 30 anos. Os participantes terão o poder de escolha: continuar com o comprimido diário ou aderir à injeção a cada seis meses. A ideia é simples e potente: uma opção mais conveniente melhora a adesão ao tratamento e simplifica o cuidado com a saúde, alinhando tecnologia e bem-estar.

O dilema do acesso: inovação tem preço?

Mas nem tudo são flores. O grande desafio é o custo. Nos Estados Unidos, o tratamento com lenacapavir chega a US$ 25,3 mil por ano, um valor impraticável para a saúde pública em larga escala. Embora existam caminhos para uma versão genérica a preços muito mais baixos, o Brasil ficou de fora dos acordos globais de licenciamento. Para que a injeção chegue de fato ao SUS, ainda depende da aprovação de preço pela CMED e da avaliação da Conitec, transformando o acesso em um quebra-cabeça regulatório e econômico.

Por que o Brasil está na vanguarda desse teste?

O estudo da Fiocruz, financiado pela Unitaid com doses fornecidas pela Gilead Sciences, funciona como um piloto estratégico. O objetivo é coletar dados práticos sobre a viabilidade, aceitação e logística da aplicação do medicamento, fornecendo ao Ministério da Saúde a evidência necessária para uma futura adoção em massa. A parceria internacional mostra que o Brasil está se posicionando como um player chave na implementação de tecnologias avançadas em saúde pública.

O caso do lenacapavir é um retrato do mercado de health tech: a inovação precisa andar de mãos dadas com modelos de negócio que garantam acessibilidade. O sucesso desse projeto não só transformaria a prevenção ao HIV, mas também estabeleceria um novo padrão de como equilibrar avanços de ponta e impacto social.

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