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USP vai usar desempenho das faculdades como fator na seleção para residência médica

A faculdade onde você se formou acaba de entrar na disputa por uma vaga de residência na USP. A Faculdade de Medicina da universidade vai considerar a instituição de origem do candidato na seleção para ingresso em março de 2027. A regra está no edital publicado na sexta-feira, 18 de setembro.

A residência é a especialização que o médico faz depois de formado, e a da USP está entre as mais disputadas do país. Nesta seleção são 864 vagas distribuídas em 115 programas. No processo anterior, eram cerca de 743 vagas para 9.103 inscritos.

Como a regra funciona na prática?

O critério usa o ENAMED, a prova nacional que avalia os cursos de medicina. A nota individual do candidato não entra na conta. O que vale é o conceito que a faculdade dele recebeu em 2025.

Esse conceito funciona como multiplicador da nota do currículo. Conceito 5 aplica fator 1,20. Conceito 4 aplica 1,10. Conceitos 1, 2 e 3 ficam em 1,00. A nota tem teto de 100 pontos.

Um candidato com currículo de 80 pontos sobe para 96 se veio de uma faculdade conceito 5. Com conceito 4, vai a 88. Nos demais casos, continua com 80.

Parece pouco, mas pode decidir o jogo

O peso na nota final é pequeno. A prova objetiva vale 9 e o currículo vale 1. No exemplo acima, a diferença final chega a 1,6 ponto. Só que em programas com mais de 70 candidatos por vaga, esse detalhe pode separar aprovado de reprovado.

E a USP não está sozinha. A Faculdade de Medicina de Jundiaí também passou a dar pontos extras conforme o conceito da faculdade no ENAMED. O governo prevê que, a partir de 2027, o exame aconteça duas vezes por ano e seja integrado à seleção nacional de residência.

O que muda para o mercado de educação médica?

Esse é o movimento que merece atenção. O ENAMED deixa de ser apenas um indicador regulatório e vira ativo competitivo. Uma nota ruim da instituição passa a custar pontos concretos aos formados dela. Para as faculdades, a qualidade medida no exame vira argumento de captação. Para o aluno, a escolha do curso ganha uma camada estratégica que vai até a especialização.

É a prova de que, na saúde, a reputação institucional está virando moeda. E quem forma médicos vai ter que mostrar resultado para continuar em campo.

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