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Vacina contra dependência de cocaína e crack avança nos estudos

Tem um tipo de notícia que dá um choque de realidade: a ciência brasileira está tentando tirar a cocaína e o crack do atalho até o cérebro.

A UFMG avançou com a Calixcoca, uma vacina experimental criada para ajudar no tratamento da dependência. Depois de resultados animadores em animais, o projeto entrou em uma nova etapa pré-clínica mais robusta, com um plano que mira os primeiros ensaios em humanos entre o terceiro e o quarto ano dessa fase, em uma jornada estimada em até quatro anos.

O que a Calixcoca faz, na prática?

A lógica é direta: treinar o corpo para produzir anticorpos que se ligam à cocaína no sangue. Se a molécula fica capturada ali, ela tem mais dificuldade de atravessar a barreira até o cérebro, onde dispara o efeito de recompensa que sustenta o ciclo de uso.

Esse tipo de estratégia é diferente do imaginário popular de “vacina que cura”. Aqui o foco é reduzir o impacto da droga no sistema nervoso, o que pode ajudar a diminuir reforço, recaídas e danos, mas não substitui acompanhamento clínico, psicológico e social.

O dado que mais chamou atenção nos estudos em animais

Além da produção de anticorpos, pesquisadores observaram sinais de benefício em um ponto sensível: gestação exposta à droga, com relatos de melhora em desfechos nos filhotes em modelos animais. Autoridades de saúde citaram esse ponto como uma das grandes urgências por trás do projeto.

A Calixcoca já acumula marcos importantes, como patentes no Brasil e nos Estados Unidos, além de apoio institucional que coloca a pesquisa na trilha regulatória formal.

O Governo de Minas anunciou R$ 18,8 milhões para viabilizar as próximas etapas, com previsão de novos aportes até 2027 em parceria com a Fapemig.

Prêmios e reconhecimento

O projeto também recebeu reconhecimentos relevantes, incluindo o Prêmio Euro Inovação na Saúde e o Prêmio Veja Saúde & Oncoclínicas de Inovação Médica. Isso não prova eficácia clínica, mas sinaliza relevância e maturidade científica da iniciativa.

Mesmo com o entusiasmo, a regra é simples: resultado em animal não significa resultado em humanos. A fase clínica é onde a ciência precisa responder o que realmente importa: segurança, dose adequada, duração do efeito e impacto real na redução de recaídas e na adesão ao tratamento.

Se funcionar, a Calixcoca pode se tornar uma ferramenta brasileira com potencial de impacto em saúde pública dentro de um dos maiores desafios sociais e sanitários do país.

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