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6,1 milhões de brasileiros já fizeram estética com quem não é médico

Culpar apenas o preço é simplificar demais o jogo. Cerca de 6,1 milhões de brasileiros, ou 4% da população, já fizeram algum procedimento estético com um profissional que não é médico. O dado vem de uma pesquisa Datafolha encomendada pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), que ouviu 2.086 pessoas em todas as regiões do país.

Quem está fazendo e por quê?

Outros 26% dizem conhecer alguém que fez, o equivalente a cerca de 43 milhões de pessoas. Entre quem já recorreu a esses profissionais, 76% são mulheres, a idade média é de 40 anos e 58% vivem no Sudeste.

A decisão nasce sobretudo na indicação de amigos e parentes e no preço mais baixo. Para 22%, o procedimento parecia simples. Outros 21% citam menos consultas, exames e burocracia.

Quem está aplicando?

Dentistas (46%) e esteticistas (44%) lideram as menções de quem fez ou conhece alguém que fez. Depois aparecem biomédicos (22%), enfermeiros (10%) e farmacêuticos (7%).

O retrato bate com o tamanho da oferta. Um levantamento publicado na revista da própria SBCP estimou cerca de 139 mil prestadores de procedimentos estéticos não cirúrgicos no país, com a odontologia respondendo por aproximadamente 87% deles.

Uma contradição e um conflito de interesse

A pesquisa expõe um paradoxo. A maioria defende que só médicos façam esses procedimentos. Mesmo entre quem já foi a um não médico, 38% pensam assim. Um cirurgião ouvido pela Veja Saúde aponta os injetáveis no rosto como o procedimento de risco mais subestimado.

Mas leia os números com lupa. A SBCP é parte interessada numa disputa antiga com dentistas e biomédicos sobre quem pode aplicar botox e preenchimento. A mesma pesquisa traz nota média 8 para cirurgiões plásticos e 3 para não médicos, um recorte que conversa diretamente com o interesse de quem encomendou o estudo. Além disso, “procedimento estético” vai da limpeza de pele à injeção facial, então o número mede adesão, não risco.

O rosto segue o mesmo caminho da caneta emagrecedora e do suplemento. A decisão começa na recomendação de quem a pessoa conhece, não no consultório. Para qualquer marca ou profissional do setor, a lição é dupla. Confiança virou o principal canal de aquisição, e segurança precisa ser comunicada antes que o boca a boca decida por você.

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