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Brasil é o segundo país a aprovar o Emrelis, nova aposta da AbbVie contra o câncer de pulmão

A Anvisa aprovou o Emrelis (telisotuzumabe vedotina), da AbbVie, para um tipo de câncer de pulmão em estágio avançado. O registro saiu na segunda-feira (19/10) e colocou o Brasil como o segundo país do mundo a liberar o tratamento, logo depois dos Estados Unidos.

Para quem é o tratamento?

O remédio é indicado para adultos com câncer de pulmão de não pequenas células, o tipo mais comum da doença, no subtipo não escamoso. Vale para quem já passou por outro tratamento e tem um câncer que se espalhou ou avançou para regiões próximas ao pulmão.

Existe uma condição de entrada. O tumor precisa ter muita proteína c-Met na superfície das células, e é um exame do tecido tumoral que diz se o paciente se encaixa. É a medicina de precisão em estado puro, um remédio desenhado para um perfil biológico específico.

Como o remédio age?

O Emrelis é um conjugado anticorpo-fármaco. Pense num míssil guiado. O anticorpo reconhece a c-Met, entra na célula do tumor e libera lá dentro uma substância capaz de destruí-la. O ataque é mais preciso, mas células saudáveis também podem ser atingidas. Entre os efeitos colaterais sérios descritos na bula americana estão problemas nos nervos de mãos e pés.

A aplicação é na veia, por 30 minutos, a cada duas semanas. No estudo que embasou a aprovação, cerca de 1 em cada 3 pacientes com muita c-Met (34,5%) teve redução importante do tumor. Nos dados apresentados à FDA, essa resposta durou em média 7,2 meses.

Uma aprovação com asterisco

O registro veio acompanhado de um compromisso. A AbbVie precisa entregar mais dados à Anvisa. O estudo LUMINOSITY, de fase 2 e sem grupo de comparação, foi financiado pela própria AbbVie, que participou do desenho, da análise e da revisão do trabalho.

Nos EUA, a lógica foi a mesma. A FDA concedeu aprovação acelerada em maio de 2025, e um estudo de fase 3 chamado TeliMET NSCLC-01, que compara o Emrelis à quimioterapia com docetaxel, precisa confirmar o benefício.

Para a AbbVie, a jogada é estratégica. O Emrelis é o primeiro remédio para tumores sólidos desenvolvido internamente pela empresa, uma entrada no disputado mercado de conjugados anticorpo-fármaco.

Para um grupo de pacientes com poucas opções, é uma nova linha de tratamento no país. E para o mercado, é mais uma prova de que a oncologia caminha para remédios cada vez mais personalizados, em que o exame do tumor vale tanto quanto o próprio medicamento.

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