A velha lógica de que Medicina é o vestibular imbatível está com os dias contados. Na Universidade Federal do Ceará (UFC), Psicologia teve 47 candidatos por vaga no Sisu 2025, contra 36,7 em Medicina. E não foi um ponto fora da curva. É o segundo ano seguido em que isso acontece por lá.
Uma corrida por vagas que se espalha pelo país
Na USP, Psicologia é o segundo curso mais concorrido da Fuvest 2027, com 50,9 candidatos por vaga no campus da capital. Só fica atrás de Medicina, que somou 76,3 candidatos por vaga considerando os três campi. O detalhe que chama atenção é outro. Psicologia é o único curso que aparece duas vezes no top 3, com o campus de Ribeirão Preto ocupando o terceiro lugar.
O movimento também aparece no Sisu 2026, em que Psicologia foi o curso mais disputado em cinco estados, segundo dados do MEC. E a base não para de crescer. O Brasil registrou 375,6 mil matrículas em cursos de Psicologia em 2024, de acordo com o Censo da Educação Superior do Inep.
Mais alunos, mas que tipo de psicólogo?
Com a procura em alta, a pergunta que importa muda de lugar. Não é mais quantos psicólogos o país vai formar, e sim como eles chegam ao mercado. Segundo o CensoPsi, levantamento do Conselho Federal de Psicologia com mais de 20 mil profissionais, 73% atuam com atendimento clínico e 59% trabalham em mais de uma área.
Isso significa que a escuta, a avaliação e a condução de atendimentos são o coração da profissão. E é justamente aí que muitos cursos ainda tropeçam, com pouca prática supervisionada e muita teoria descolada do consultório. Uma reportagem do The University Journal mostra como as instituições estão lidando com esse crescimento e quais são os gargalos na formação.
A aposta da APSY em formação prática
Um dos sinais mais claros dessa transformação é a APSY, escola de Psicologia criada pela Artmed. A primeira turma de graduação presencial começa em fevereiro de 2027, na Vila Olímpia, em São Paulo, com 75 vagas e mensalidade de referência de R$ 6.700. O modelo coloca prática deliberada do primeiro ao oitavo semestre, estágios a partir do quarto semestre e supervisão clínica estruturada ao longo de todo o curso.
A seleção também foge do vestibular tradicional. Ela combina histórico escolar, carta de recomendação, vídeo de apresentação, prova própria ou exames como SAT, IB e AP, redação obrigatória e duas entrevistas individuais. A inteligência artificial entra na análise da redação e na simulação de entrevista, mas a decisão final é sempre de um avaliador humano. Para a diretora científica Adriane Kiperman, o desafio é formar profissionais capazes de lidar com situações complexas e trabalhar com evidências, e não apenas transmitir teoria.
A corrida por uma vaga em Psicologia revela uma mudança maior. A saúde mental saiu da coxia e entrou no centro do palco, e o mercado que forma esses profissionais está sendo obrigado a se reinventar. O psicólogo do futuro é menos teórico de sala de aula e mais clínico preparado desde o primeiro semestre.
Quer continuar por dentro do que realmente está apostando no bem-estar?
A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor.
Inscreva-se em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/