De cafés e cereais a sorvetes e doces de colher, a indústria está levando proteína para alimentos que vão muito além da academia. No Brasil, a A Confiteria é um dos exemplos desse movimento.
O brigadeiro entrou na corrida pela proteína. E o que parece apenas mais uma novidade nas prateleiras revela uma transformação muito maior na maneira como a indústria alimentícia desenvolve seus produtos.
Durante anos, o universo proteico foi associado principalmente a shakes, barrinhas e suplementos. Agora, a proteína aparece até em alimentos que costumamos escolher primeiro pelo sabor.
A mudança ganhou destaque internacional. Em 10 de outubro, o Financial Times publicou uma reportagem sobre como a crescente demanda por proteína está movimentando fabricantes, investimentos e lançamentos de alimentos ao redor do mundo.
E os números ajudam a entender por quê.
63% dos latino-americanos querem mais proteína na alimentação
Segundo a Innova Market Insights, 63% dos consumidores da América Latina afirmam estar buscando incluir mais proteína na dieta. Globalmente, esse percentual chega a quase 60%.
A demanda é tão relevante que a consultoria colocou a proteína no topo das principais tendências de alimentos e bebidas para 2026, sob o nome de Powerhouse Protein.
Mas existe uma mudança importante acontecendo por trás desses números.
A proteína está deixando de ser um atributo associado principalmente ao universo fitness e ganhando espaço em diferentes momentos da alimentação.
Isso já aparece em lançamentos internacionais de cafés, cereais, snacks, bebidas e até sobremesas.
Para as marcas, o movimento representa uma oportunidade de alcançar consumidores que procuram atributos nutricionais relevantes sem necessariamente querer mudar aquilo que já gostam de comer.
Colocar proteína no alimento já não é suficiente?
A quantidade de proteína chama atenção nas embalagens, mas existe outro fator que continua influenciando as decisões de compra: o sabor.
Segundo a Innova Market Insights, o sabor é o principal fator de escolha na categoria de doces. Mais da metade dos consumidores também procura combinações interessantes de texturas em alimentos associados ao prazer de comer.
Essa relação entre nutrição e experiência é uma das tendências de 2026 identificadas pela consultoria, chamada Layers of Delight.
A proposta reúne familiaridade, prazer, textura e atributos ligados ao bem-estar.
Na prática, isso ajuda a explicar por que a indústria está apostando em versões proteicas de alimentos que já fazem parte do repertório dos consumidores.
Afinal, quem procura um brigadeiro continua esperando encontrar o sabor e a cremosidade de um brigadeiro.
O desafio para as marcas passa a ser incorporar novos ingredientes sem perder justamente as características que fizeram aqueles alimentos se tornarem desejados.
No Brasil, a tendência chegou a três doces conhecidos
É nesse cenário que a A Confiteria entra em uma nova fase.
Criada em 2017, a marca brasileira nasceu da percepção de que produtos com propostas nutricionais diferentes não precisavam deixar de lado o sabor, a textura e o prazer de comer uma sobremesa.
Essa ideia orientou o desenvolvimento de seus doces ao longo dos anos e agora ganha um novo capítulo.
Depois de receber pedidos dos próprios clientes, a marca decidiu criar versões proteicas de três sabores já conhecidos pelo público: Cookies & Cream, Doce de Leite e Brigadeirão Black.
Os produtos chegam em potes de 150 gramas, com até 22 gramas de proteína de colágeno, dependendo do sabor, além de fibras na composição.
A nova linha também é apresentada como sem açúcar, sem glúten e sem lactose.
Mas o lançamento traz um desafio importante: preservar a experiência das receitas originais.
O maior desafio não estava na quantidade de proteína
Adicionar novos ingredientes à formulação de uma sobremesa pode alterar características como consistência, sabor e cremosidade.
Para a A Confiteria, preservar esses atributos foi uma das prioridades no desenvolvimento da linha.
A marca realizou diversos testes com ingredientes e formulações para aproximar as versões proteicas dos doces que seus consumidores já conheciam.
A escolha de trabalhar com sabores familiares também tem relação com uma tendência identificada pela Innova: consumidores valorizam novidades, mas continuam procurando experiências que transmitam familiaridade e conforto.
É justamente esse encontro que aparece no lançamento brasileiro.
A proteína de colágeno acrescenta um atributo à composição dos doces, enquanto o desenvolvimento das receitas busca preservar a experiência de sobremesa.
Vale destacar que proteínas têm perfis nutricionais diferentes. Por isso, a presença de colágeno não deve ser interpretada automaticamente como equivalente ao consumo de whey protein ou de outras fontes proteicas.
O que essa mudança revela sobre o futuro dos alimentos?
O avanço da proteína para novas categorias mostra como a indústria alimentícia está tentando aproximar atributos nutricionais dos hábitos que já fazem parte da vida das pessoas.
E o movimento não se limita às sobremesas.
Cafés, snacks, cereais e bebidas são exemplos de produtos que vêm incorporando proteína para atender a novas preferências de consumo.
A A Confiteria representa uma aplicação dessa tendência no mercado brasileiro: utilizar sabores tradicionais como ponto de partida para desenvolver produtos com novas características nutricionais.
No centro dessa transformação está uma questão que vai muito além dos gramas informados no rótulo: como fazer com que alimentos com atributos nutricionais relevantes também sejam produtos que as pessoas tenham vontade de consumir?
O futuro da categoria pode depender tanto da composição quanto da resposta a essa pergunta.
Quer continuar por dentro do que realmente está apostando no bem-estar?
A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor.
Inscreva-se em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/