A Garmin acaba de mostrar que o pulso ainda é um dos territórios mais lucrativos do bem-estar. A receita da área de fitness subiu 16% no terceiro trimestre e chegou a US$ 694 milhões. O lucro operacional do segmento foi de US$ 231 milhões, com margem de 33%. Fitness já responde por 35% de tudo o que a empresa fatura.
Cirqa, a pulseira que desafia a lógica da assinatura
O destaque do trimestre tem nome. A Cirqa, pulseira sem tela de US$ 199,99 lançada em julho, mede saúde, recuperação e treino. As funções básicas não exigem assinatura. Já os recursos avançados de inteligência artificial ficam no plano pago Connect+.
A Garmin não abriu os números de vendas da Cirqa, mas a pulseira esgotou logo após o lançamento. Na teleconferência com investidores, o CEO Cliff Pemble afirmou que a demanda inicial foi muito forte e que a empresa ainda corre atrás para atender os pedidos.
Pagar uma vez ou pagar todo mês?
A concorrente direta da Cirqa é a Whoop, que funciona com assinatura mensal. E aqui está o centro da disputa. A Garmin aposta num modelo híbrido, em que você compra o aparelho e decide se quer pagar pelo extra. A Whoop aposta na recorrência desde o primeiro dia. Para o consumidor, é a diferença entre um produto e um serviço. Para as empresas, é a diferença entre receita pontual e receita previsível.
A Garmin também não está parada no software. Em julho, comprou as plataformas de treino TrainingPeaks e TrainHeroic, referências em planejamento de endurance e de força para atletas e treinadores. Com isso, a empresa deixa de apenas registrar o treino e passa a participar de como ele é planejado e acompanhado. É o ecossistema ganhando camadas.
Recorde no caixa, cautela no mercado
A receita total da companhia foi recorde, de US$ 1,99 bilhão, alta de 12% em relação ao mesmo período do ano passado. A previsão para 2026 subiu para US$ 8,15 bilhões. Mesmo assim, as ações caíram cerca de 6% após o resultado. Parte da margem do trimestre veio de fatores pontuais, como US$ 33 milhões em reembolsos de tarifas, e investidores temem pressão nas margens nos próximos trimestres.
A briga dos wearables deixou de ser só sobre sensor e bateria. O jogo agora é de modelo de negócio, e quem acertar a fórmula entre hardware, dados e assinatura vai definir como o mundo paga para cuidar da própria saúde.
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