Correr está na moda.
Treinar certo, nem tanto.
É exatamente nessa lacuna que a Kasi quer entrar.
A empresa acaba de lançar o AI Run Coach, um aplicativo que fornece orientação em tempo real durante o treino, usando dados como ritmo, frequência cardíaca e desempenho para corrigir o corredor enquanto ele corre — não depois.
O timing não é aleatório.
Segundo o relatório Year in Sport 2025, da Strava, a corrida vive um boom puxado pela Geração Z:
+28% nos 5K,
+39% nos 10K,
+31% nas meias maratonas
e +33% nas maratonas em relação ao ano anterior.
Mas existe um problema silencioso por trás desses números.
Inscrição não é compromisso.
E volume não é qualidade.
Onde a maioria dos corredores erra
A maior parte dos corredores — iniciantes ou experientes — até segue um plano.
O erro acontece na execução.
Ritmo errado.
Intensidade exagerada.
Treino feito “no feeling”.
O resultado aparece semanas depois: estagnação, fadiga ou lesão.
É esse padrão que os treinadores de corrida por IA tentam quebrar.
E a Kasi aposta em um diferencial claro: feedback ao vivo, no momento em que o erro acontece.
Um coach no ouvido, durante o esforço
O funcionamento começa simples.
O usuário informa um tempo recente em alguma distância — 5 km, 10 km ou meia maratona.
A partir disso, o app calcula os ritmos ideais para cada tipo de sessão:
- corridas leves
- treinos de limiar de lactato
- intervalados
- treinos de velocidade
A diferença aparece durante o treino.
Com o celular ou relógio conectado, o AI Run Coach fala pelos fones. Ele avisa se o ritmo está acima do ideal, se a frequência cardíaca saiu do alvo ou se é hora de desacelerar.
Se o corredor começa um intervalado rápido demais, o app pode até pedir para parar e recomeçar.
E mais importante: explica por que aquele treino existe e por que exagerar compromete o resultado.
Em outras palavras:
o erro é corrigido no momento em que acontece, não dias depois.
Por que isso muda o jogo
Segundo o fundador e CEO da Kasi, Dr. Jason Karp, o problema do treino online tradicional é ser passivo demais.
O treinador envia o plano.
O atleta executa sozinho.
O feedback vem depois — quando já é tarde.
“Ensinar durante o treino é muito mais eficaz do que corrigir depois”, resume.
A tese é clara:
o melhor momento para aprender é enquanto o corpo está em esforço.
IA, mas sem excluir o treinador humano
Apesar do nome, a Kasi não quer ser apenas “IA contra gente”.
A plataforma também permite que treinadores reais acompanhem o treino em tempo real, recebam os dados do atleta e se comuniquem com ele durante a sessão.
Na prática, o app vira uma infraestrutura para que coaches consigam escalar acompanhamento de qualidade, mesmo à distância.
Essa abordagem coloca a Kasi diretamente no radar de plataformas já consolidadas, como a Runna, hoje uma das líderes em planos digitais de corrida.
A aposta de Karp é que a combinação entre experiência prática de treino e feedback ao vivo cria uma camada que os planos tradicionais ainda não entregam.
Compatibilidade e próximos passos
No lançamento, o aplicativo funciona com iPhone e Apple Watch.
A empresa já sinalizou que pretende integrar outros relógios amplamente usados por corredores, como os da Garmin.
O que isso diz sobre o futuro da corrida
A corrida está entrando na mesma fase que outras áreas da saúde já viveram.
Menos motivação genérica.
Mais execução guiada por dados.
Em tempo real.
O próximo salto não é correr mais.
É correr certo, enquanto ainda dá tempo de corrigir.
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