24 - 26 de Abril

Expo Center Norte - SP

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A estética exagerada está em queda? O que está mudando no comportamento das pacientes

Nos últimos anos, comecei a notar algo diferente nas minhas consultas. As pacientes chegam com um pedido que, por muito tempo, foi raro: quero parecer descansada, não quero que apareça que fiz alguma coisa.

Isso não é pouca coisa. Representa uma virada real no que as pessoas estão buscando da estética.

Por muito tempo, o padrão de beleza que chegava nos consultórios era outro. Lábios muito cheios, bochechas volumosas, sobrancelha elevada demais. O procedimento precisava aparecer, de alguma forma, para provar que tinha sido feito. A estética funcionava quase como um status. Havia uma lógica de que mais era mais.

Esse ciclo está se encerrando.

O que mudou

Não foi uma campanha de conscientização. Foi algo mais orgânico: o cansaço visual de ver rostos que perderam identidade. As redes sociais, que durante anos amplificaram o exagero, começaram a mostrar também o outro lado. Pacientes chegaram exauridas de filtros, de antes e depois que pareciam transformações em outra pessoa, de rostos que se repetiam sem traço individual.

E aí vieram perguntar o que eu penso. O que eu recomendo. Se dá pra desfazer. Essa conversa, que antes era rara, virou rotina no meu consultório.

O pedido hoje é mais sofisticado, e ao mesmo tempo, mais simples: restaurar o que o tempo levou, sem adicionar o que não existia antes. Tratar a flacidez sem inflar. Melhorar o contorno sem apagar o rosto que a pessoa tem.

É uma demanda muito mais técnica do que parece. Exige avaliação cuidadosa, conhecimento anatômico aprofundado e, principalmente, a capacidade de dizer não quando o que a paciente quer não vai servir ao resultado que ela deseja.

Eu trabalho com bioestimuladores, com a técnica V-Lift e com laser há décadas. O que vejo é que a tecnologia evoluiu exatamente na direção que essa nova paciente precisa: menos volume, mais sustentação, resultados que respeitam a estrutura facial de cada uma.

O que não mudou

O desejo de cuidar da aparência não foi embora. Ele amadureceu. A paciente de hoje não quer abrir mão de se sentir bem com o que vê no espelho. Ela só ficou mais criteriosa com o caminho.

E honestamente, isso facilita o meu trabalho. Quando a paciente chega querendo um resultado natural, é mais fácil construir um plano honesto, com expectativas realistas e com procedimentos que de fato sustentam a estrutura facial ao longo do tempo, em vez de apenas preencherem.

A estética exagerada não acabou. Mas ela perdeu prestígio. E isso, para quem trabalha com seriedade nessa área, é muito bem-vindo.


Dra. Cláudia Kalil é dermatologista com 35 anos de experiência, embaixadora da técnica V-Lift e referência em tratamento de flacidez e rejuvenescimento facial em Cuiabá/MT.