Um número que deveria estar em manchete. E o que eu aprendi quando precisei encontrar as respostas por conta própria.
| 35M brasileiras entre o climatério e a menopausa | 20% fazem reposição hormonal — 1 em cada 5 | 48 anos: idade média da menopausa no Brasil |
Quando decidi me especializar em menopausa, não foi por acaso. Foi por necessidade primeiro a minha, depois a de cada mulher que chegava até mim com sintomas que tinham sido ignorados, minimizados ou tratados como “coisa da cabeça”. Essa experiência moldou minha forma de atuar e me deu uma clareza que nenhum livro fornece sozinho: o sistema não está preparado para essa fase da vida feminina.
Os dados da FEBRASGO confirmam o que vemos na prática. São 35 milhões de mulheres brasileiras entre o climatério e a menopausa — se formos comparar, toda a população do estado de São Paulo é equivalente a 46 milhões de pessoas. Desse universo, apenas 20% fazem algum tipo de terapia de reposição hormonal. Quatro em cada cinco mulheres atravessam essa fase sem suporte clínico efetivo.
Não é, na maioria das vezes, uma questão de escolha consciente. É falta de informação, de acesso e de uma rede de saúde que ainda não sabe acolher esse momento.
E o silêncio tem custo. A deficiência de estrógeno está associada ao dobro do risco de infarto e AVC. Mulheres sem acompanhamento especializado têm maior incidência de osteoporose, diabetes tipo 2 e depressão. Não são coincidências — são consequências diretas de uma fase que continua sendo tratada como evento natural que “passa sozinho”.
Como nutricionista, vejo diariamente como a alimentação, o sono, a composição corporal e o estado inflamatório se transformam nesse período. E vejo também como uma abordagem multiprofissional — com suporte hormonal quando indicado, com nutrição adequada, com escuta real — muda completamente a trajetória de uma mulher. Não é sobre eliminar a menopausa. É sobre atravessá-la com saúde, clareza e autonomia.
Existem diversos movimentos legislativos sendo pautados mas as conversas precisam avançar mais e mais. Uma lei não substitui o que cada mulher precisa encontrar agora: informação de qualidade, profissionais preparados e a certeza de que seus sintomas são reais e merecem atenção. Minha especialização nasceu da convicção de que essa conversa precisa existir — dentro e fora dos consultórios.
Segundo a FEBRASGO, mulheres que fazem terapia hormonal adequada apresentam redução de risco de AVC, menor mortalidade geral, menos fraturas ósseas e até 26% menos risco de desenvolver diabetes tipo 2. Os números existem. O caminho existe. O que falta — ainda — é que mais mulheres saibam que podem acessá-lo.
Nota editorial: Os dados citados são de fontes públicas e científicas verificadas. Este artigo tem finalidade informativa e não substitui consulta médica especializada.
Fontes: FEBRASGO
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