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Apple estuda pulseira sem tela e mira direto no território do Whoop

A empresa que construiu um império vendendo telas está considerando lançar um wearable sem nenhuma. Segundo Mark Gurman, da Bloomberg, o time de design industrial da Apple passou cerca de um ano explorando uma revisão ampla da linha de relógios, e uma das direções em cima da mesa é um dispositivo de pulso sem display, para competir de frente com o Whoop Band 5 e o Fitbit Air. Nada está fechado. Mas a simples existência dessa conversa dentro da Apple diz muito sobre para onde o mercado de monitoramento de saúde está indo.

Por que tirar a tela é uma decisão estratégica

Rastreadores sem display cresceram porque resolvem três problemas que o smartwatch criou. Bateria que dura semanas em vez de um dia, peso menor no pulso durante o sono e treino, e ausência de notificação piscando o tempo todo. Quem usa Whoop ou Oura não quer outra tela na vida. Quer coleta contínua de dado sem ser interrompido.

A Garmin já leu esse cenário e lançou a CIRQA, sua primeira pulseira sem tela, por 199,99 dólares e com até 10 dias de bateria. O movimento tira o rastreamento do território do relógio esportivo e coloca em algo feito para uso ininterrupto. Sem display, o hardware para de ser interface e vira sensor puro. E aí o valor migra inteiro para o software.

O produto de verdade é o dado

É exatamente aí que a lógica fecha para a Apple. Gurman aponta que a empresa quer amarrar os próximos wearables a inteligência artificial e prepara uma reformulação ambiciosa do app Saúde. Um dispositivo sem tela é o coletor ideal para esse plano, porque libera a empresa de disputar experiência visual e concentra a briga em personalização, leitura de recuperação e recomendação inteligente.

Vale um detalhe revelador. O próprio Eddy Cue, executivo que supervisiona a área de saúde da Apple, usa produtos do Whoop e da Oura. Quando a liderança de uma área usa a solução do concorrente, o recado interno é bem direto.

Um segmento que precisa de virada de chave

A divisão de Wearables, Home e Accessories da Apple vem patinando em crescimento nos últimos anos, e a linha do Watch acumula mais de uma década de atualizações incrementais. Gurman chega a comparar a transformação que se desenha para o produto com a passagem do iPhone tradicional para o formato dobrável.

Além do conceito sem tela, a empresa avaliou relógios redondos, embora essa opção seja considerada improvável, além de novos tamanhos, tipos diferentes de display, modelos mais baratos que o Watch SE e modelos mais caros que o Ultra. É um leque aberto, o que normalmente significa que a régua atual deixou de responder.

O wearable do futuro é menos objeto de pulso e mais camada invisível de dado. Se até a Apple está disposta a abrir mão da tela, o jogo da saúde conectada já não se ganha pelo que o usuário enxerga, e sim pelo que o sistema entende sobre ele.

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