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Anvisa aprova 12 canetas novas para emagrecer e controlar diabetes em 2026

A velha lógica de um único dono do mercado de emagrecimento está com os dias contados no Brasil. A Anvisa aprovou em 2026 doze novas canetas injetáveis para diabetes tipo 2 e obesidade, sendo dez à base de semaglutida e duas de liraglutida. O gatilho foi a queda da exclusividade da semaglutida em 20 de março, que abriu a porteira para genéricos e similares de outras farmacêuticas entrarem em um território que a Novo Nordisk dominava sozinha.

A corrida começou no dia seguinte à queda da patente

O primeiro a cruzar a linha foi o Ozivy, da EMS, aprovado em 26 de maio e incorporado à Lista de Medicamentos de Referência da Anvisa em 10 de julho. Em 29 de julho vieram cinco registros de uma vez, com Semavy, Owozy, Zempneo, Seemasun e Orsema. Agosto trouxe mais quatro, incluindo Semaclique e Yluméc. Em setembro, a agência aprovou dois genéricos de liraglutida produzidos pela EMS.

O mercado já vinha se mexendo antes disso. Desde outubro de 2025, a Eurofarma comercializa o Extensior e o Poviztra, em parceria com a própria Novo Nordisk, produtos idênticos ao Ozempic e ao Wegovy. Ou seja, a fila de concorrentes começou a se formar antes mesmo da largada oficial.

O que a concorrência faz com o preço

O Ozempic custa entre R$ 975, nas apresentações de 0,25 mg e 0,5 mg pelo programa Preço NovoDia no comércio eletrônico, e R$ 999 na versão de 1 mg. O Ozivy chegou às farmácias anunciado entre R$ 452 e R$ 498 por caneta. Como a legislação exige que genérico custe no mínimo 35% menos que o medicamento de referência, a estimativa para os próximos lançamentos fica na faixa de R$ 293 a R$ 323.

Uma queda dessa magnitude não é apenas alívio no bolso, é mudança de perfil de consumidor. O tratamento que era acessível a uma faixa estreita de renda passa a alcançar um público muito maior, e isso reorganiza tudo que orbita em volta, de clínicas de emagrecimento a planos de saúde, academias, nutrição e acompanhamento de longo prazo. Vale lembrar que os medicamentos aprovados ainda precisam ter preço definido pela CMED antes de chegarem às prateleiras.

Barateamento não é sinônimo de escolha certa

Aqui mora o alerta que o mercado não pode ignorar. A endocrinologista Bruna Marinho aponta que os produtos não são automaticamente intercambiáveis. A decisão depende do diagnóstico, da necessidade real de perda de peso, de outras doenças do paciente, dos estudos disponíveis para cada produto e da tolerância a efeitos colaterais como náusea e constipação.

E existe o fator tempo. Obesidade e diabetes são doenças crônicas, o que significa medicação contínua por meses ou anos. A conta que interessa não é o preço de uma caneta, é a capacidade de sustentar o tratamento com acompanhamento médico ao longo de todo esse período. Escolher pela prateleira mais barata sem avaliação clínica é trocar um problema por outro.

É a prova de que a democratização do acesso e o cuidado responsável precisam andar juntos. O mercado de longevidade que se consolida agora no Brasil não será definido por quem vende a caneta mais barata, e sim por quem constrói a jornada completa em volta dela, com diagnóstico, acompanhamento e suporte para o paciente chegar do outro lado.

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