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O erro nº 1 depois de uma lesão: voltar rápido demais.

Depois de uma lesão, existe uma vontade quase universal: voltar à rotina o mais rápido possível.

O problema é que sentir menos dor não significa, necessariamente, estar pronto para voltar ao esporte. A redução dos sintomas é apenas uma parte do processo. Tecidos precisam recuperar capacidade de suportar carga, força e controle motor precisam ser reconstruídos e o corpo precisa estar preparado novamente para as demandas específicas daquela atividade.

É aí que acontece um dos erros mais comuns da recuperação: confundir melhora com recuperação completa.

Voltar não é simplesmente parar de sentir dor

Uma pessoa pode caminhar sem dor e ainda não estar preparada para correr.

Pode correr sem dor e ainda não estar pronta para acelerar, saltar ou mudar de direção.

Pode voltar aos treinos e, mesmo assim, ainda apresentar déficits de força, mobilidade, controle neuromuscular ou capacidade de absorver carga.

Por isso, o retorno ao esporte deve ser encarado como um processo progressivo, e não como uma data marcada no calendário.

O corpo precisa recuperar capacidade

Durante a reabilitação, o objetivo não deve ser apenas “tirar a dor”.

É necessário recuperar progressivamente:

• força

• mobilidade;

• estabilidade e controle motor;

• capacidade de absorção e produção de força;

• resistência à carga;

• confiança no movimento;

• e, principalmente, a capacidade específica exigida pelo esporte ou atividade.

Uma corrida leve, por exemplo, representa uma demanda completamente diferente de um sprint, uma mudança brusca de direção ou um salto.

O retorno precisa acompanhar essa progressão.

A pressa pode custar mais tempo.

Quando a carga é aumentada antes que o corpo esteja preparado, aumentam as chances de uma resposta negativa: aumento da dor, irritação do tecido, queda de desempenho ou até uma nova lesão.

Isso não significa que devemos ter medo de colocar carga durante a recuperação.

Pelo contrário. Carga bem dosada faz parte da recuperação.

Aquela balança de capacidade x demanda, deve estar ajustada. 

Se você tem uma demanda, sem a capacidade ideal para ela. Não tem outra escapatória: dor/lesão.

O verdadeiro objetivo da reabilitação não deveria ser simplesmente retornar ao nível pré-lesão.

O ideal é construir novamente a capacidade física necessária para que a pessoa possa treinar, competir e viver com segurança e confiança.

Por isso, antes de perguntar:

“Quando posso voltar?”

Talvez a pergunta mais importante seja:

“Meu corpo está preparado para a demanda que quero colocar sobre ele?”

Essa mudança de perspectiva transforma o retorno de uma decisão baseada apenas em tempo para uma decisão baseada em capacidade.

E, muitas vezes, é justamente isso que permite voltar mais rápido — sem precisar voltar duas vezes.

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