Estamos vivendo uma pandemia de TDAH ou apenas fugindo do desconforto de existir?

Nos últimos anos, o TDAH virou assunto de timeline. Cresce o número de adultos que chegam ao consultório com uma suspeita já formada, muitas vezes alimentada por um vídeo de dois minutos nas redes sociais. E, junto com esse movimento, cresce também uma pergunta que precisa ser feita: estamos diante de uma epidemia real ou de uma epidemia de diagnósticos? Antes de qualquer coisa, preciso ser honesta, o TDAH existe, é uma condição do neurodesenvolvimento com base científica sólida, e durante décadas foi subdiagnosticado, especialmente em mulheres e adultos. Há pessoas que chegam aos 40 anos carregando uma história de fracasso escolar, relacionamentos difíceis e sensação constante de não se encaixar, sem nunca terem recebido um diagnóstico adequado. Para essas pessoas, o diagnóstico muda de vida. Mas isso não é o que está acontecendo com todo mundo que hoje se identifica com o transtorno. O problema do diagnóstico por identificação Desatenção, impulsividade, dificuldade de organização e procrastinação são sintomas do TDAH. São também sintomas de privação de sono, de estresse crônico, de ansiedade, de disbiose intestinal, de desequilíbrio hormonal, de excesso de tela e de uma vida que exige atenção simultânea em 15 direções ao mesmo tempo. Quando o algoritmo mostra um vídeo dizendo que tudo isso é TDAH, e a pessoa se reconhece, o autodiagnóstico acontece antes de qualquer avaliação clínica. O diagnóstico de TDAH é clínico, longitudinal e contextual. Ele exige que os sintomas estejam presentes desde a infância, que apareçam em mais de um ambiente da vida da pessoa, e que causem prejuízo funcional real. Não é uma checklist de comportamentos que qualquer um de nós poderia marcar em uma segunda-feira de muito trabalho. O que o nosso cérebro está tentando dizer Na medicina preventiva, eu aprendi a respeitar os sintomas como mensageiros. Um cérebro que não consegue se concentrar está dizendo algo. Mas antes de concluir que ele tem um transtorno estrutural, preciso perguntar: esse cérebro dorme bem? Está sob cortisol elevado há meses? Recebe a nutrição adequada? Tem algum desequilíbrio hormonal que interfere na função cognitiva? Em muitos casos que chegam até mim com suspeita de TDAH, o que encontramos é um sistema nervoso em colapso por fatores tratáveis. Isso não invalida o transtorno, invalida o atalho. O risco do rótulo fácil Quando transformamos desconforto em diagnóstico sem rigor, perdemos duas vezes. Primeiro, porque deixamos de investigar o que realmente está acontecendo com aquela pessoa. Segundo, porque esvaziamos o significado de um transtorno real para quem genuinamente o tem e precisa de suporte. Viver em 2026 é cognitivamente exaustivo. Somos bombardeados por estímulos, dormimos mal, comemos de forma inflamatória e vivemos sob pressão constante. Talvez o que esteja em pandemia não seja o TDAH. Seja a incapacidade coletiva de tolerar o tédio, a lentidão e o esforço que a atenção genuína exige. Isso merece cuidado. Mas merece, antes de tudo, uma boa avaliação. Dra. Maryna Landim Borges Medicina Preventiva e Estilo de Vida | Longevidade e Saúde Hormonal Feminina CRM CE: 16.304 | CRM SP: 152.889 | RQE: 9839 Quer continuar por dentro do que realmente está apostando no bem-estar? A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor. Inscreva-se em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/
A medicina tradicional ainda ignora o estilo de vida?

Eu atendo muitas mulheres exaustas. Elas chegam ao consultório com uma lista de remédios. Um para dormir. Um para acordar. Um para a dor de estômago. Um para a dor de cabeça. Elas tratam várias queixas diferentes, mas elas não têm saúde. A medicina tradicional é fundamental. Ela salva vidas em emergências, ela trata infecções e faz cirurgias complexas. Mas ela tem uma falha grave no cuidado do dia a dia: foca na doença e esquece quem carrega a doença. Ela silencia o sintoma sem investigar a causa real. Você vai ao médico com cansaço extremo e ansiedade. Os exames básicos mostram os números dentro da referência. O profissional diz que é apenas estresse. Ele prescreve um calmante e você volta para casa. Ninguém perguntou sobre a qualidade do seu sono, avaliou a sua digestão, a sua alimentação ou o seu nível de atividade física. A sua base hormonal foi ignorada. Isso acontece porque a formação médica tradicional não foca no estilo de vida. O foco principal ainda é prescrever o remédio exato para a queixa exata. A Medicina do Estilo de Vida caminha em outra direção. O corpo humano não é um conjunto de peças separadas, ele é um sistema integrado. O que você come afeta a inflamação do seu cérebro. A qualidade do seu sono decide como os seus hormônios vão funcionar no dia seguinte. O seu nível de estresse altera a sua imunidade e trava o seu metabolismo. Tratar o sintoma sem ajustar a rotina não resolve o problema, apenas mascara o desconforto por um tempo. O seu organismo precisa de harmonia para funcionar bem, ele precisa de nutrientes reais, exige movimento físico frequente para manter a massa muscular. Ele pede um sono reparador no escuro total, ele necessita de contato com a luz natural pela manhã para regular o ritmo biológico. Esses pilares são o verdadeiro tratamento. As medicações são ferramentas importantes e necessárias em muitos momentos, mas que funcionam de forma muito mais eficiente quando o seu terreno biológico está desinflamado e bem cuidado. Ignorar o estilo de vida é aceitar um envelhecimento com dor, dependência e limitação. Você não precisa se conformar com isso. A saúde real é construída nas decisões que você toma todos os dias. O seu corpo é o único lugar onde você vai viver a vida inteira. E ele merece ser ouvido e cuidado com atenção. Dra. Maryna Landim Borges Medicina do Estilo de Vida CRM CE: 16.304 | CRM SP: 152.889 | RQE: 9839
Menopausa não é adeus: é um pedido de cuidado

Existe um momento em que a mulher se olha no espelho e sente uma saudade de quem ela era. A menopausa, muitas vezes, é sentida como um adeus. Mas não deveria ser. Nos consultórios, uma frase aparece com frequência — e quase sempre vem baixa, como quem pede desculpas por sentir: “Dra., eu não me reconheço mais.” O corpo muda, a mente parece nublar e o choro vem fácil. Muitas mulheres acham que estão enlouquecendo. Para ela, a sensação de “estar falhando” não é a história real. “Você não está falhando. O seu corpo está apenas pedindo colo.” A médica reforça que os sintomas não são um castigo: são um pedido de adaptação a um novo mundo, agora sem a proteção hormonal de antes. Ela traduz isso com uma metáfora simples: o hormônio é a visita ilustre, mas o seu corpo é a casa. Se a casa estiver bagunçada, inflamada e sem dormir, a visita chega e não consegue ficar. É preciso arrumar a casa para o tratamento funcionar. Por isso, quando a médica pede para você dormir mais ou comer comida de verdade, não é “mais uma tarefa” na lista. É para desinflamar a vida. Um corpo que descansa e se nutre volta a aceitar o próprio corpo. E volta a florescer. E sobre os exercícios de força, a Dra. Maryna é categórica: “Não é por estética.” É para você carregar suas sacolas, brincar com seus netos e viajar o mundo. Ficar forte, nesse contexto, vira um ato de amor-próprio e independência. O maior conselho dela é não aceitar o “é normal da idade”. Comum? Sim. Normal? Jamais. A maturidade pode ser a fase mais plena da vida, unindo sabedoria com a vitalidade que é possível resgatar. No fim, a mensagem é direta: seu corpo te serviu tão bem por décadas. Ele gestou, trabalhou, cuidou de todo mundo. Agora, é a vez dele ser cuidado por você. Dê a mão para a sua biologia e entenda: vai ficar tudo bem. E, acredite, fica. 📩 Jornal FitFeed Para acompanhar o mundo de saúde e bem-estar pelo nosso jornal 🧬 👉 Inscreva-se aqui