24 - 26 de Abril

Expo Center Norte - SP

A Ulta está deixando um recado claro: “beleza” virou só a porta de entrada.

A Ulta Beauty está dando um passo claro para além da maquiagem e do skincare. A varejista americana iniciou um piloto que reposiciona suas lojas como espaços de bem-estar, misturando produto, experiência e orientação. O projeto se chama Wellness by Ulta Beauty e funciona como um shop-in-shop mais experiencial, que expande o antigo Wellness Shop. A proposta é borrar de vez a fronteira entre beleza e autocuidado, tratando wellness como parte central da jornada do consumidor. O que está acontecendo, na prática O piloto começa em quatro cidades dos Estados Unidos, incluindo Columbus (Ohio), Richmond/Short Pump (Virgínia), Salem/Peabody (Massachusetts) e, nos próximos meses, Naperville (Illinois). Nessas lojas, a Ulta amplia o espaço dedicado a wellness, adiciona mesas interativas para descoberta e passa a contar com wellness educators, profissionais treinados para orientar o cliente em categorias que vão além do “uso estético” tradicional. A ideia é simples: menos compra por impulso, mais compra guiada. O movimento já vinha sendo preparado Esse reposicionamento não surgiu do nada. Em agosto, a Ulta já havia ampliado suas áreas de wellness em cerca de um terço das lojas, trazendo marcas como ARMRA, Therabody, Ritual, Bloom Nutrition e Nutrafol. Agora, o sortimento ganha novas camadas com a entrada de Stripes, marca de cuidado para menopausa criada por Naomi Watts, Playground, de Christina Aguilera, e da The Nue Co., que conecta fragrância e bem-estar. O recado é claro: wellness deixou de ser um “extra” e passou a ser um eixo estratégico. Um contraste com o resto do mercado Enquanto alguns varejistas ajustaram ou reduziram discretamente seus assortments de wellness, a Ulta está indo na direção oposta. A CEO Kecia Steelman já descreveu o segmento como um potencial negócio bilionário, leitura que também aparece em players como a Target. Além da loja física, a empresa segue testando marcas e subcategorias no UB Marketplace, sua plataforma digital de descoberta. A lógica é experimentar no online antes de decidir o que merece espaço permanente na prateleira. O que isso sinaliza Mais do que lançar novas marcas, a Ulta está testando um novo papel para o varejo. A loja deixa de ser apenas um ponto de venda e passa a funcionar como um ambiente de descoberta e orientação de hábitos. Beleza e wellness estão virando a mesma cesta.Produto e educação começam a dividir o mesmo espaço. A pergunta que fica é direta: o varejo está apenas mudando a forma de expor produtos ou está assumindo, pouco a pouco, o papel de curador do autocuidado cotidiano? 📩 Jornal FitFeed Para acompanhar o mundo de saúde e bem-estar pelo nosso jornal 🧬 👉 Inscreva-se aqui

O cérebro usa o amiloide como ferramenta, desde que exista controle

Durante décadas, o amiloide foi tratado como o grande vilão do cérebro. Um erro biológico. Algo que precisaria ser eliminado a qualquer custo. Alzheimer, Parkinson, Huntington. A lógica era simples: quando ele aparece, algo deu errado. Um novo estudo do Stowers Institute for Medical Research, publicado na PNAS, desmonta essa ideia. E se o amiloide, em alguns contextos, não fosse um erro?E se fosse um recurso? A pesquisa, liderada pelo neurocientista Kausik Si, mostra que o cérebro pode usar estruturas amiloides de forma intencional para sustentar memórias de longo prazo. O ponto central não é o amiloide em si, mas a existência de um sistema que mantém esse processo sob controle. Memória não é só acúmulo. É escolha. Todo mundo já viveu isso. Algumas memórias desaparecem rápido. Outras parecem ganhar espaço permanente. O estudo ajuda a explicar essa diferença. O foco dos pesquisadores foi a proteína Orb2, já conhecida por formar estruturas amiloides necessárias para a consolidação da memória em moscas-da-fruta. A pergunta sempre foi direta: se amiloides podem ser perigosos, como o cérebro impede que esse mecanismo vire problema? A resposta tem nome: Funes. Funes, a proteína que organiza o risco Funes é uma proteína do tipo J-domain chaperone. Em vez de bloquear a formação do amiloide, ela orienta o processo. Nos experimentos, Funes interage com formas intermediárias da Orb2 e direciona sua conversão para um estado amiloide estável, funcional e ligado à memória. Não é contenção. É coordenação. Os autores chamam isso de amiloidogênese fisiológica. O uso controlado de uma estrutura biologicamente arriscada para um fim construtivo. Em outras palavras, o cérebro não está lutando contra o amiloide o tempo todo. Em momentos específicos, ele depende dele. Sem controle, a memória não se sustenta Para ligar molécula e comportamento, os pesquisadores treinaram moscas-da-fruta a associar um odor desagradável a uma recompensa de açúcar. Quando a função de Funes foi reduzida, a memória de longo prazo enfraqueceu. Quando a proteína foi restaurada, a capacidade de lembrar voltou. Funes não é acessório. Ela faz parte do mecanismo que transforma experiência em memória durável. O problema nunca foi só o amiloide Usando cryo-EM, os autores analisaram a estrutura do amiloide formado pela Orb2 e mostraram que ele é compatível com um amiloide endógeno, diferente das fibrilas associadas à neurodegeneração. Isso reforça a tese central: o problema não é apenas a presença do amiloide, mas o contexto em que ele se forma. Qual estrutura.Em que momento.Sob qual nível de controle. A diferença entre memória e neurodegeneração pode não ser química. Pode ser organizacional. O que isso muda para longevidade cognitiva Na lente da longevidade, o estudo levanta uma hipótese desconfortável. Talvez o declínio cognitivo não seja apenas resultado do acúmulo de danos, mas da perda gradual dos sistemas que mantêm processos perigosos sob controle. Com o envelhecimento, chaperones tendem a perder eficiência. Ao mesmo tempo, proteínas instáveis se tornam mais comuns. O resultado não é apenas mais erro, mas menos capacidade de usar mecanismos complexos com precisão. Se processos semelhantes existirem em vertebrados, o futuro das intervenções cognitivas pode ir além de “limpar o cérebro”. Pode passar por restaurar a capacidade de coordenação. Menos remoção.Mais regulação. Controle também envelhece O estudo ainda aponta conexões genéticas inesperadas com transtornos psiquiátricos, sugerindo que chaperones podem influenciar não apenas memória, mas percepção e interpretação da realidade. No fim, a história é simples e profunda. O cérebro não falha só quando acumula problemas.Ele falha quando perde a capacidade de manter sistemas complexos sob controle. Talvez envelhecer não seja apenas acumular dano, mas perder o maestro que mantém a orquestra tocando no tempo certo. E isso muda completamente a conversa sobre memória, cérebro e longevidade. 📩 Jornal FitFeed Para acompanhar o mundo de saúde e bem-estar pelo nosso jornal 🧬 👉 Inscreva-se aqui

Caminhar faz mesmo o cérebro crescer?

Sim.E a ciência já mostrou que o oposto também é verdadeiro: o sedentarismo encolhe. Um estudo publicado em 2021 analisou o impacto da atividade física na massa branca cerebral, a estrutura responsável por conectar neurônios e sustentar funções como memória, foco e velocidade de raciocínio. É, literalmente, a infraestrutura do cérebro. O que o estudo observou Cerca de 250 adultos mais velhos e sedentários foram acompanhados por seis meses. Parte deles passou a caminhar três vezes por semana. Outros fizeram alongamento, exercícios de equilíbrio ou aulas de dança. O resultado foi claro:quem caminhou regularmente apresentou melhora da aptidão física e da integridade da massa branca, com fibras nervosas mais preservadas e menos sinais de lesão cerebral. Já os grupos sem estímulo aeróbico consistente mostraram afinamento da massa branca e piora em testes cognitivos. Por que caminhar afeta tanto o cérebro Caminhar ativa dois processos-chave:• Neurogênese, a formação de novas células nervosas• Neuroplasticidade, a capacidade do cérebro de criar e reorganizar conexões Na prática, isso significa um cérebro mais adaptável, com melhor memória, foco mais estável e maior resiliência ao envelhecimento. Não é sobre performance.É sobre manutenção estrutural. O custo silencioso de ficar parado Quando o corpo entra em modo sedentário, o cérebro acompanha. Menos estímulo aeróbico significa menos oxigenação, menos conexão neural e maior risco de declínio cognitivo ao longo do tempo. O corpo humano não foi projetado para a imobilidade prolongada.E o cérebro sente isso antes de qualquer outro sistema. Principal insight aplicável pra você Você não precisa de intensidade extrema para proteger o cérebro.40 minutos de caminhada, três vezes por semana, já foram suficientes para gerar mudanças mensuráveis na estrutura cerebral. Movimento simples.Impacto profundo. O cérebro cresce quando o corpo se move. 📩 Jornal FitFeed Para acompanhar o mundo de saúde e bem-estar pelo nosso jornal 🧬 👉 Inscreva-se aqui

O câncer de pele mais perigoso é o que parece inofensivo

Se parece micose, hematoma ou verruga, pode ser melanoma. O melanoma acral é um tipo raro de câncer de pele que surge nas palmas das mãos, plantas dos pés e embaixo das unhas. Ele não dói, não coça e não sangra nas fases iniciais. Justamente por isso, costuma passar despercebido — por pacientes e, muitas vezes, até por profissionais de saúde. Segundo o cirurgião oncológico Luiz Fernando Nunes, referência no estudo do melanoma acral, o maior perigo está no disfarce. Essas lesões frequentemente são confundidas com problemas benignos e acabam recebendo tratamento antes do diagnóstico correto. Por que esse melanoma engana tanto Diferente do melanoma mais conhecido, associado à exposição solar, o melanoma acral não tem relação clara com o sol. Ele aparece em regiões que não costumam entrar no radar de risco. Na prática, o erro se repete: Como geralmente não há dor ou incômodo, a suspeita de câncer simplesmente não surge. O erro mais grave: tratar antes de diagnosticar O alerta é direto: não trate sem biópsia. Procedimentos como cauterização podem até melhorar o aspecto externo da lesão.Por dentro, o tumor continua evoluindo. Além disso, esse tipo de intervenção destrói informações fundamentais para o prognóstico, como a profundidade do melanoma — dado essencial para definir tratamento, risco de metástase e acompanhamento. O que confirma o diagnóstico O diagnóstico correto exige três passos básicos: É nesse exame que se avalia o fator mais importante do melanoma: o quanto a lesão cresceu em profundidade, e não apenas o tamanho visível. Outros pontos decisivos incluem: Quanto mais cedo o diagnóstico, mais simples e eficaz é o tratamento. Tratamento evoluiu, prognóstico também Quando identificado precocemente, o melanoma acral pode ser tratado com cirurgia conservadora, preservando função e estética — inclusive em casos que antes exigiam amputação de dedos. Em estágios mais avançados, entram em cena imunoterapia, terapias-alvo, quimioterapia, radioterapia e, em situações específicas, cirurgia complementar. Fique atento a esses sinais Lesão simples só é simples depois da confirmação. 📩 Jornal FitFeed Para acompanhar o mundo de saúde e bem-estar pelo nosso jornal 🧬 👉 Inscreva-se aqui

Como Viver Até os 100? Victor Yoshida, VYX HealthTech e a construção da saúde antes da doença

No décimo primeiro episódio do Como Viver Até os 100?, Michel Cohen recebe o médico Victor Yoshida, fundador da VYX HealthTech. A conversa parte de uma provocação simples, mas pouco praticada: por que seguimos investindo tanto em tratar doenças e tão pouco em construir saúde? Ao longo do episódio, Victor desmonta promessas mágicas, explica por que viver até os 100 anos não é mais a grande questão e apresenta um novo foco para a medicina contemporânea: healthspan, a qualidade de vida ao longo do tempo. FICHA RÁPIDA DO EPISÓDIO Convidado: Victor YoshidaEmpresa: VYX HealthTechFunção: Médico e fundadorDuração: ~36 minutosTema central: Longevidade • Medicina preventiva • Rotina e sono Quem é o Victor, sem atalho Victor cresceu no interior de São Paulo, sempre com a sensação de estar alguns passos à frente do tempo. Foi esportista desde cedo, jogou tênis na infância e, ainda adolescente, tomou uma decisão rara: abandonar o caminho óbvio para estudar e projetar o longo prazo. Entrou muito jovem na faculdade de medicina e, ao longo da formação, teve contato com uma mentora que o expôs a diferentes especialidades e centros de excelência. Essa curiosidade o levou até Houston, no Texas, onde estagiou no maior centro oncológico do mundo, o MD Anderson. Foi ali que veio o estalo: a medicina que ele aprendia era brilhante para tratar doenças, mas pouco eficiente para evitá-las. Da medicina reativa à saúde construída Depois de anos atuando presencialmente em uma das principais clínicas de medicina de precisão de São Paulo, Victor decidiu sair para criar a VYX HealthTech. O objetivo é ambicioso: construir uma clínica digital focada em longevidade, com atendimento online, integrado e personalizado. A lógica muda completamente. Em vez de esperar sintomas, a proposta é identificar riscos antes que eles virem doença. Em vez de protocolos prontos, planos sob medida. Em vez de “não morrer”, viver bem. A rotina do Victor começa na noite anterior Um dos pontos mais fortes do episódio é a forma como Victor enxerga rotina. Para ele, o dia não começa ao acordar, mas ao dormir. Sono como pilar centralVictor prioriza higiene do sono a partir das 19h. Reduz telas, usa óculos de bloqueio de luz azul, janta cedo e mantém o quarto completamente escuro e fresco, entre 20 °C e 22 °C. Ele acorda, sempre que possível, sem despertador. O foco não é quantidade de horas, mas qualidade dos ciclos de sono. ManhãLuz solar logo ao acordar para reforçar o ritmo circadiano. Treino de força em jejum, aproveitando a energia da refeição do dia anterior. DiaAtendimentos, reuniões e organização do trabalho. Alimentação simples, com prioridade para proteína. Final de tardeAtividade aeróbica, tênis ou treino em zona 2. Sauna cerca de três vezes por semana. NoiteDesaceleração total para fechar o ciclo e preparar o próximo dia. 5 insights centrais do episódio 1) Viver até os 100 não é mais a pergunta certaSegundo Victor, a maioria das pessoas vai ultrapassar os 100 anos. A questão real é como chegar lá. 2) A medicina não ensina prevençãoNa formação médica tradicional, aprende-se a diagnosticar e tratar. Prevenir quase não entra no currículo. 3) Sintoma é fase tardiaQuando o corpo mostra sinais, o problema já vinha sendo construído há anos. 4) Wearables são software, não sensorO diferencial dos dispositivos não está no hardware, mas na leitura e interpretação dos dados. 5) Não existe protocolo mágicoQualquer promessa simples para uma resposta complexa é, quase sempre, mentira. Respostas rápidas que dão o tom do episódio Jejum: longevidadeCafé: não é para todo mundoÁlcool: não é para ninguémMelatonina: útil, mas frequentemente mal utilizadaGlúten: não é vilão absoluto, mas precisa ser entendidoAçúcar: a droga mais acessível e subestimada da atualidade Suplementos mais comuns, sem receita pronta Victor reforça que tudo na VYX é personalizado. Ainda assim, se tivesse que citar um “senso comum” para grande parte das pessoas: 3 Frases que valem o print “Se alguém te prometeu viver até os 100 com uma fórmula simples, está te enganando.” “A medicina não vai deixar você morrer. A pergunta é como você vai viver.” “Healthspan é sobre qualidade de vida, não sobre sobreviver.” A visão de futuro Victor acredita que estamos entrando em uma nova era da saúde. Não é uma briga entre medicina tradicional e preventiva. É uma integração. Tratar doenças continuará sendo essencial, mas construir saúde será o verdadeiro diferencial. No fim, o episódio deixa um convite direto: parar de adiar hábitos básicos e começar pequeno. Porque viver muito não será exceção. Viver bem, sim. REFERÊNCIAS CITADAS NO EPISÓDIO Livros• Outlive — Peter Attia Perfis e referências• Mark Hyman• Dave Asprey• Peter Attia• Andrew Huberman Plataformas• VYX HealthTech Onde assistir o Fit-Talk? O Como Viver Até os 100? vai ao ar toda segunda no Spotify e no YouTube da FitFeed, trazendo conversas diretas e práticas sobre rotinas inteligentes e os bastidores de quem vive o bem-estar na vida real. 📩 Jornal FitFeed Para acompanhar o mundo de saúde e bem-estar pelo nosso jornal 🧬 👉 Inscreva-se aqui

Regras para cantinas escolares estão associadas a menor consumo de ultraprocessados entre adolescentes, aponta estudo nacional

O que é vendido dentro das escolas importa — e influencia diretamente o que adolescentes comem. É isso que indica um novo estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de São Paulo e da Universidade Federal de Uberlândia, que analisou dados de mais de 81 mil adolescentes, entre 13 e 17 anos, matriculados em escolas públicas e privadas de todas as capitais brasileiras. A conclusão é clara: capitais que possuem normas para regular a venda de alimentos nas escolas apresentam menor consumo de ultraprocessados entre adolescentes quando comparadas àquelas sem esse tipo de regulamentação. Como o estudo foi feito A pesquisa utilizou dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) de 2019, levantamento conduzido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essas informações foram cruzadas com um mapeamento detalhado das leis, decretos, portarias e resoluções estaduais e municipais que, até aquele ano, regulavam a comercialização de alimentos e bebidas em escolas. De um lado, os pesquisadores identificaram quais capitais possuíam normas em vigor e a quem elas se aplicavam. De outro, analisaram tanto as respostas de diretores e responsáveis pelas escolas — indicando a existência de cantinas e os produtos oferecidos — quanto os relatos dos próprios estudantes sobre o que haviam consumido no dia anterior. O padrão observado A partir dessa combinação de dados, um padrão consistente emergiu. Adolescentes que estudavam em escolas cobertas por normas de regulação da venda de alimentos apresentaram menor consumo de ultraprocessados. Já entre aqueles que frequentavam escolas com cantinas que ofereciam maior variedade desses produtos, o consumo tendia a ser mais elevado. Essa associação permaneceu mesmo após ajustes estatísticos por fatores como idade, sexo, escolaridade da mãe, tipo de escola, renda familiar e região do país. Entre os alimentos classificados como ultraprocessados estão refrigerantes, sucos industrializados, salgadinhos de pacote, biscoitos recheados, doces, sorvetes, embutidos e macarrão instantâneo. O papel do ambiente escolar Segundo os autores, o ambiente escolar exerce um papel central na formação de hábitos alimentares, já que crianças e adolescentes passam grande parte do dia nesse espaço e repetem ali escolhas que tendem a se consolidar ao longo do tempo. “Uma das hipóteses é que, se o adolescente percebe que naquele ambiente onde passa muitas horas não há esse tipo de alimento, isso ajuda a formar hábitos alimentares melhores, que podem impactar o consumo até mesmo fora da escola”, afirma Laura Luciano Scaciota, pesquisadora da USP e primeira autora do artigo. O estudo também aponta que a simples presença de cantinas faz diferença. Entre escolas que possuem esse tipo de espaço, quanto maior a oferta de ultraprocessados, maior foi o consumo relatado pelos estudantes. Diferenças entre escolas públicas e privadas A análise evidencia ainda um contraste importante entre redes de ensino. Nas escolas públicas, o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) estabelece diretrizes que priorizam alimentos in natura ou minimamente processados, o que tende a limitar a presença de ultraprocessados no dia a dia dos alunos. Já nas escolas privadas, onde o programa não se aplica, a cantina costuma ter um papel mais central na alimentação, e a ausência de regras específicas amplia a oferta desses produtos. Desigualdade regional e impacto em saúde pública O estudo também revela diferenças regionais. Capitais do Sul, Sudeste e Centro-Oeste concentram a maior parte das normas que regulam a venda de alimentos nas escolas. No Norte e no Nordeste, ainda existem capitais sem qualquer regulamentação, cenário que pode aprofundar desigualdades no acesso a uma alimentação mais saudável. Esse dado preocupa especialistas porque o consumo elevado de ultraprocessados entre adolescentes já está associado, em estudos anteriores, a maior risco de obesidade, diabetes tipo 2 e outras doenças crônicas não transmissíveis. Para os pesquisadores, os resultados reforçam a necessidade de políticas públicas mais abrangentes. “Esse tipo de evidência é um incentivo para a criação de novas regulamentações. Existem exemplos que funcionam no país, como em Niterói e no estado do Ceará, mas defendemos uma lei nacional que possa inibir a comercialização e a publicidade de ultraprocessados nas escolas”, afirma Scaciota. No fim, o estudo aponta para um ponto-chave da discussão sobre saúde e prevenção: o ambiente molda o hábito. E, no caso da alimentação de adolescentes, o que está disponível na escola pode influenciar escolhas que se estendem para além dos portões. 📩 Jornal FitFeed Para acompanhar o mundo de saúde e bem-estar pelo nosso jornal 🧬 👉 Inscreva-se aqui

Governo lança rede de hospitais inteligentes no SUS com IA, telemedicina e UTIs conectada

O governo federal anunciou a criação da Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes do SUS, um dos projetos mais ambiciosos de digitalização já propostos para a saúde pública brasileira. O plano prevê R$ 4,8 bilhões em investimentos, com apoio do Novo Banco de Desenvolvimento (Banco do BRICS), para integrar inteligência artificial, telemedicina, automação, conectividade avançada e sistemas digitais ao atendimento do Sistema Único de Saúde. O objetivo declarado é usar tecnologia como infraestrutura para agilizar diagnósticos, apoiar decisões clínicas e reduzir filas, especialmente em cenários de urgência, emergência e alta complexidade. Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o projeto marca a “entrada definitiva do SUS na fronteira tecnológica”, com a promessa de que inovação de ponta não fique restrita ao setor privado. O que está previsto no projeto A estratégia se organiza em duas frentes principais. A primeira é a implantação de 14 Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) inteligentes em hospitais públicos distribuídos por 13 estados, contemplando todas as regiões do país. Essas unidades devem operar com monitoramento contínuo, maior integração de dados clínicos e possibilidade de conexão entre equipes locais e especialistas remotos, criando uma rede mais padronizada de cuidado intensivo. A segunda frente é a construção do primeiro hospital público 100% inteligente do Brasil, que será instalado em São Paulo, no complexo do Hospital das Clínicas da USP. Batizado de Instituto Tecnológico de Emergência, o projeto conta com um financiamento anunciado de R$ 1,7 bilhão via Banco do BRICS, dentro do pacote total de investimentos da rede. De acordo com informações divulgadas pelo governo e por veículos oficiais, a nova unidade será voltada principalmente para urgência e emergência, com grande capacidade de atendimento, integração com a rede de UTIs inteligentes e uso intensivo de sistemas digitais. O prazo estimado de construção varia entre três e quatro anos, conforme projeções iniciais. Onde ficam as UTIs inteligentes As primeiras comunicações públicas indicam que as UTIs inteligentes devem ser implementadas em cidades como Manaus (AM), Dourados (MS), Belém (PA), Teresina (PI), Fortaleza (CE), Recife (PE), Salvador (BA), Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Curitiba (PR), Porto Alegre (RS) e Brasília (DF). A distribuição final, no entanto, ainda depende de etapas técnicas e administrativas. Além disso, o plano prevê a participação de hospitais universitários federais, reforçando o papel dessas instituições tanto na assistência quanto na formação de profissionais capacitados para operar em um ambiente cada vez mais digitalizado. O que significa “hospital inteligente” na prática No discurso oficial, a ideia de hospital inteligente vai além da compra de equipamentos modernos. Envolve: A expectativa do governo é que essa combinação reduza o tempo entre a chegada do paciente, o diagnóstico e o início do tratamento, além de otimizar o uso de leitos e recursos. Por que esse movimento importa Na prática, o projeto tenta enfrentar um desafio histórico do SUS: a distância entre a escala do sistema e sua capacidade de coordenação. A aposta é que tecnologia funcione como base estrutural para melhorar fluxo, eficiência e qualidade do cuidado, sobretudo em áreas críticas. Ainda assim, a experiência internacional mostra que o sucesso desse tipo de iniciativa depende menos do volume de investimento e mais de fatores como integração de sistemas, governança de dados, segurança da informação e treinamento das equipes de saúde. É nesse ponto que a promessa de um SUS mais tecnológico será, de fato, testada. 📩 Jornal FitFeed Para acompanhar o mundo de saúde e bem-estar pelo nosso jornal 🧬 👉 Inscreva-se aqui

Duas injeções por ano: a revolução na prevenção do HIV chegou. E agora?

Esqueça a pílula diária. A Anvisa acaba de aprovar o lenacapavir, um antirretroviral injetável que promete proteção contra o HIV com apenas duas aplicações por ano. A inovação, que demonstrou eficácia próxima de 100% em estudos clínicos, representa uma virada de chave para a saúde preventiva, mas esbarra em um desafio gigante: o acesso. O que torna o lenacapavir tão diferente? A grande sacada do lenacapavir está no seu mecanismo de ação. Em vez de uma abordagem tradicional, ele ataca o capsídeo viral, uma espécie de “escudo protetor” do HIV, bloqueando seu ciclo de replicação em múltiplas fases. Essa ação potente é o que permite que uma única injeção semestral mantenha a proteção. Estudos com milhares de pessoas, incluindo mulheres na África do Sul e Uganda, confirmaram a eficácia quase total, sem nenhum caso de infecção entre os participantes do grupo que recebeu o medicamento. Menos rotina, mais qualidade de vida Na prática, a transição de um comprimido diário para duas injeções anuais é um salto enorme em termos de bem-estar e adesão. Para muitas pessoas, especialmente em populações vulneráveis com dificuldade de seguir a rotina da PrEP oral, essa inovação elimina uma barreira significativa. A proposta é simplificar a prevenção, reduzir falhas e promover uma longevidade mais saudável, integrando a ciência de ponta a um estilo de vida com menos preocupações. O elefante na sala: quem pode pagar pela revolução? Apesar de toda a empolgação, a chegada do lenacapavir ao Brasil vem com um asterisco gigante: o preço. Com um custo anual estimado entre 25 e 28 mil dólares, o medicamento ainda não foi incorporado ao SUS, o que limita drasticamente seu alcance. Enquanto organizações como a OMS recomendam a droga como uma nova ferramenta poderosa, o acesso no Brasil depende de complexas negociações políticas e econômicas. O desafio agora é transformar essa inovação de ponta em uma política pública acessível. O lenacapavir não é apenas um novo medicamento; é um vislumbre do futuro da prevenção do HIV. Ele amplia o arsenal de estratégias, mas também expõe a lacuna entre o avanço científico e a equidade no acesso à saúde. O próximo capítulo dessa história será definido não nos laboratórios, mas nas mesas de negociação que decidirão se essa revolução será para todos ou apenas para alguns.

Saúde vira o principal campo de disputa da IA entre as big techs

Por muito tempo, saúde foi tratada como território delicado demais para a inteligência artificial. Risco alto, regulação pesada, confiança em jogo.Agora, virou prioridade estratégica. Nas últimas semanas, OpenAI, Google, Anthropic e Amazon colocaram a saúde no centro de seus lançamentos mais relevantes. Não como teste. Como infraestrutura. A leitura é direta: a próxima grande disputa da IA acontece dentro do cuidado com o corpo humano. OpenAI transforma hábito em produto Milhões de pessoas já usam o ChatGPT para tirar dúvidas sobre treino, sono, exames e sintomas. A OpenAI decidiu formalizar esse comportamento. Com o ChatGPT Health, usuários podem conectar prontuários médicos, resultados de exames e dados de bem-estar, incluindo informações de wearables. A virada não está só em responder perguntas, mas em fazê-lo com base em histórico contínuo e pessoal. Menos resposta genérica. Mais contexto de vida real. Na prática, saúde começa a ganhar uma interface conversacional. Amazon leva a IA para dentro da atenção primária A Amazon escolheu um caminho mais operacional e direto ao ponto. Por meio da One Medical, a empresa lançou um assistente de saúde integrado ao app de cuidados primários. O sistema acessa o prontuário completo do paciente para explicar exames, responder dúvidas, sugerir o tipo de atendimento adequado e executar ações práticas, como agendar consultas ou renovar medicamentos. Aqui, a IA deixa de ser só informativa. Ela vira parte ativa da jornada de cuidado. Anthropic ataca o maior gargalo do sistema A proposta da Anthropic é menos visível para o consumidor, mas estrutural para o ecossistema. Com o Claude for Healthcare, a empresa se posiciona como uma camada de conexão em um sistema fragmentado. Pacientes podem integrar histórico médico, exames e dados físicos para entender relatórios, se preparar para consultas e formular perguntas melhores.Do outro lado, médicos e operadoras usam a IA para lidar com documentação, regras regulatórias e burocracias que drenam tempo do cuidado humano. É saúde como tradução. E como eficiência. Google aprofunda onde sempre foi forte: imagens médicas Enquanto outras big techs avançam no contato direto com o paciente, o Google reforça seu domínio nos bastidores da medicina. A nova versão do MedGemma 1.5 amplia a capacidade da IA de interpretar tomografias, ressonâncias e lâminas de patologia. O foco não é substituir especialistas, mas apoiar decisões clínicas, identificar padrões sutis e reduzir variações de interpretação em escala. Menos ruído. Mais precisão. O fio condutor: cautela e humanos no centro Apesar de estratégias diferentes, todas as empresas repetem a mesma premissa: humanos continuam no loop.A proximidade da IA com o cuidado real exige controle, transparência e responsabilidade. Erros, excesso de confiança algorítmica e questões regulatórias não são detalhes. São o centro do debate. Ainda assim, uma coisa ficou clara. Saúde deixou de ser um projeto lateral para as gigantes da tecnologia. Virou um território central onde dados, confiança e decisões sobre o corpo estão sendo disputados em tempo real. A pergunta que fica não é se a IA vai entrar na sua saúde.É quem vai mediar essa relação. E até onde você está disposto a confiar. 📩 Jornal FitFeed Para acompanhar o mundo de saúde e bem-estar pelo nosso jornal 🧬 👉 Inscreva-se aqui

A beleza entrou na era da longevidade ao mirar a energia das células da pele

Durante anos, o cuidado com a pele seguiu um roteiro conhecido. Antioxidantes para proteger, iluminar e reforçar a barreira cutânea. Vitamina C, vitamina E, niacinamida. Funciona. Sempre funcionou. Mas esse discurso começou a mudar. À medida que a ciência da longevidade ganha espaço, a pergunta ficou mais direta: e se envelhecer bem não for apenas proteger a superfície da pele, mas preservar a energia das células que a mantêm funcionando? É nesse ponto que as mitocôndrias entram no centro da conversa. Quando a energia cai, a pele mostra Por muito tempo, as mitocôndrias ficaram restritas às aulas de biologia. Hoje, elas viraram infraestrutura no novo vocabulário da beleza. “As mitocôndrias são as centrais de energia das células da pele. Elas sustentam o reparo celular, a produção de colágeno e a função da barreira cutânea”, explica a dermatologista Zeba Chhapra, em entrevista à Vogue Arabia. Com o passar do tempo, essa eficiência diminui. Estresse oxidativo, poluição, radiação UV e estilo de vida aceleram o processo.Na prática, isso aparece como pele opaca, flacidez, manchas e uma sensação constante de cansaço cutâneo. Não é só estética. É energia celular em queda. O estresse que se acumula O envelhecimento da pele não acontece de um dia para o outro. Ele é cumulativo. Espécies reativas de oxigênio, geradas naturalmente pelo metabolismo e intensificadas por sol, poluição, estresse e noites mal dormidas, danificam proteínas, lipídios e o DNA das células da pele. O corpo até tem sistemas antioxidantes próprios, mas eles não dão conta para sempre. Os antioxidantes tradicionais ajudam neutralizando parte desse dano, sobretudo nas camadas mais superficiais.Os antioxidantes mitocondriais atuam antes: dentro da mitocôndria, onde o desgaste começa. É uma mudança clara de lógica.Menos correção tardia. Mais preservação ao longo do tempo. Beleza encontra longevidade Essa virada acompanha um movimento maior do mercado de wellness. Segundo Nathalie Chevrot, diretora global de skincare da Symrise, a inovação em beleza está migrando de resultados imediatos para mecanismos biológicos associados ao envelhecimento, como função mitocondrial, estabilidade do DNA e senescência celular. O consumidor também mudou. Hoje, envelhecer é visto como um processo natural. O desejo não é “parecer mais jovem a qualquer custo”, mas manter função, conforto e confiança com o passar dos anos. Nesse contexto, longevidade não é estética. É manutenção. Onde isso já aparece Por enquanto, os antioxidantes mitocondriais estão concentrados no segmento premium. Séruns avançados e cosmecêuticos lideram essa frente, onde entrega precisa e absorção fazem diferença real. Esses ativos também começam a aparecer em suplementos e protocolos regenerativos, ampliando o cuidado para além da superfície da pele. Marcas de luxo e biotecnologia investem em complexos patenteados desenvolvidos ao longo de anos de pesquisa. Ingredientes como MitoQ, PQQ e combinações de peptídeos antioxidantes são formulados para alcançar as mitocôndrias com mais eficiência. A biotech suíça Timeline, por exemplo, desenvolveu o Mitopure, uma forma clinicamente estudada de urolitina A voltada ao suporte da função mitocondrial em nível celular. Não é sobre idade, é sobre rotina Embora esses produtos sejam frequentemente comunicados para pessoas acima dos 30 anos, o fator determinante não é a idade no RG. Vida urbana intensa, exposição solar constante, estresse crônico, viagens frequentes, poluição e excesso de telas aumentam o estresse oxidativo e aceleram o desgaste mitocondrial, mesmo em pessoas jovens. Cuidar da saúde das mitocôndrias pode ajudar a manter uma renovação celular mais equilibrada. No dia a dia, isso tende a aparecer como pele mais firme, tom mais uniforme e menos sinais de inflamação e fadiga. Um novo marco para o skincare Os antioxidantes mitocondriais não são apenas mais um ingrediente da vez. Eles sinalizam uma mudança estrutural na forma como a beleza se conecta à saúde. O skincare deixa de prometer voltar no tempo e passa a falar em sustentar energia, função e resiliência celular. Talvez as inovações mais importantes da beleza não sejam as que vemos no espelho.Mas as que garantem que ele continue refletindo uma pele saudável ao longo dos anos. 📩 Jornal FitFeed Para acompanhar o mundo de saúde e bem-estar pelo nosso jornal 🧬 👉 Inscreva-se aqui