Viagens Wellness: A Nova Onda de Performance e Recuperação para os Viajantes Modernos

As piña coladas à beira da piscina ainda são um clássico das férias, mas uma nova onda de viajantes está trocando a ressaca por recuperação e rejuvenescimento. O conceito de bem-estar não está mais restrito à rotina de treinos, ele está se tornando parte fundamental das viagens. À medida que as marcas de bem-estar e hospitalidade evoluem, as férias estão sendo transformadas em experiências de performance e recuperação, com rotinas de saúde se estendendo para além do aeroporto. Movimento Encontra o Desejo de Aventura O bem-estar não é mais algo que você encaixa antes de pegar o voo; agora, ele te segue onde quer que você vá. Uma nova pesquisa da Airbnb e Strava mostra que três quartos dos corredores da geração Z no Reino Unido estão planejando “run-cations rurais”, trocando os percursos urbanos por trilhas no campo. O desejo de manter a atividade física mesmo enquanto viaja está crescendo, especialmente entre aqueles que querem continuar se exercitando, mesmo fora de casa. ClassPass também está entrando nessa tendência de viagens wellness. A plataforma de fitness fez parceria com o hotel boutique The Manner SoHo em Nova York, oferecendo aos hóspedes até 20 créditos do ClassPass. Esses créditos permitem acesso a estúdios de fitness, spas e espaços de recuperação da cidade. Nada de procurar o melhor yoga perto de você na internet — com parcerias como essa, o movimento se torna parte do roteiro, não uma opção. “O bem-estar deve encontrar as pessoas onde quer que elas estejam”, diz Fritz Lanman, CEO da Playlist, empresa-mãe da ClassPass. Em outras palavras, sua prática de Pilates não precisa ser pausada só porque você mudou de código postal. O Sono Como Protagonista da Recuperação O bem-estar não é apenas sobre manter os treinos; para muitos, é também um momento para se desconectar e descansar. O Equinox Hotels entende essa necessidade de descanso e apostou tudo na recuperação com seu Sleep Lab na propriedade de Nova York. Desenvolvido em colaboração com o especialista em sono Dr. Matthew Walker, o Sleep Lab permite que os hóspedes participem de pesquisas, testem tecnologias de sono e vivenciem um hotel totalmente voltado para recuperação. Para aqueles que priorizam o sono tanto quanto os treinos, este é o verdadeiro refúgio. A Natureza Como a Principal Amenidade No BASIN Glacial Waters at Lake Louise, da Fairmont, a natureza é a estrela. Este destino de 130 milhões de dólares reinventou a experiência de spa clássica, oferecendo cinco “Trilhas” curadas, cada uma com um objetivo específico, como resetar o sistema nervoso ou recuperação do jet lag. Os hóspedes podem relaxar em saunas ao estilo nórdico, tomar banhos em piscinas alimentadas por glaciais e caminhar por trilhas de reflexologia com vista para as montanhas. A experiência culmina no Glacier Lounge, onde bebidas adaptogênicas dividem o cardápio com champanhe. O Que Isso Significa para o Turismo Wellness O que esse movimento sinaliza é a transição de uma abordagem de bem-estar restritiva para um conceito de equilíbrio. Agora, o foco não é a busca pela perfeição, mas em como ficar conectado ao que faz você se sentir bem — seja com movimento, descanso, ou uma combinação dos dois. O turismo wellness está evoluindo para atender a essas necessidades, onde aventura e consistência podem coexistir. Você pode agora reservar uma Airbnb no campo e explorar novas trilhas para correr, usar créditos do ClassPass em outra cidade ou passar um fim de semana em modo recuperação em um spa termal. O crescimento dessa tendência significa que os viajantes podem priorizar o bem-estar e aprimorar suas experiências sem sacrificar o prazer ou a aventura. Quer continuar por dentro do que realmente está acontecendo no wellness? A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor. Se inscreva em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/
Por que uma maratona só para mulheres está redefinindo o mercado de corrida?

A Every Woman’s Marathon chegou para provar que o futuro do wellness é feminino. Em sua segunda edição, o evento organizado pela Team Milk reuniu mais de 4.000 mulheres em Scottsdale, Arizona, consolidando um espaço que une performance, comunidade e bem-estar. Marcas como Saucony e Rabbit já entenderam o recado e estão apostando alto nessa tendência. O que essa corrida tem de tão diferente? A grande sacada foi criar um ambiente que realmente atende às necessidades das corredoras. Isso se traduz em mais paradas para banheiros e na distribuição gratuita de produtos menstruais, detalhes que fazem toda a diferença em uma prova de longa distância. O resultado? Mais de 40% das participantes estavam correndo sua primeira maratona, um sinal claro de que a proposta de inclusão e segurança está funcionando. Marcas na pista: a nova corrida pelo público feminino O sucesso do evento não passou despercebido. A Saucony e a Rabbit, marca de vestuário fundada por mulheres, foram as patrocinadoras principais. Enquanto a Saucony alinhou a maratona à sua campanha ‘Run As One’, a Rabbit lançou uma linha exclusiva inspirada no pôr do sol do Arizona, que esgotou rapidamente. A estratégia é clara: ir além do produto e investir em marketing de experiência, criando conexões reais com uma comunidade engajada e fiel. A lição para o mercado de bem-estar A Every Woman’s Marathon é um case de sucesso sobre o futuro do wellness. O evento mostra a importância de entender o consumidor de forma segmentada, oferecendo produtos e experiências que resolvem dores reais. Ao reinvestir 100% dos lucros para melhorar as próximas edições, a Team Milk não apenas vende um evento, mas constrói uma plataforma cultural poderosa, fortalecendo o sentimento de pertencimento e mostrando que o investimento em comunidade é o caminho para um crescimento sustentável. Quer continuar por dentro do que realmente está acontecendo no wellness? A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor. Se inscreva em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/
Como a SWTHZ está redefinindo o recovery com suítes privadas?

A SWTHZ chegou para virar o jogo da terapia de contraste. Em vez dos espaços comunitários que intimidam muita gente, a marca aposta em suítes privadas e personalizáveis que combinam sauna, imersão em água fria e tecnologia de ponta para criar uma experiência de wellness exclusiva, focada no senso de pertencimento. O que tem dentro do combo? Cada suíte é um verdadeiro refúgio particular. Equipada com sauna de infravermelho, ducha de vitamina C e um tanque de imersão fria com temperatura controlada, a experiência é pensada para ser acolhedora e zero intimidadora. O design com madeiras quentes, cores neutras e iluminação suave reforça a sensação de um ambiente seguro. Para completar, amenidades como secadores Dyson, Wi-Fi e speakers Bluetooth permitem que o usuário personalize cada detalhe, alinhado à filosofia de “luxo acessível”. Autonomia na ponta dos dedos A grande sacada da SWTHZ é a integração tecnológica. Pelo app da marca, o cliente tem controle total sobre sua jornada: pode customizar as sessões de terapia, alternando entre quente e frio, e acompanhar seu progresso. A estratégia vai além, com a empresa explorando parcerias com marcas de wearables para integrar dados de saúde, tornando a experiência ainda mais inteligente e sob medida para as necessidades de cada um. O resultado? Um negócio que bomba Essa aposta na personalização e inclusão — com suítes acessíveis para pessoas com deficiência (PCD) — está dando mais do que certo. A SWTHZ reporta taxas de retenção altíssimas, indicações fortes e um NPS em constante crescimento. O modelo de expansão via franquias, que incorpora o feedback de clientes e parceiros, garante um crescimento sustentável. Na prática, a marca está convertendo satisfação em métricas que importam: receita e lealdade. Ao se diferenciar de concorrentes que focam em serviços escaláveis ou addons de academia, a SWTHZ prova que o futuro do bem-estar é pessoal, privado e tecnológico. A empresa não vende apenas terapia; ela oferece um espaço seguro que constrói valor emocional, fideliza clientes e redefine o que significa cuidar de si. Quer continuar por dentro do que realmente está acontecendo no wellness? A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor. Se inscreva em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/
CrossFit: Mais que uma comunidade, uma cultura que transforma vidas

Hoje, o termo “comunidade” está por toda parte. Mas, no fim das contas, ele é raso, uma questão de proximidade, não de poder real. CrossFit, a marca de saúde, performance e esporte, leva isso para outro nível. Aqui, a verdadeira força não está só em se reunir, mas em pertencer a algo que vai além. A cultura do CrossFit não é algo que se cria em um evento rápido ou numa visita qualquer; é algo que se conquista com esforço diário, com superação e, principalmente, com resiliência ganha. A Cultura do CrossFit Cultura é muito mais do que um simples conjunto de valores compartilhados. Ela é sobre identidade, conexão real e superação juntos. Por exemplo, unidades militares, movimentos que mudam a história ou grupos de pessoas que enfrentam desafios coletivos — todos têm uma cultura. No CrossFit, a cultura nasce da dificuldade compartilhada. Não se trata de um treino fácil ou de resultados instantâneos. Aqui, a dificuldade não é um obstáculo, mas uma ferramenta de transformação. Quando o CrossFit surgiu, as aulas de grupo já existiam. Aeróbica e spinning estavam por toda parte. Mas, ao começar a se reunir em galpões simples ao redor do mundo, o que o CrossFit fez foi algo diferente: juntar pessoas para suportar o esforço juntos. Foi assim que nasceu uma cultura poderosa, onde o difícil é enfrentado em conjunto, e a saúde vai além da estética, se tornando uma verdadeira intervenção de bem-estar. A Tríade da Saúde CrossFit questiona a própria estrutura do sistema de saúde dos EUA, que, segundo a marca, não consegue lidar com a verdadeira saúde, apenas com gestão de doenças. A solução não está em mais tecnologia ou dinheiro, mas em prevenção e transformação dos hábitos. O sistema está sobrecarregado, dividido em especialidades que falham em conectar as partes do corpo e da mente. E, no meio disso tudo, a prevenção é enterrada. É aqui que o CrossFit se destaca com uma mensagem clara e sem rodeios: “Não somos apenas fitness”, diz Jennifer Pishko, cofundadora da CrossFit Medical Society, formada por médicos que reconhecem a importância do estilo de vida para a saúde. “Somos saúde de base, acontecendo no mundo real.” O modelo de afiliados do CrossFit é mais do que uma estratégia de expansão. Ele traz à tona o modelo biopsicossocial, que envolve não só o físico, mas também o psicológico e o social. A saúde que o CrossFit propõe é sem burocracia, sem os obstáculos do sistema convencional. Mais que um treino, uma mudança de vida Não se trata apenas de levantar pesos ou correr mais rápido. O CrossFit trabalha com força, resistência, flexibilidade, poder, velocidade, coordenação, agilidade, equilíbrio, precisão e muito mais. Ao melhorar o VO₂ max, a densidade óssea, a saúde metabólica e a composição corporal, o CrossFit vai além do físico. Ele também trabalha o cérebro e as emoções. Os movimentos complexos e compostos exigem um esforço físico que não só fortalece o corpo, mas também cria adaptações neurológicas. E aquele desconforto mental nos últimos segundos de um treino? Ele vai além do físico. Constrói resiliência mental, criando uma capacidade de enfrentar qualquer desafio, não só no esporte, mas também na vida. Essa sofrência compartilhada no CrossFit cria laços mais fortes que amizades superficiais. Já vimos isso em equipes militares, times esportivos e entre primeiros socorros: nada cria laços tão fortes quanto enfrentar adversidade juntos. E o que vemos hoje é uma sociedade cada vez mais sozinha, lidando com o aumento da depressão, declínio cognitivo e doenças crônicas. O remédio? Conexão significativa e um senso de pertencimento — e isso é encontrado no CrossFit. Cultura, não clínica CrossFit acredita que o sistema de saúde nunca foi projetado para curar doenças crônicas. Ele foi feito para controlá-las, mediá-las e lucrar com isso. “Remédios e protocolos mantêm os sintomas à distância, mas não abordam a causa raiz”, diz Pishko. “Para mudar o curso, precisamos mudar os hábitos. E isso não acontece em uma consulta de 15 minutos.” A verdadeira prevenção e reversão de doenças exige mudanças diárias, dentro de um ambiente que exija consistência e responsabilidade, oferecendo apoio contínuo. E é isso que o CrossFit faz — através de um loop de sinal, ação e recompensa. O horário da aula é o sinal; a atividade do treino é a ação, e a recompensa vem com o dopamina, serotonina e oxitocina que são liberados no final do treino, tornando a experiência não só física, mas emocional. Essa recompensa cria um vínculo entre os membros, tornando os hábitos mais firmes e difíceis de quebrar. O sistema não nos ajuda, mas o CrossFit sim CrossFit é uma resposta a algo mais profundo na sociedade atual: estamos presos no disfunção sistêmica, impulsionada pelas grandes indústrias alimentícia e farmacêutica. Confortos modernos nos anestesiam, e as soluções rápidas são vendidas como soluções fáceis. Mas o CrossFit acredita que o verdadeiro problema de saúde pública hoje é a solidão, um mal que destrói mais do que a obesidade e é tão prejudicial quanto o fumo. “Humanos não foram feitos para ficar rolando feed e assistindo de longe”, diz Pishko. “Fomos feitos para caçar em grupos, carregar coisas pesadas e nos proteger, lado a lado.” Quando você está no treino, no momento mais difícil, e o cérebro grita para você parar, mas o colega ao lado não desiste, você não desiste também. Isso cria uma cultura de resiliência, garra e esforço coletivo, algo que a sociedade está perdendo e o CrossFit oferece de volta. Transformação é a promessa No fim das contas, o CrossFit não promete apenas fitness, mas transformação. Não é só sobre fazer parte de uma comunidade, mas sobre pertencer a algo que muda sua vida. E não é apenas sobre chegar lá — é sobre o que você se torna no caminho. “Você chega como está, e com o tempo, se torna mais do que imaginava ser”, diz Pishko. “E leva isso para o trabalho, para os relacionamentos e para a adversidade. Porque, depois de ultrapassar seus próprios limites, você sabe
Experiência x Tecnologia: o que o Jetset Pilates tem a dizer sobre isso?

Enquanto o setor de fitness mira em tecnologia, a Jetset Pilates dobra a aposta no fator humano. A rede está implementando sua Training Academy, uma iniciativa para padronizar a formação de instrutores e garantir que a experiência premium da marca não se perca durante sua ambiciosa expansão. Na prática, é a fórmula para crescer sem diluir a essência. O que é essa academia de instrutores? É um programa de treinamento intensivo de cinco dias, com certificação AFAA e NASM, focado em criar um ambiente acolhedor e consistente. Os instrutores aprendem desde a dar saudações pessoais até a oferecer demonstrações personalizadas e check-ins pós-aula. Para centralizar a operação, a unidade de South Beach será transformada em um Centro de Treinamento e Inovação a partir de 2025, com suporte contínuo através da plataforma de aprendizado ‘The Collective’. Mais do que um professor, uma persona. A grande sacada do programa é treinar instrutores para adotarem personas específicas, como ‘commander’ para aulas intensas ou ‘cheerleader’ para sessões mais animadas. A ideia é personalizar a experiência do cliente, permitindo que cada profissional encontre seu estilo, mas sempre dentro dos padrões da marca. Essa estratégia fortalece a conexão humana e transforma o treino de 50 minutos no reformer em um serviço exclusivo. Escalar sem perder a alma: o desafio do wellness. Com o mercado de equipamentos de fitness projetado para ultrapassar US$ 8 bilhões até 2030, a competição é acirrada. O investimento da Jetset em treinamento é um movimento estratégico para escalar o negócio mantendo a lealdade dos clientes. Ao garantir a qualidade e o ‘vibe’ da marca em todas as unidades, a empresa se posiciona para aumentar a retenção e se diferenciar da concorrência. A jogada da Jetset é um recado para o setor: a escalabilidade sustentável vem da consistência da experiência. Ao investir em quem está na linha de frente, a marca atende à crescente demanda por personalização e comunidade, provando que o futuro do bem-estar é, acima de tudo, humano. Quer continuar por dentro do que realmente está acontecendo no wellness? A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor. Se inscreva em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/
O luxo invisível é na verdade, coletivo.

O conceito de wellness é amplo, diverso e, mais do que nunca, coletivo. No meio de tanto barulho e tanta métrica, o verdadeiro luxo é conseguir se conectar, com o corpo, com os outros e mais….com o momento presente. Será que o bem-estar virou mais um produto para consumir do que um caminho para a experiência de viver? Essa pergunta abriu uma das falas mais potentes do Festival wellness que presenciei, e ficou ecoando na minha cabeça nas horas seguintes. Falar de wellness hoje virou moda, tendência, hype. Mas o que é, afinal, o bem-estar? A resposta é simples e complexa ao mesmo tempo: depende. O wellness é amplo e se manifesta de formas diferentes em cada pessoa. Pra uns, é correr 10 km. Pra outros, é meditar. Pra alguns, é simplesmente conseguir dormir bem ou dizer “não” sem culpa. Mas tem algo nisso que é universal: ninguém vive bem-estar sozinho. E talvez esse seja o grande ponto que a gente tenha esquecido no meio de tanta individualização. Em meio a tantas palestras e podcast que eu consumo, ouvi dados que reforçam isso, a OMS criou, em 2023, a comissão de Social Connection, reconhecendo a saúde social como prioridade global de saúde pública. Eles apontam que a solidão crônica já é uma das maiores ameaças à longevidade, mais perigosa até que o sedentarismo. E o filósofo Byung- Chul Han escreveu: “O ritmo imposto pela lógica digital reduz a profundidade das experiências e dificulta a construção de vínculos duradouros.” Vivemos tempos em que até o bem-estar foi metrificado: passos, sono, batimento e a respiração. Temos dados para quase tudo, menos para o que realmente importa: a qualidade dos nossos vínculos, a leveza das nossas interações com a amigos e familiares, e a sensação de estar presente. Eu digo presente de verdade. O problema não está nas métricas (elas são incríveis), O complicado está em substituir o sentir pelo controlar ou “monitorar”. O novo luxo não é ter o melhor Garmin. É conseguir silenciar o barulho interno, é olhar procorpo não como um objeto de performance, mas como um portal de consciência. E mais do que isso: é lembrar que o bem-estar é relacional. E A socialização agora aparece de forma que precisa ser estimulada, porque é ali que a saúde emocional e o sentido de pertencimento aparece, aspessoas estão voltando a buscar presença coletiva, nas trilhas, nas aulas, nos retiros, nos workshops de argila e pintura. Fazer tudo sozinho, em casa, já não basta. Temos que falar sobre o bem estar como entendimento que corpo, mente e relações são um mesmo ecossistema. E que o verdadeiro luxo invisível está na simplicidade de estar presente, consigo e com os outros. Quer continuar por dentro do que realmente está acontecendo no wellness? A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor. Se inscreva em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/
Fitness é o novo rolê? Como a busca por conexão está lotando as academias

Esqueça a imagem do treino solitário com fones de ouvido no máximo. A nova onda do universo wellness é sobre pertencimento e comunidade. Impulsionado pela Geração Z no pós-pandemia, o fitness deixou de ser uma atividade individual para se tornar um movimento coletivo que está redefinindo o mercado e transformando academias em verdadeiros hubs sociais. Mas por que a galera quer treinar junto? A resposta é simples: conexão. Segundo dados da ABC Fitness, 57% dos praticantes apontam a interação social como o principal motivo para se juntar a uma comunidade fitness. Essa necessidade de pertencimento é tão forte que fez as matrículas em academias crescerem 10% durante o verão, um período que costumava ser de baixa. O treino em grupo não só potencializa os resultados físicos, mas também eleva a autoestima, criando um ambiente de motivação mútua. A Geração Z puxando a fila Quem está no comando dessa revolução são os jovens. A Geração Z e os Millennials já representam 60% dos novos inscritos em academias. Altamente digitais e engajados, um terço deles interage diariamente com suas comunidades fitness. Para eles, o treino vai além da estética, abraçando benefícios mentais e sociais. Não à toa, 73% afirmam que a comunidade é um fator decisivo para manter a motivação, e plataformas como Clyx e grupos como SurfYogaBeer viraram referência. O futuro é tech e coletivo Essa mudança de comportamento abre uma janela de oportunidade gigante para o mercado. Empresas que investem em plataformas digitais e parcerias com grupos de treino estão saindo na frente. Enquanto os mais velhos buscam grupos pequenos e personalizados, os jovens querem tecnologia integrada, com wearables e aplicativos que facilitem as conexões. O futuro do fitness é phygital, mesclando o melhor das interações online e offline para criar experiências que geram não apenas resultados, mas lealdade. Quer continuar por dentro do que realmente está acontecendo no wellness? A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor. Se inscreva em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/
O wellness é o novo sustentável?

Depois de anos ouvindo sobre sustentabilidade, o mundo encontrou um novo rótulo para parecer consciente: o bem-estar. Mas, mais do que uma tendência, o wellness está amadurecendo, saindo da estética e voltando para a essência. Sim, o wellness é o novo sustentável, mas não no sentido raso do marketing. Assim como, a sustentabilidade precisou evoluir do discurso para a prática do dia a dia, o bem-estar vive agora o mesmo desafio: amadurecer e se tornar realmente parte da rotina. O ponto é o mesmo, fazer com que o bem-estar vá além do discurso e se torne prática real. Nos anos 2000, toda marca queria ser sustentável. Ser “eco” era sinônimo de consciência… até que o verde virou também embalagem. Agora, tempos depois, o mesmo está acontecendo com o wellness. Saímos do “carbono zero” e entramos no “self-care”. Tudo é clean, mindful, natural. Mas será que estamos realmente vivendo mais bem-estar… ou apenas vivendo a pressão de estar sempre bem? Entre painéis sobre social wellness e saúde mental, essa discussão ficou evidente. E uma frase me marcou profundamente: “Quantos estão usando o wellness como artifício de comunicação para fazer as pessoas consumirem ainda mais um bem-estar produtizado?” Essa pergunta é necessária, porque o wellness, hoje, é tanto um movimento orgânico quanto um mercado em expansão. E isso não é ruim. O mercado do bem-estar está crescendo, e isso é ótimo. Quando uma marca fala de saúde mental, cria produtos com propósito ou incentiva práticas conscientes, ela está ajudando a levar o wellness para mais pessoas. O desafio está em como isso é feito. Quando o produto vira extensão de um estilo de vida coerente, ele deixa de ser artifício e passa a ser ferramenta. O que transforma não é o colágeno, o tapete ou o aplicativo em si, mas o convite que eles representam: o de cuidar de si, de estar presente, de criar rituais que façam sentido com a rotina e o estilo de vida de cada pessoa. O problema aparece quando o bem-estar é vendido sem reflexão, quando o discurso de leveza vem disfarçado de pressão. Mas quando existe coerência entre o que se comunica e o que se vive, o consumo deixa de ser superficial e passa a ser uma ponte. O wellness amadurece justamente aí: quando o mercado e as pessoas entendem que não é sobre vender o ideal de estar bem (muitas vezes até inalcançável, principalmente quando se usa a rede social como referência), e sim facilitar o caminho para que mais pessoas consigam se sentir bem de verdade. O bem-estar vende, e isso é fato. E ótimo rs. Ele está nas garrafas de matcha, nas roupas esportivas minimalistas, nos shots de colágeno, nos aplicativos de respiração e até nas planilhas de sono. Vale lembrar que, no meio de tantos estímulos e marcas “wellness”, não podemos nos perder da essência: o sentir. Assim como o “sustentável” precisou amadurecer, sair do marketing e virar prática de rotina, o wellness também precisa dessa evolução. Porque o bem-estar não se compra, se constrói. E, embora o caminho às vezes sejal longo, os produtos e ferramentas podem sim facilitar e encurtar essa jornada. O problema é quando passamos a acreditar que o produto substitui o essencial: quando o suplemento toma o lugar do descanso e o relógio, o da percepção do próprio corpo. O wellness não é uma fórmula única que funciona para todos. Ele acontece no tão esperado descanso, no corpo em movimento e nasconversas reais (longe das telas). O futuro do bem-estar, o real bem-estar, vai pertencer a quem souber equilibrar tecnologia e presença, ciência e sensibilidade. E talvez o maior amadurecimento do wellness esteja justamente nisso: em voltarpara o que é humano, simples e essencial. Quer continuar por dentro do que realmente está acontecendo no wellness? A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor. Se inscreva em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/
Wellness virou ostentação?

Olha, sendo bem direta: sim, o wellness realmente virou um novo símbolo de status. Mas não é tão simples quanto parece. A gente vive num momento meio paradoxal. Por um lado, você vê aquele story da influencer no retiro básico em Maldivas, a mensalidade milionária da academia boutique, por outro lado, tem gente correndo na rua de casa às 6h da manhã com um tênis velho e fazendo treino em casa com vídeo do YouTube. Então quem tá certo nessa história? Os dois? Ou nenhum dos dois? O que aconteceu foi que o wellness se dividiu em camadas. Tem a camada do Instagram, cheia de glamour e estética, como se cada ação tivesse curadoria visual. E tem a camada mais real, onde as pessoas estão genuinamente tentando não surtar no meio do caos da vida adulta. Mas por que os jovens estão gastando mais com wellness do que com balada? Essa é a pergunta DA VEZ!. E, para mim, Renata, a resposta é meio óbvia quando você para pra pensar: a nossa geração cansou de acordar com ressaca, e não tô falando só da ressaca física não, mas daquela sensação de vazio depois de gastar energia (e bastante dinheiro rs) com coisas que não deixam nada. Sabe aquela frase clichê “experiências valem mais que coisas”? Pois é, ela teve um “rebranding”. Antes eram experiências que destroem e agora são as que constroem coisas. E cá entre nós: nesse mundo onde todo mundo tá ansioso, sem foco e sem saber quem é quem de verdade, investir em si mesmo virou a moeda mais valiosa de todas, porque no fim, o que nós (me incluo nisso) queremos não é felicidade momentânea — e sim, propósito. Tá, mas e o lado problemático disso tudo? Aqui a conversa complica… Porque quando o bem-estar vira símbolo de status, ele também vira excludente. E aí a gente precisa questionar: quem pode pagar pra “se cuidar”? O wellness “de Instagram” virou privilégio, e isso cria um discurso perigoso: Só se cuida bem quem tem dinheiro e que se você não tem acesso a essas coisas, você tá “deixando de se priorizar”. E NÃO É POR AÍ…. O autocuidado não precisa de filtro e nem de um tênis de 2.000 reais. Ele pode ser uma caminhada sem fone, um journaling no caderno barato, uma rotina de sono decente, uma conversa com um amigo… No fim das contas… O wellness virou luxo? Virou. Mas ele ainda pode ser democrático se a gente lembrar que cuidar de si é, antes de tudo, sobre escolhas diárias, pequenas e despretensiosas. A galera jovem tá investindo mais em wellness porque percebeu que a balada não cura ansiedade, não dá felicidade e não constrói nada de duradouro. E nesse mundo caótico, eles querem pertencer a algo que faça mais sentido. O luxo de verdade não é o retiro em Maldivas. É ter clareza mental pra saber quem você é. E isso, definitivamente, não tem preço. Quer continuar por dentro do que realmente está acontecendo no wellness? A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor. Se inscreva em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/
Comunidade: onde o “eu” encontra o “nós”

Grupos de corrida, clubes de leitura, pedaladas coletivas, rodas de conversa: pertencimento como ingrediente essencial do bem-estar. Clubes de corrida podem até estar em alta nos dias de hoje, vistos como algo completamente inovador e amplificador de debates. Mas vou te contar um segredo: eles existem há anos. A pergunta que fica é: por que agora eles se tornaram o hype? E o que, de fato, isso nos diz sobre a dinâmica socio-biológica humana? A origem do conceito de clube tem raízes na Antiguidade, quando grupos sociais e políticos se reuniam para debater ideias e compartilhar momentos de lazer. Na Idade Média, surgiram clubes de cavalaria e estudos voltados à defesa de valores e ao aprimoramento intelectual. Com a Revolução Industrial, os clubes ganharam estrutura organizada, promovendo lazer, negócios e integração social. No Brasil, apareceram no século XIX, ligados a movimentos políticos e sociais, atuando como espaços de debate e resistência. Assim, os clubes evoluíram de encontros informais para associações estruturadas, refletindo o contexto histórico e cultural de cada época. Os clubes permearam o desenvolvimento humano, e junto deles vieram os estudos sobre comunidade e pertencimento. Esses temas ganharam força nos últimos anos. Isso também se deve à pandemia – responsável por potencializar tais debates após um período de enclausuramento, ócio e autoquestionamento – que teve como resposta algo simples: quebrar o superego humano e nos aproximar dos nossos instintos. Sim, somos um pouco animais, lembram disso? O instinto de coletividade, existência, sobrevivência, natureza – tudo veio à tona. O fato é que temos uma necessidade biológica de viver em conjunto, muitas vezes velada pelo individualismo coexistente em um mundo onde a propriedade privada perpassa o âmbito jurídico, político e social. O ser humano descobriu que viver em comunidade era algo benéfico para a evolução da própria espécie: segurança, divisão de tarefas, compartilhamento de conhecimento. Ou seja, desperta o sentimento de que “temos com quem contar”, principalmente diante das adversidades. Isso reforça a autoconfiança, encorajamento social e sensação de bem-estar. O livro Sapiens: Uma Breve História da Humanidade, escrito por Yuval Noah Harari, historiador, filósofo e professor israelense, aponta para a sociedade como algo não só inerente à espécie humana, mas crucial para o nosso desenvolvimento cognitivo e cultural. Somos seres sociáveis, e isso permite que criemos um imaginário coletivo forte, transmissão de comportamentos geracionais e até mesmo de “fofocas” (essas que conhecemos bem). Comunidade, nesse contexto, é só um “rebranding” contemporâneo e uma ênfase em algo que já existe há séculos. A palavra “comunidade” vem do latim communitas, formada por duas partes: com → “junto, em comum”; munus → “encargo, dever, dádiva, serviço”. Ou seja, um grupo de pessoas unidas por um dever ou dádiva compartilhada, algo que se faz junto, por vínculo ou propósito. Comunidade é o antagônico de isolamento (curioso o termo ganhar força após a pandemia?), nasce da interdependência, de não apenas viver perto, mas de compartilhar responsabilidades e valores. Entenda que, nesse caso, vai além de apenas caminhar junto: é “fazer parte”, agir ou pensar de uma forma socialmente aceita naquele determinado grupo. Repare: as comunidades hoje em dia – clubes de leitura, grupos de corrida, pedaladas e rodas de conversa – sempre te impulsionam a evoluir: mentalmente, fisicamente, socialmente. Harvard já coloca a importância das relações interpessoais. O estudo Study of Adult Development, considerado o artigo científico mais longo do mundo sobre felicidade e saúde humana, demonstra que o fator que mais influencia a felicidade e a saúde ao longo da vida não é dinheiro, sucesso profissional nem fama, mas a qualidade dos relacionamentos. Pessoas com laços sociais fortes e saudáveis (amizades, parceiros, família, comunidade) tendem a viver mais tempo, ter menos doenças crônicas e apresentar níveis mais altos de satisfação e propósito – compreende-se que bem-estar está longe de ser alguém sozinho e excluído do mundo. Comunidades, nessa lógica, curam. Isso porque tais núcleos são capazes de gerar um bem-estar físico e mental, além de dar norte, direcionamento e sentido alinhado ao pertencimento. No livro Tribes, o autor Seth Godin, especialista em negócios, discorre sobre como as comunidades, ou “tribos”, como ele mesmo se refere ao termo, beneficiam, por exemplo, o marketing das instituições. Nesse contexto, precisamos nos lembrar de que toda empresa oferece algum produto ou serviço a pessoas com interesses em comum, o que se encaixa perfeitamente ao conceito de comunidade. Somos seres naturalmente sociais, de modo que a coletividade, por mais complexa que seja, pode nos beneficiar consideravelmente. Vamos um pouco mais longe. Já vimos a importância das comunidades, mas por que me unir a um clube de corrida, por exemplo? O que, de fato, isso proporciona? A solidão está em alta. Um estudo de 2021 publicado no Psychological Bulletin identificou um aumento constante e linear na solidão entre jovens adultos ao longo do tempo. Os grupos de corrida seriam uma pílula contra a solidão contemporânea, permeada pelo excesso do uso da internet, que nos dá uma falsa sensação de proximidade quando estamos cada vez mais distantes. Imagine um poço onde a profundidade é tamanha a ponto de você não conseguir dimensionar onde, de fato, é o fim. Nossa relação e os vínculos criados no virtual tornam a sensação de conectividade e proximidade nebulosa e confusa. Os grupos de corrida vêm para clarear o fundo desse poço. Tangibilizar os vínculos e reforçar uma socialização genuína, leve, espontânea e íntima. O exercício, por si só, eleva nossa sensação de bem-estar físico e mental, auxiliando nossa percepção positiva de valor. Eu digo que, quando consigo cumprir o compromisso de me exercitar, mudo até o espectro de cor que enxergo no dia a dia. Com os vínculos não é diferente: a soma do esporte com os neurotransmissores do bem-estar facilita, estimula e impulsiona a socialização real, espontânea e genuína. Você não precisa necessariamente do álcool para reduzir a ansiedade social, apenas de um par de tênis e uma dose de motivação. A ausência de pressão em performar abre espaço para um ambiente confortável e descontraído. E o pertencimento? Onde entra nessa história?