Pesquisadores estão desenvolvendo uma tecnologia que parece saída de um filme de ficção científica.
Pequenos robôs capazes de dissolver pedras nos rins diretamente dentro do corpo, sem necessidade de cirurgia.
O estudo foi publicado na revista científica Advanced Healthcare Materials e descreve dispositivos minúsculos guiados por campos magnéticos que conseguem alterar a química da urina para dissolver cálculos renais.
Nos testes de laboratório, a técnica conseguiu reduzir cerca de 30% da massa de pedras de ácido úrico em apenas cinco dias.
Como os minirrobôs atuam dentro do corpo
Nem todas as pedras nos rins são iguais.
Cerca de 13% dos casos são formados principalmente por ácido úrico, que se cristaliza quando a urina se torna muito ácida.
O tratamento tradicional nesses casos muitas vezes tenta aumentar o pH da urina, tornando o ambiente menos ácido para que os cristais comecem a se dissolver.
Os minirrobôs foram criados justamente para provocar esse processo de forma localizada.
Cada dispositivo carrega uma enzima chamada urease.
Quando essa enzima entra em contato com a ureia presente naturalmente na urina, ocorre uma reação química que libera amônia e altera o pH do ambiente.
Com a urina menos ácida, os cristais de ácido úrico começam a se dissolver.
Como os robôs são guiados
Os dispositivos têm cerca de 1 milímetro de espessura e 12 milímetros de comprimento.
Eles são feitos de um material semelhante a hidrogel, parecido com gelatina, que permite flexibilidade dentro do corpo.
No interior existe um microímã, que permite movimentar o robô com campos magnéticos externos.
Na prática, o procedimento funcionaria assim.
O robô seria inserido no trato urinário por meio de um cateter fino.
Campos magnéticos externos guiariam o dispositivo até a pedra nos rins.
Ao chegar ao local, a enzima iniciaria a reação química que altera o pH da urina.
Esse ambiente mais alcalino ajuda a dissolver o cálculo renal.
Nos testes, o pH da urina passou de cerca de 6 para aproximadamente 7, faixa considerada ideal para dissolver esse tipo de pedra.
Quanto tempo levaria para dissolver uma pedra
O tempo de dissolução depende muito do tamanho do cálculo.
Segundo os pesquisadores, o processo pode levar de alguns dias a algumas semanas.
A boa notícia é que a pedra não precisa desaparecer completamente.
Cálculos menores que cerca de 4 milímetros já podem ser eliminados naturalmente pelo organismo.
Como os robôs seriam removidos?
Após o tratamento, os dispositivos não precisariam necessariamente de cirurgia para serem retirados.
Eles poderiam ser eliminados naturalmente pela urina ou removidos com ajuda de um ímã externo.
Isso reduziria ainda mais o caráter invasivo do procedimento.
Apesar do potencial, a tecnologia ainda está em fase inicial.
Os testes até agora foram feitos apenas em urina sintética e modelos artificiais do trato urinário criados com impressão 3D.
Antes de chegar a pacientes reais, os cientistas ainda precisam testar
como os robôs se comportam no fluxo real de urina
se eles podem ser guiados com precisão dentro do corpo
e se existe risco de resposta inflamatória ou imunológica
Os pesquisadores estimam que testes em humanos ainda podem levar pelo menos cinco anos.
Um possível futuro para tratamentos menos invasivos
Se a tecnologia funcionar em humanos, ela pode abrir caminho para um novo tipo de tratamento médico.
Menos invasivo, mais preciso e direcionado.
No futuro, dispositivos semelhantes também poderiam ser usados para levar medicamentos diretamente ao trato urinário, como antibióticos para tratar infecções recorrentes.