Um estudo brasileiro inédito analisou os alimentos mais consumidos no país e traduziu o efeito de cada porção em minutos de vida saudável ganhos ou perdidos a cada consumo. A pesquisa, liderada por especialistas da Universidade de São Paulo e publicada no International Journal of Environmental Research and Public Health, aplicou o chamado HENI — Índice Nutricional de Saúde — que considera fatores de risco e proteção, desde consumo de fibras, frutas e vegetais até ingestão de carnes processadas, sódio e gorduras trans.
A bolacha recheada aparece entre os piores alimentos, reduzindo em média 40 minutos de vida saudável por porção, seguida pela carne suína com cerca de 36 minutos. Margarina, carne bovina, empanados e refrigerantes com açúcar completam a lista de itens que mais retiram minutos de saúde do organismo. Por outro lado, banana acrescenta 8 minutos, feijão 6,5 minutos e peixe de água doce quase 17 minutos, destacando o impacto positivo de alimentos naturais e ricos em nutrientes essenciais.
A metodologia considerou os 33 alimentos mais relevantes para a dieta brasileira e levou em conta apenas pessoas acima de 10 anos. O índice HENI permite avaliar o efeito médio populacional de cada porção e mostra que o que realmente importa não é consumir isoladamente um alimento ruim, mas sim o padrão geral da dieta.
Além da saúde, o estudo trouxe uma análise ambiental considerando emissões de gases de efeito estufa e consumo de água. Carnes bovinas lideram os impactos, com mais de 21 kg de CO2eq por porção e consumo de água acima de 300 litros, reforçando a importância de escolhas sustentáveis na alimentação.
O estudo mostra diferenças regionais no padrão alimentar e evidencia que a monotonia, repetição de poucos alimentos, reduz a diversidade nutricional e o potencial benefício à saúde. Estados do Nordeste apresentam maior consumo de biscoitos recheados, enquanto o consumo de feijão, arroz integral e peixe é mais distribuído.
Para aplicar o HENI na rotina, pequenos ajustes podem ter efeito acumulativo, substituir porções de alimentos com impacto negativo por opções positivas ajuda a melhorar o saldo geral de saúde sem precisar radicalizar a dieta. O conceito reforça que alimentação saudável é um equilíbrio entre escolhas consistentes e variedade de nutrientes, não apenas restrição de um único item.
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