Fundada em 2016, a marca brasileira combina fabricação própria, referências internacionais e design para conquistar espaço em um mercado cada vez mais conectado à moda e ao bem-estar.
O mercado de roupas esportivas está mudando. E até as maiores marcas do mundo estão sentindo essa transformação.
Entre 2019 e 2024, Nike e Adidas perderam, juntas, três pontos percentuais de participação no mercado global de artigos esportivos. Segundo um levantamento da McKinsey, com dados da Euromonitor, a fatia das duas gigantes passou de 27% para 24%.
Enquanto isso, outras empresas, incluindo marcas como On, Hoka e Lululemon, ampliaram sua presença em um setor que já não gira apenas em torno dos nomes mais conhecidos.
O que explica essa mudança?
Segundo a McKinsey, marcas que conseguem se conectar com públicos específicos, desenvolver produtos diferenciados e construir uma identidade própria estão encontrando oportunidades de crescimento.
No Brasil, uma marca que segue parte dessa lógica é a ANGÊ, fundada em 2016 e que completa uma década de trajetória em 2026.

Com fabricação própria e referências que misturam esporte, moda e lifestyle, a empresa busca conquistar mulheres que enxergam o movimento como parte da rotina, dentro e fora das academias.
Como nasceu a ANGÊ?
A história começou em 2016, quando a marca identificou uma oportunidade no mercado brasileiro: criar roupas esportivas que considerassem não apenas o momento do treino, mas os diferentes momentos da vida de uma mulher.
Desde o início, a proposta foi combinar conforto, funcionalidade e referências de moda em peças capazes de acompanhar uma rotina ativa.
Mas, ao longo dos anos, a ANGÊ passou por uma evolução importante.
A empresa deixou de concentrar sua identidade exclusivamente nas roupas de treino e começou a investir em um posicionamento mais próximo do active lifestyle, conceito que conecta atividade física, bem-estar, moda e comportamento.
Na prática, isso significou ampliar o olhar sobre o próprio produto.
A marca passou a investir em matérias-primas diferenciadas, modelagens e uma estética mais sofisticada, buscando criar uma identidade reconhecível em um mercado com tantas opções.
O objetivo, segundo a empresa, é fazer parte da vida das consumidoras, acompanhando seus diferentes momentos e sua relação com o movimento.

Por trás das roupas, existe uma fábrica própria
Um dos diferenciais da ANGÊ está em uma decisão que acompanha a marca desde sua origem: desenvolver e fabricar as próprias peças.
Isso permite, segundo a empresa, acompanhar diferentes etapas da produção, desde a seleção de materiais até o desenvolvimento das modelagens e dos acabamentos.
A operação também utiliza mão de obra local e realiza envios para diferentes regiões do Brasil e para o exterior.
Essa estrutura faz parte da estratégia de produto da marca, especialmente na busca por adaptar referências internacionais à realidade das consumidoras brasileiras.
A ANGÊ acompanha cores, modelagens e movimentos da moda internacional, mas desenvolve suas peças considerando características do corpo da mulher brasileira.
E tudo isso acontece dentro de um mercado que movimenta bilhões.
De acordo com o IEMI, a indústria brasileira de vestuário esportivo e fitness faturou R$ 23,2 bilhões em 2023, produzindo aproximadamente 638,5 milhões de peças.
O estudo também identificou um crescimento de 50,4% na distribuição da produção para o canal de internet naquele ano, em comparação com 2022.
Os números ajudam a dimensionar o tamanho da indústria e a transformação dos canais de venda, especialmente para marcas que buscam construir relacionamento direto com suas consumidoras.
O que faz uma marca esportiva ir além do treino?
Usar roupas de academia em outros momentos do dia já não é novidade.
Leggings, tops, tênis e jaquetas esportivas fazem parte do guarda-roupa cotidiano há anos. Mas, para marcas como a ANGÊ, a proposta envolve também a maneira como essas peças são desenvolvidas e apresentadas.
Em vez de trabalhar apenas a funcionalidade esportiva, a marca busca combinar design, caimento, materiais e cores que façam sentido em diferentes situações.
Essa visão aparece em coleções como AM to PM, Minimal e Flowing, que ajudaram a consolidar uma identidade entre moda, movimento e estilo de vida.
O posicionamento também se reflete na forma como a empresa se relaciona com o público.

Segundo a ANGÊ, sua estratégia valoriza a qualidade, a construção de identidade e o relacionamento com a comunidade, em vez de depender de promoções constantes para estimular o consumo.
Um exemplo foi o Flowing Experience, evento realizado no Rio de Janeiro com influenciadoras conectadas ao universo da marca.
A iniciativa reforça uma mudança importante na indústria esportiva: o produto continua sendo essencial, mas a experiência e a identificação com a marca também ganharam relevância.
O wellness está mudando a forma como as marcas se conectam com as pessoas
Essa transformação não acontece apenas no mercado brasileiro.
Um estudo publicado pelo Boston Consulting Group em setembro de 2026 aponta que o mercado global de activewear deve crescer aproximadamente 5% ao ano até 2030.
Já a economia global do wellness tem projeção de crescimento anual próxima de 8%, segundo a consultoria.
A pesquisa, realizada com mais de 2 mil consumidores nos Estados Unidos, Alemanha e França, mostra que as marcas esportivas têm oportunidades de se aproximar das pessoas em momentos importantes de suas jornadas de bem-estar, como o início de uma atividade física ou mudanças na rotina de saúde.
Isso ajuda a explicar por que algumas empresas estão ampliando sua atuação para além da venda de roupas, investindo também em conteúdo, experiências, comunidades e conexões com diferentes estilos de vida.
Para a ANGÊ, essa relação com o wellness faz parte da identidade que a empresa vem construindo.
A marca busca conversar tanto com mulheres que já têm uma rotina de exercícios quanto com aquelas que desejam começar a se movimentar, valorizando conforto, confiança e liberdade de escolha.
A proposta é incentivar uma relação com o movimento que vá além das cobranças estéticas ou da busca constante por performance.
E o que vem pela frente?
Depois de dez anos no mercado, a ANGÊ tem um objetivo: ampliar sua presença como marca brasileira de active lifestyle.
A empresa quer alcançar novos públicos, fortalecer sua comunidade e continuar desenvolvendo produtos que aproximem moda, funcionalidade e bem-estar.
Entre os projetos de 2026 estão a coleção The Classic Sport Era, construída em torno de peças essenciais e de uma paleta em preto e branco, e o desenvolvimento de uma coleção de verão com referências retrô, prevista para janeiro de 2027.
Os lançamentos fazem parte de uma estratégia mais ampla de construção de identidade e continuidade do posicionamento da empresa.
O desafio agora é crescer sem perder as características que definiram sua trajetória.

Em um mercado que reúne gigantes internacionais e marcas independentes, a história da ANGÊ ajuda a mostrar como fabricação, design, posicionamento e relacionamento com o público podem fazer parte da estratégia de uma empresa brasileira.
E, à medida que esporte, moda e bem-estar se aproximam cada vez mais, a disputa pelo consumidor também passa pela capacidade de entender seus hábitos, suas preferências e a maneira como ele deseja viver.
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