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Corantes artificiais em alimentos podem piorar a saúde mental de crianças, diz estudo

Um estudo publicado em setembro de 2025 analisou quase 40 mil alimentos e bebidas industrializados vendidos nos Estados Unidos e revelou um dado preocupante: quase 1 em cada 5 produtos contém corantes sintéticos, com prevalência muito maior justamente nos itens direcionados às crianças. Confeitos, bebidas açucaradas, cereais matinais e produtos de panificação lideram essa estatística.

Esses corantes não têm função nutricional. Eles existem para tornar o alimento mais atraente visualmente. O problema é que há décadas de evidências associando esses aditivos a alterações comportamentais, como hiperatividade, dificuldade de atenção e pior autorregulação emocional em crianças suscetíveis. Não por acaso, muitos desses efeitos são observados com maior intensidade em crianças com TDAH ou maior sensibilidade neurológica.

O estudo também mostrou outro ponto crítico: os alimentos com corantes artificiais tinham, em média, 141% mais açúcar do que os produtos sem corantes. Essa combinação (corantes + picos glicêmicos) cria um ambiente neurobiológico desfavorável, com maior excitação do sistema nervoso, flutuações de energia, piora do foco e impacto no humor.

O cérebro infantil ainda está em formação. Isso significa maior plasticidade, mas também maior vulnerabilidade. Exposição repetida a aditivos artificiais, excesso de açúcar, sono inadequado e inflamação metabólica pode não “causar” um transtorno isoladamente, mas piora os sintomas, reduz a resiliência emocional e dificulta o desenvolvimento cognitivo saudável.

Isso não é terrorismo nutricional. Não se trata de demonizar um alimento isolado ou gerar culpa nos pais. Trata-se de consciência. Quanto mais natural a alimentação da criança, menor a carga inflamatória, melhor o equilíbrio do eixo intestino-cérebro, da microbiota e dos neurotransmissores envolvidos em atenção, aprendizado e comportamento.

Enquanto a regulação não acompanha totalmente a ciência, o papel da família é simples e poderoso: ler rótulos, reduzir ultraprocessados e priorizar comida de verdade!

Ref.: DOI: 10.1016/j.jand.2025.05.007

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