A David acaba de expandir seu portfólio com a Bronze Protein Bar, uma nova linha que sinaliza uma mudança clara na estratégia da marca. Se a barra Gold nasceu como um manifesto de eficiência nutricional máxima, a Bronze surge como resposta a um mercado que amadureceu e passou a exigir algo além de macros perfeitos: experiência sensorial, prazer e adesão no longo prazo.
Não é um abandono da ciência. É uma adaptação cultural.
Do laboratório para a sobremesa
A proposta da Bronze é explícita. A David mantém pilares que construíram sua reputação — 150 calorias, zero açúcar e alto teor proteico — mas troca a estética minimalista por uma construção inspirada em candy bars. Chocolate por fora, pedaços crocantes, textura mais densa e sabores associados a sobremesa.
A marca posiciona as duas linhas como complementares:
- Gold: proteína rigorosamente otimizada, foco em performance.
- Bronze: indulgência sem culpa, foco em prazer com controle.
Essa divisão reflete uma leitura clara do comportamento do consumidor. À medida que proteínas deixam de ser exclusivas de atletas e entram no cotidiano, o fator decisivo deixa de ser apenas “quanto tem” e passa a ser se a pessoa consegue consumir todos os dias sem esforço psicológico.
O trade-off calculado
A mudança vem com um ajuste consciente. A Bronze entrega 20g de proteína, abaixo da Gold, mas mantém o mesmo teto calórico. O ganho está na experiência. O custo é marginal em proteína absoluta, compensado por maior probabilidade de consumo recorrente.
Do ponto de vista de produto, isso é crucial. O maior inimigo de alimentos funcionais não é a composição, é o abandono. Barras “perfeitas” que ficam esquecidas na gaveta não geram resultado metabólico nem fidelidade de marca.
Formulação como diferencial competitivo
Mesmo com a proposta indulgente, a David não abre mão de engenharia nutricional. A proteína combina whey, milk isolate, clara de ovo e caseinato de cálcio, garantindo perfil completo de aminoácidos. As gorduras seguem ancoradas no EPG, ingrediente de baixo impacto calórico que já virou assinatura da marca.
A estrutura utiliza maltitol, colágeno e glicerina para textura e estabilidade, enquanto o sabor vem de chocolate real e adoçantes artificiais. É uma fórmula pensada para competir diretamente com players como Barebells, Grenade e ESN, que dominaram o mercado europeu ao transformar proteína em sobremesa.
Sabores que não pedem explicação
Os sabores reforçam o reposicionamento:
- Double Chocolate Crunch
- S’mores Chocolate Crunch
- Peanut Butter Chocolate Crunch
- Cookie Dough Caramel Chocolate Crunch
Aqui, a lógica não é funcionalidade explícita, mas familiaridade emocional. São referências que dispensam educação do consumidor e reduzem fricção na decisão de compra.
Estratégia de portfólio, não de substituição
Um ponto importante: a Bronze não canibaliza a Gold. Ela segmenta o uso. Gold segue como barra “base”, associada a rotina, treino e controle. Bronze entra como substituto direto de sobremesa, snack noturno ou recompensa pós-refeição.
Essa arquitetura amplia ocasiões de consumo sem diluir posicionamento. É uma estratégia típica de marcas que atingiram maturidade suficiente para expandir sem confundir.
O que isso diz sobre o mercado funcional
O movimento da David reforça uma tendência maior no wellness: aderência virou KPI. O mercado entendeu que saúde não escala com produtos ideais no papel, mas com soluções que as pessoas realmente usam.
A proteína continua central, mas o discurso mudou. Não é mais sobre sacrifício, é sobre integração. A Bronze simboliza essa transição: menos performance extrema, mais vida real.
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