As interfaces cérebro-computador (BCIs) estão dando um passo decisivo rumo ao uso cotidiano. A Neurable acaba de levantar US$ 35 milhões para lançar seus fones de ouvido com sensores cerebrais e escalar sua plataforma de neurotecnologia, sinal claro de que o neurofeedback começa a sair do campo experimental para entrar na rotina.
Fones que leem o cérebro
A proposta da Neurable é ambiciosa, mas prática: fones equipados com sensores de EEG capazes de medir, em tempo real, níveis de foco, fadiga mental e recuperação cognitiva. A partir desses dados, a plataforma entrega relatórios diários de “idade cerebral” e velocidade mental. Segundo a empresa, cerca de dois terços dos usuários relatam melhorias cognitivas imediatas após o uso.
Não se trata apenas de observar o cérebro, mas de entender como ele responde ao trabalho, ao estresse e ao descanso, algo que até pouco tempo só era possível em ambientes clínicos ou universitários.
Do monitoramento ao treino cognitivo
Indo além da medição passiva, a Neurable está expandindo sua atuação para treinamento ativo do cérebro. A plataforma já inclui um jogo controlado pela mente e exercícios de acuidade cognitiva desenhados para melhorar atenção, calma e tempo de reação. Tudo reforça o posicionamento da marca como uma ferramenta de performance mental, não apenas de bem-estar.
Gaming, eSports e resistência mental
Com o novo aporte, a empresa pretende acelerar sua entrada nos universos de gaming e eSports, onde foco sustentado, reflexos rápidos e resistência mental fazem diferença competitiva real. Nesse contexto, o cérebro passa a ser treinado com o mesmo rigor que o corpo.
Base clínica em construção
Ao mesmo tempo, a Neurable começa a estruturar sua frente clínica. Em parceria com a iMotions, a startup busca coletar dados neurais de alta qualidade para, no futuro, avançar em caminhos de diagnóstico e tratamento de condições como depressão, Alzheimer e outros distúrbios cognitivos.
O que vem pela frente
Enquanto empresas como Synchron e a Neuralink, de Elon Musk, alcançam avaliações bilionárias com BCIs implantáveis, o movimento da Neurable aponta para outro caminho: tecnologias não invasivas, baseadas em EEG, mais acessíveis e prontas para o dia a dia.
O recado é claro. O futuro das interfaces cérebro-computador não será apenas cirúrgico ou clínico. Ele passa por fones de ouvido, jogos, dados acionáveis e, cada vez mais, pela capacidade de identificar sinais precoces de doenças cognitivas antes mesmo que elas se manifestem.
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