Doze dias.
Foi esse o tempo entre a aplicação de uma proteína experimental e o momento em que Luiz Otávio Santos Nunez, de 19 anos, percebeu algo que não acontecia mais: o movimento na ponta do dedo.
Pode parecer pouco. Mas, para quem sofreu uma lesão medular e perdeu os movimentos, é gigantesco.
Luiz Otávio é o paciente mais jovem do Brasil a receber a polilaminina e o primeiro em Mato Grosso do Sul. A aplicação aconteceu no dia 21 de janeiro, no Hospital Militar de Campo Grande, após autorização judicial. O tratamento ainda está em análise pela Anvisa.
Um micro movimento virou sinal
Tetraplégico após um acidente com arma de fogo em outubro do ano passado, Luiz Otávio conta que antes não conseguia mexer a ponta do dedo indicador. Agora, consegue.
É um movimento pequeno. Quase imperceptível para quem olha de fora. Mas, para ele, é um marco. Algo que não existia antes.
Além da mão, ele também relata sensações e pequenos sinais de ativação nos nervos das pernas, áreas que haviam perdido sensibilidade e movimento após o trauma. A fisioterapia segue sendo parte central do processo.
O que é a polilaminina?
A polilaminina não surgiu agora. Ela vem sendo estudada há mais de 20 anos por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Ela é uma versão recriada em laboratório da laminina, proteína fundamental no desenvolvimento embrionário e na conexão entre neurônios.
Em lesões na medula, o problema é claro: os sinais elétricos do cérebro não chegam ao corpo porque as fibras nervosas são rompidas. A proposta da polilaminina é ajudar essas fibras a crescer novamente, restabelecendo parte da comunicação neural.
Ainda é uma pesquisa, mas os relatos clínicos começam a desenhar possibilidades.

Ciência, cautela e esperança no mesmo pacote
É importante deixar claro: não se trata de cura anunciada, nem de tratamento liberado. A substância segue em avaliação regulatória e os casos acompanhados exigem cautela, acompanhamento médico e mais dados científicos.
Mas histórias como a de Luiz Otávio mostram por que essa linha de pesquisa mobiliza tantos pacientes, médicos e cientistas. Na medicina neurológica, milímetros de avanço já são avanço.
E, às vezes, tudo começa com um dedo que volta a mexer.
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