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Novo estudo relaciona as bactérias intestinais com o ritmo de envelhecimento do cérebro

A próxima fronteira da longevidade cerebral pode estar longe da cabeça. Pesquisadores da UCLA, a Universidade da Califórnia em Los Angeles, identificaram uma ligação entre as bactérias do intestino e o ritmo em que o cérebro envelhece. O estudo foi publicado em setembro na revista científica eBioMedicine.

Como se mede a idade de um cérebro?

A equipe analisou exames cerebrais de quase 1.500 adultos, de jovens a pessoas de meia-idade. Esses exames mostram como as diferentes áreas do cérebro se comunicam quando a pessoa está em repouso.

Com esses dados, um modelo computacional estimou a idade cerebral de cada participante. Quando o cérebro aparentava ser mais velho do que a idade real, o resultado indicava envelhecimento acelerado.

O cérebro mais velho cobra a conta

A diferença não ficou só na imagem. Quem tinha o cérebro mais “velho” teve desempenho pior em testes de memória de trabalho e de funções executivas, as habilidades que sustentam o foco, a organização de tarefas e o manejo das informações do dia a dia. Esse mesmo grupo relatou mais sintomas de depressão.

Para quem lidera times e negócios, é um dado que conversa diretamente com desempenho e saúde mental.

O que o intestino tem a ver com isso?

Em 344 participantes, os cientistas também analisaram amostras de fezes. O envelhecimento cerebral mais acelerado apareceu junto de determinadas bactérias e de substâncias produzidas no intestino.

Entre elas estão as ceramidas, um tipo de gordura, e um composto que vem da quebra do colesterol. Já os níveis de estetrol, uma forma de estrogênio, apareceram mais baixos.

O estudo aponta uma associação, não uma relação de causa e efeito. Ainda não é possível dizer se o intestino altera o cérebro, se o cérebro altera o intestino ou se um terceiro fator mexe com os dois.

Mesmo com essa ressalva, o recado para o mercado de bem-estar é forte. Os sinais de envelhecimento cerebral podem surgir décadas antes do primeiro esquecimento, e o intestino pode ser uma das pistas para enxergá-los cedo. A longevidade do futuro é menos remédio para o esquecimento e mais leitura antecipada do corpo, um ecossistema em que microbioma, cérebro e personalização jogam no mesmo time.

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