Enquanto disputa as quartas de final da Copa do Mundo 2026 como capitão e maior artilheiro da história da Inglaterra, Harry Kane construiu fora de campo algo tão calculado quanto seus gols. Uma carteira de investimentos concentrada quase toda em um único setor, o do bem-estar. Nutrição saudável, tecnologia fitness, bebidas funcionais e até uma ferramenta que dá nota para a saudabilidade dos alimentos. O atacante virou, quase em silêncio, um dos investidores mais ativos do mercado de saúde e performance.
O craque virou fundo de investimento em bem-estar
Não é hobby de jogador rico. É tese. A base formal dos negócios de Kane é a HK28, empresa em que ele controla 75% da estrutura e que, até o fim de 2024, somava cerca de £ 11 milhões em caixa e ativos. A partir dessa base, o capital foi direcionado de forma consistente para marcas ligadas a comida de verdade, movimento e longevidade.
Repare no padrão. Kane não entra em qualquer negócio. Ele escolhe empresas que resolvem alguma dor concreta de saúde e usa a própria imagem como trampolim de distribuição.
Comida saudável no coração do portfólio
O maior peso da carteira está na alimentação funcional. A Bio&Me, marca de saúde intestinal com granolas, porridges e iogurtes vivos, recebeu Kane em 2021 numa rodada de £ 1,4 milhão fechada em 72 horas. A aposta envelheceu bem. Em 2026, a Bio&Me entrou na Sunday Times 100 com £ 15,9 milhões de faturamento e crescimento de 77,44% em vendas ao longo de três anos.
O apetite pelo nicho não parou. Kane investiu na Insane Grain, de snacks de sorgo, que saltou de £ 5 milhões para £ 9 milhões de receita em um ano. Entrou também na Freja, de alimentos proteicos, e na alemã-britânica 3Bears Foods, de aveia e cereais. Nem toda aposta deu certo. A Urban Legend, de donuts com menos açúcar e gordura, chegou a atrair a Mondelēz como sócia minoritária, mas entrou em reestruturação em 2025 diante das dificuldades de financiamento. Faz parte do jogo.
Da IA fitness ao score de saúde, a fronteira tecnológica
A outra metade da tese é tecnologia. Kane entrou na OxeFit, de equipamentos de ginástica conectados com inteligência artificial, quando a empresa já tinha superado US$ 45 milhões em captação, número que depois passou de US$ 70 milhões. No monitoramento de performance, apostou na STATSports em 2021 e viu a Sony comprar a fatia majoritária da companhia em 2025.
A jogada mais reveladora veio em 2026. Kane virou investidor estratégico da FoodHealth Co., dona de uma ferramenta que dá nota de 1 a 100 para a saudabilidade dos alimentos. Diferente das outras marcas, essa não depende de vender comida, e sim de vender o dado sobre a comida. É o capitão migrando do produto para a camada de inteligência do bem-estar.
A trajetória de Kane é a prova de que o dinheiro esperto do esporte enxergou o bem-estar como a próxima grande onda. Ele não está apenas emprestando o rosto para marcas, está montando um ecossistema que cobre o prato, o treino e o dado. O atleta do futuro é menos garoto-propaganda e mais gestor de portfólio. E o campo onde ele decidiu jogar pesado diz muito sobre para onde o mercado inteiro está indo., é o tipo de virada de chave que redesenha categorias inteiras de doenças.
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