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Os EUA aprovam o primeiro dispositivo para tratar a depressão em casa.

Pela primeira vez, a FDA aprovou um dispositivo que permite tratar depressão dentro de casa. Nada de hospital, nada de clínica especializada. É um headset que aplica uma corrente elétrica leve em uma área específica do cérebro ligada ao humor.

E sim, isso é grande.

Desenvolvido pela Flow Neuroscience, o dispositivo chamado FL-100, deve chegar ao mercado dos EUA no segundo trimestre de 2026 e já está sendo visto como uma alternativa real aos antidepressivos tradicionais, especialmente para quem sofre com efeitos colaterais de longo prazo.

O que é o FL-100, na prática?

Visualmente, ele parece um fone de ouvido comum. Mas o que acontece ali não é música.

O FL-100 usa uma técnica chamada estimulação transcraniana por corrente contínua (tDCS), que direciona uma corrente elétrica suave para o córtex pré-frontal dorsolateral, região associada à regulação do humor e do estresse.

Dois eletrodos ficam apoiados na testa e a sessão dura cerca de 30 minutos. O tratamento é feito em casa, com prescrição médica, e foi aprovado como uma terapia não medicamentosa, podendo funcionar de forma independente para casos de depressão moderada a grave em adultos.

Como funciona o protocolo de uso?

O tratamento segue um ciclo padrão de 12 semanas:

  • Semanas 1 a 3: 5 sessões por semana
  • Semanas 4 a 12: 2 a 3 sessões por semana
  • Cada sessão: 30 minutos

A grande diferença em relação a outras terapias elétricas já existentes é justamente essa: a aplicação acontece fora do ambiente clínico, com uma dosagem mais baixa e controlada.

E os resultados? Funcionou mesmo?

A aprovação da FDA se baseou em um estudo clínico com 174 participantes, publicado na revista Nature Medicine em 2024.

Os números chamam atenção:

  • Redução significativa dos sintomas depressivos
  • 58% dos pacientes entraram em remissão
  • Efeitos colaterais leves e temporários, como dor de cabeça e irritação na pele
  • Nenhum evento adverso grave relatado

A própria FDA reconheceu que o benefício é “modesto”, mas suficiente para superar os riscos — especialmente considerando o cenário atual da saúde mental.

Por que isso importa tanto?

Nos Estados Unidos, mais de 20 milhões de adultos convivem com depressão. Em apenas uma década, a taxa cresceu cerca de 60%, segundo dados oficiais.

Ao mesmo tempo, mais de 1 em cada 10 adultos faz uso de medicamentos antidepressivos — com uma diferença gritante entre gêneros: mulheres consomem mais que o dobro em relação aos homens.

A aprovação do FL-100 abre espaço para algo que o mercado vem pedindo há anos: mais opções, menos dependência exclusiva de fármacos e maior autonomia do paciente.

Não é uma solução mágica. Não substitui terapia. Não elimina a complexidade da saúde mental.

Mas amplia o leque. E isso, por si só, já é um avanço relevante.

Preço e disponibilidade

Segundo a CEO da Flow Neuroscience, o dispositivo deve custar entre US$ 500 e US$ 800, sem mensalidade ou taxa de assinatura — compra única.

A empresa já negocia parcerias com seguradoras e pretende anunciar opções de cobertura no início de 2026. O lançamento oficial nos EUA está previsto para meados do ano.

Detalhe importante: o headset já é usado por mais de 55 mil pessoas em regiões como Europa, Reino Unido, Suíça e Hong Kong.

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