Um novo levantamento da Starbem com quase 6 mil trabalhadores brasileiros acende um alerta: o risco à saúde mental cresce junto com o tamanho da empresa, chegando a 46% nas grandes corporações. Mas o vilão da história não é o excesso de trabalho, e sim um inimigo mais sutil que está sabotando o bem-estar corporativo.
O problema não é o volume, é a falta de vida
Ao contrário do que se imagina, a sobrecarga de tarefas não é a principal culpada pelo esgotamento. O grande fator de risco, segundo a pesquisa, é o conflito entre trabalho e vida pessoal, que atinge mais de 73% dos colaboradores em empresas de médio porte e mais de 60% nas grandes. Essa dificuldade de desconectar é um gatilho direto para a ansiedade, que já afeta entre 25% e 30% dos profissionais no país.
Liderança ausente, time desconectado
Conforme as empresas crescem, a burocracia e as hierarquias complexas criam um abismo entre líderes e equipes. Fatores como liderança distante, baixa escuta e falta de reconhecimento foram apontados como agravantes da crise de saúde mental. Essa ausência de suporte social e clareza de propósito alimenta um ciclo de estresse contínuo e mina o sentimento de pertencimento, deixando os colaboradores isolados.
Seu cérebro no modo de sobrevivência
A ciência explica o impacto biológico dessa pressão. Ambientes de trabalho estressantes ativam de forma crônica o eixo HPA, nosso sistema de resposta ao estresse, inundando o corpo com cortisol. Esse desequilíbrio hormonal afeta diretamente o cérebro: prejudica o córtex pré-frontal (responsável pela tomada de decisões), hiperativa a amígdala (centro das emoções) e impacta o hipocampo (ligado à memória). Em resumo, o estresse crônico nos deixa menos focados e mais reativos.
O recado é claro: uma cultura que ignora o equilíbrio entre vida pessoal e profissional não é apenas tóxica, é neurologicamente prejudicial. A solução exige uma mudança estrutural com foco em flexibilidade, comunicação aberta e líderes presentes. É um chamado para que as empresas repensem seus modelos e invistam em bem-estar como pilar estratégico, e não apenas como um benefício superficial.
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