O câncer de intestino costuma ser descoberto tarde demais. O SUS quer inverter essa lógica. Em novembro, a rede pública começa seu primeiro rastreamento da doença, com um teste de fezes para pessoas de 50 a 75 anos sem sintomas.
O Ministério da Saúde anunciou em 20 de outubro a distribuição de 400 mil testes imunoquímicos fecais, o FIT, aos estados. A oferta será gradual nas Unidades Básicas de Saúde, começando pelas capitais e pelas cidades com mais de 500 mil habitantes.
Como o teste funciona?
O FIT procura sangue invisível a olho nu nas fezes, que pode indicar pólipos, lesões pré-cancerígenas ou câncer. A coleta é feita em casa, sem preparo nem dieta. Quem tiver resultado positivo é encaminhado para colonoscopia.
Segundo o ministério, o teste acerta de 85% a 92% das alterações, deve ser repetido a cada dois anos e pode ampliar o acesso de mais de 40 milhões de brasileiros à detecção precoce. Outra vantagem é estratégica. Ao filtrar quem realmente precisa de colonoscopia, o FIT poupa um exame invasivo de quem tem resultado negativo e alivia a fila.
Por que agora?
O anúncio vem dias após a morte da atriz Lua Blanco, aos 39 anos, no dia 18 de outubro, poucos meses depois do diagnóstico de câncer de intestino.
Os números mostram o tamanho do desafio. O Inca estima cerca de 53,8 mil novos casos por ano no triênio 2026-2028. A Fundação do Câncer projeta alta de 36,3% nas mortes pela doença no Brasil até 2040. Entre os que morreram, 78% foram diagnosticados nos estágios 3 ou 4. O coordenador do estudo, Alfredo Scaff, já apontava a ausência de um sistema que chamasse a população para exames do intestino, como existe para mama e colo do útero.
O que o teste não resolve
O FIT é uma triagem e não confirma câncer, já que sangue nas fezes pode ter outras causas. O programa não cobre menores de 50 anos, e a chegada do teste depende do cronograma de cada município.
Quem tem sintomas, como sangue nas fezes, anemia sem explicação, perda de peso ou mudança persistente no intestino, não deve esperar o rastreamento. A recomendação é procurar atendimento em qualquer idade.
O rastreamento coloca o SUS no campo da prevenção, onde a longevidade realmente se decide. É a prova de que diagnóstico precoce é menos sobre tecnologia de ponta e mais sobre chegar antes da doença.
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