24 - 26 de Abril

Expo Center Norte - SP

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Vivemos em um tempo em que o corpo está constantemente ativado, mesmo quando aparentemente tudo está sob controle.

Palpitações, arrepios, formigamento, respiração curta… Essas sensações se tornaram cada vez mais comuns. Estão nos consultórios, nas conversas informais, nos prontos atendimentos. E muitas vezes são interpretadas como algo físico, inesperado, fora do lugar. Mas, na maioria das vezes, isso tem um nome: ANSIEDADE

O ponto é que a ansiedade não começa da forma como imaginamos. Ela não começa necessariamente com um pensamento claro, identificável, racional. Ela começa antes… O cérebro humano foi desenhado para detectar ameaças com velocidade, não com precisão. Muito do que ativa o nosso corpo hoje não passa pelo campo da consciência. Um cheiro, um ambiente, uma expressão facial, uma sensação interna… tudo isso pode estar associado a experiências passadas que o cérebro aprendeu a reconhecer como sinal de perigo.

Esse aprendizado acontece por associação. Ao longo da vida, vamos criando conexões silenciosas entre estímulos e respostas. E essas conexões não pedem autorização para acontecer. Elas simplesmente disparam.

Quando isso acontece, estruturas como a amígdala entram em ação, ativando rapidamente o sistema de estresse. E aí entra um dos principais protagonistas desse processo: o eixo hipotálamo–hipófise–adrenal, o eixo HPA.

Esse sistema coordena a resposta do corpo ao estresse. Ele libera hormônios como o cortisol, acelera o coração, ajusta a respiração, aumenta a tensão muscular. Em outras palavras, ele prepara o corpo para reagir.

E tudo isso pode acontecer antes mesmo de você entender o que está acontecendo.

Por isso, quando a pessoa tenta “pensar para sair” da crise, muitas vezes não funciona. Porque, naquele momento, não é mais uma questão de pensamento. É fisiologia. O corpo já entrou em ação.

E aqui está uma das viradas mais importantes quando falamos de saúde mental no contexto do bem-estar: não é possível regular um corpo ativado apenas com esforço cognitivo. É preciso envolver o corpo no processo de regulação.

Quando o sistema de estresse é ativado, ele gera energia. Uma energia que foi biologicamente projetada para o movimento. Para correr, lutar, reagir.

O problema é que, hoje, essa ativação acontece em contextos em que o movimento não acontece. A energia fica. E um corpo com energia acumulada não desacelera facilmente.

É por isso que o exercício físico — mesmo em formas simples e breves — pode ser um dos caminhos mais diretos para a regulação. Não como performance, não como estética, mas como fisiologia aplicada.

Movimentos curtos, intencionais — caminhar mais rápido, subir escadas, agachar — ajudam o corpo a completar essa resposta que foi iniciada. É como se você desse um destino para a ativação.

Depois disso, a respiração começa a funcionar melhor. O corpo entende que pode sair do estado de alerta. E, só então, a mente acompanha.

O que muitas vezes parece um problema emocional é, na prática, um sistema tentando se regular sem as ferramentas adequadas. E é aqui que entra uma organização simples desse processo.

Um caminho possível é o que eu chamo de método V.A.Z.A. Validar que o corpo entrou em alerta — sem luta, sem negação. Ativar o corpo com movimento — dando vazão à energia. Zerar o ritmo com a respiração — desacelerando o sistema. Alinhar o comportamento — escolhendo como agir, e não apenas reagir.

Não se trata de evitar a ansiedade. Nem de controlar cada sensação. Se trata de entender o que está acontecendo — e responder de forma mais alinhada com o funcionamento do próprio corpo.

Porque, no fim, talvez a pergunta não seja “como eu faço isso parar?”

Mas sim: “como eu ajudo o meu corpo a terminar o que ele começou?”

E quando essa chave vira, a ansiedade deixa de ser apenas um sintoma… e passa a ser um sinal de um sistema que, na verdade, está tentando funcionar.