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Remédio experimental faz o fígado de ratos idosos voltar a filtrar como o de jovens

A longevidade pode começar por um órgão que quase ninguém associa ao envelhecimento. Pesquisadores da Escola de Medicina Keck, da Universidade do Sul da Califórnia, fizeram o fígado de ratos idosos voltar a filtrar o sangue como o de animais jovens. Bastaram duas semanas de um remédio experimental chamado cinaciguat. O estudo saiu no Journal of Biological Chemistry.

O que acontece com o fígado quando envelhecemos?

O fígado tem células que funcionam como uma peneira. Elas têm pequenos furos por onde passam as substâncias que o órgão precisa retirar do sangue, como gorduras e proteínas. Com a idade, esses furos diminuem ou somem, um processo que a ciência chama de pseudocapilarização. A peneira entope e a limpeza do sangue perde eficiência.

Duas semanas para virar o jogo

Os ratos idosos receberam cinaciguat todos os dias por duas semanas. O remédio ativa uma enzima que aumenta um mensageiro químico interno, o cGMP. Nas células da peneira dos animais velhos, esse mensageiro estava 60% abaixo do nível dos jovens. Com o tratamento, ele voltou ao normal e os furos reapareceram por completo.

O efeito chegou ao sangue. A beta-amiloide caiu pela metade e voltou ao nível dos animais jovens. O colesterol LDL também recuou ao patamar de um rato jovem. Os pesquisadores encontraram a explicação. O tratamento faz as células da peneira liberarem um fator de crescimento que estimula as células vizinhas a produzir mais receptores de LDL, estruturas que diminuem com a idade.

E o Alzheimer, entra nessa conta?

A beta-amiloide é a proteína que forma as placas ligadas ao Alzheimer no cérebro. Por isso o resultado chama atenção. Os próprios cientistas, no entanto, pedem cautela, porque menos proteína circulando no sangue não significa menos placas no cérebro.

A aposta é estratégica. Alcançar o fígado com um remédio é bem mais simples do que atravessar a barreira que protege o cérebro. Tudo, por enquanto, foi testado apenas em animais.

O estudo reforça uma ideia que ganha força na ciência da longevidade. Envelhecer não é um processo único, é a soma de órgãos perdendo função em ritmos diferentes. Tratar o envelhecimento de um órgão específico pode ser o trampolim para reduzir riscos que aparecem lá na frente, do coração ao cérebro.

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