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Anvisa aprova o Wegovy em comprimido, o primeiro GLP-1 oral para obesidade no Brasil

Esqueça a agulha como única porta de entrada para o tratamento da obesidade com semaglutida. A Anvisa aprovou o Wegovy em comprimido, da Novo Nordisk, em decisão publicada no Diário Oficial da União na quarta-feira (4). É o primeiro remédio da classe GLP-1 em comprimido liberado no Brasil para obesidade.

O pedido tinha sido feito pela farmacêutica em 30 de janeiro. Pouco mais de nove meses depois, o mercado brasileiro de tratamento da obesidade ganha um novo formato.

Como o comprimido funciona?

O princípio ativo é a semaglutida, o mesmo da caneta. Ela imita um hormônio produzido pelo intestino que ajuda a controlar a fome. A diferença está na rotina. A caneta é aplicada uma vez por semana. O comprimido é tomado todo dia, em jejum, com pouca água, e é preciso esperar pelo menos 30 minutos antes de comer, beber ou tomar outros remédios.

A dose final é de 25 mg por dia, bem acima dos 2,4 mg da injeção semanal. Isso não significa que o comprimido seja mais forte. Parte da substância se perde na digestão, e a dose maior compensa essa perda.

No principal estudo, o OASIS 4, publicado no The New England Journal of Medicine, os participantes perderam em média 13,6% do peso em 64 semanas. No grupo placebo, a perda foi de 2,2%.

Quem pode usar e quando chega?

O comprimido vale para adultos com obesidade, ou com sobrepeso e pelo menos uma doença ligada ao peso. Segundo a Anvisa, a nova apresentação também permite que o médico planeje a troca entre a versão injetável e a oral.

Ainda não há preço nem data confirmada para as farmácias. A chegada depende da definição de preço. Até aqui, a única semaglutida oral à venda no país era o Rybelsus, da mesma fabricante, indicado apenas para diabetes tipo 2.

Um mercado que está mudando de formato

O movimento da Novo Nordisk não acontece no vácuo. A patente da semaglutida já caiu no Brasil, o que abre espaço para novos concorrentes. Lá fora, a Eli Lilly já tem aprovada a orforgliprona, outro GLP-1 em comprimido, também em análise pela Anvisa. A disputa agora não é só por eficácia, é por conveniência, adesão e preço.

Para muita gente, a agulha é uma barreira real. Um comprimido pode trazer para o tratamento quem nunca quis começar. O tratamento da obesidade do futuro é menos sobre um único produto e mais sobre opções que cabem na rotina de cada paciente. O uso, vale reforçar, depende de indicação e acompanhamento médico.

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