HYROX volta às mãos dos fundadores, investe na concorrência e mira o mundo inteiro

Christian Toetzke e Moritz Fürste acabam de fazer algo raro no mercado esportivo. Eles recompraram o controle da empresa que criaram. A dupla voltou a deter a maioria acionária da HYROX em uma transação que avalia a série global de corridas fitness em cerca de 700 milhões de dólares, com a Infront Sports and Media deixando totalmente a sociedade e dois novos sócios minoritários entrando em cena, a L Catterton, gestora de private equity ligada à LVMH, e a WndrCo, fundo de Jeffrey Katzenberg. Por que um fundador recompra a própria empresa A Infront investiu na HYROX em 2019 e assumiu o controle em 2022, período em que a marca ganhou escala internacional. O que os fundadores compraram de volta não foi apenas participação, foi o comando da direção estratégica. Em vídeo de anúncio, eles falaram em construir a empresa pensando em décadas, não nos próximos anos. Essa diferença de horizonte importa. Ativo de participação em massa sob gestão puramente financeira tende a seguir um roteiro conhecido, com aumento de ticket e foco crescente em receita de transmissão e de público espectador. Com a maioria nas mãos de quem criou o formato, quem decide o preço da inscrição e o ritmo de abertura de novas cidades é quem tem a relação direta com o atleta. O tamanho real da corrida fitness A HYROX nasceu em 2017 com uma única prova em Hamburgo. A temporada 2025/26 fechou com mais de 100 eventos e 1,4 milhão de participantes, e a companhia projeta ultrapassar 2 milhões de atletas em 2026/27. Ao redor disso existem cerca de 13 mil academias afiliadas e parcerias com Puma, Red Bull, Centr e Amazon. Esse é o ponto que muita gente do setor ainda subestima. A HYROX não vende um evento, vende um objetivo. A academia afiliada ganha um motivo concreto para o aluno treinar por meses, a marca esportiva ganha um calendário de lançamento e o atleta amador ganha uma meta com data marcada. É um ecossistema fechado onde treino, produto e competição se alimentam. Apostar na concorrente é apostar na categoria O detalhe mais estratégico do anúncio passou quase despercebido. Toetzke e Fürste também entraram, via WndrCo, como investidores da XENOM, outra plataforma de competição fitness. À primeira vista parece contradição. Na prática é leitura de mercado. Eles estão dizendo que a categoria de corrida híbrida ainda está longe do teto e que crescer o bolo vale mais do que defender fatia. Some a isso a ambição declarada de buscar reconhecimento olímpico e o desenho fica claro. A dupla não quer apenas administrar uma empresa de eventos, quer consolidar uma modalidade esportiva. São jogos diferentes, com valuations diferentes. É a prova de que o fitness competitivo deixou de ser subcultura de academia e virou indústria de entretenimento em massa, com fundo de private equity na mesa e ambição olímpica no horizonte. O bem-estar do futuro é menos assinatura mensal e mais pertencimento, e quem vende linha de chegada está vendendo exatamente isso. Quer continuar por dentro do que realmente está acontecendo no wellness? A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor. Se inscreva em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/

10 minutos de um exercício bem leve podem melhorar a função cerebral e o humor

Culpar a falta de tempo pela falta de treino acaba de ficar mais difícil. Pesquisadores da Universidade de Tsukuba, no Japão, colocaram 24 adultos saudáveis para correr dez minutos numa esteira em ritmo quase de caminhada, entre 3 e 6 km/h, o equivalente a cerca de 35% do consumo máximo de oxigênio. O resultado saiu na revista Imaging Neuroscience. Humor melhor, desempenho cognitivo melhor e o córtex pré-frontal lateral esquerdo mais ativo. Sem suor, sem fadiga, sem academia. O que realmente acontece em dez minutos A equipe liderada por Hideaki Soya usou espectroscopia no infravermelho próximo para acompanhar a atividade cerebral e aplicou o teste de Stroop, que mede o quanto seu cérebro consegue segurar um impulso automático e responder com controle. Depois da corrida lenta, o tempo de interferência caiu. Em bom português, os participantes ficaram mais rápidos e mais precisos para decidir sob ruído mental. O achado conversa com uma linha de pesquisa que o mesmo grupo vem construindo. Em 2018, um estudo publicado na PNAS já havia mostrado que dez minutos de exercício muito leve melhoram a memória dependente do hipocampo. O padrão que se repete é claro. O ganho cognitivo não está preso à intensidade, está preso ao fato de você sair da cadeira. A dose mínima virou o novo produto Enquanto a indústria fitness vendeu por uma década a lógica do treino duro ou nenhum treino, a ciência foi para o lado oposto e encontrou valor na dose pequena. Outro estudo, publicado na Nature Medicine com 296 adultos acompanhados por anos, mostrou que de 3 mil a 5 mil passos diários já desaceleram o acúmulo de proteína tau e o declínio cognitivo, com o benefício estabilizando entre 5 mil e 7,5 mil passos. O famoso alvo de 10 mil passos nunca foi a linha de corte. Isso reposiciona um público inteiro. A pessoa sedentária, que sempre foi tratada como alguém a ser convertida em atleta, passa a ser um cliente que precisa de um produto de entrada com resultado comprovado. Baixa intensidade, dez minutos, entrega mensurável. É um nicho gigante e mal atendido. O que muda para quem vende bem-estar corporativo Para o mercado de saúde ocupacional, o dado é ouro. Pausa ativa deixa de ser cortesia de RH e vira intervenção com evidência de impacto em foco, memória e humor, justamente as variáveis que determinam produtividade e retenção de talentos. Dez minutos cabem em qualquer agenda executiva, o que derruba a principal objeção de adesão em programas corporativos. O jogo agora é de personalização e frequência, não de esforço. Apps, wearables e operadoras de saúde que conseguirem prescrever microdoses de movimento no momento certo do dia vão criar um hábito muito mais sustentável do que qualquer desafio de 30 dias já criou. É a prova de que a fronteira entre exercício e saúde mental deixou de existir. O bem-estar do futuro é menos performance heroica e mais consistência inteligente, e quem transformar isso em produto vai alcançar as pessoas que a indústria fitness nunca conseguiu sequer colocar na porta. Quer continuar por dentro do que realmente está acontecendo no wellness? A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor. Se inscreva em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/

Rock in Rio entra no mundo wellness e prepara sua própria corrida de rua

Esqueça a imagem do festival como território exclusivo da madrugada. No último dia da edição de 2026, o Rock in Rio anunciou a Rock in Run, sua primeira corrida de rua, marcada para setembro de 2028. A largada acontece ao pôr do sol, com percursos de 5 km e 10 km pelo Rio de Janeiro, e a linha de chegada fica dentro da Cidade do Rock, no dia do evento-teste. Quem cruza o arco não encerra a prova. Começa a festa. A ideia não veio do marketing, veio do público Roberta Medina, vice-presidente executiva da Rock World, contou que o pedido por uma corrida dentro da Cidade do Rock circulava entre os fãs havia tempos. A decisão foi ampliar o roteiro, levar o corredor para as ruas da cidade e reservar o estádio para o encerramento. O desenho da prova entrega kit, medalha temática, brindes de patrocinadores, shows, gastronomia e até sósias de artistas no percurso. Isso muda a natureza do produto. Não é uma prova esportiva com trilha sonora, é uma experiência de festival vendida em quilômetros. E repare na jogada operacional. O Rock in Rio testa toda a estrutura antes da edição oficial e transforma o evento-teste, que sempre foi bastidor, em um ativo com público pagante. O sportainment saiu do nicho Os números da edição de 2026 explicam por que a aposta faz sentido. Foram mais de 700 mil pessoas em sete dias, sendo 49% vindas de fora do estado do Rio, com fãs de 89 países. O impacto econômico chegou a R$ 3,36 bilhões, com 33,9 mil empregos diretos e indiretos, 190 shows e mais de 1.300 artistas em cena. Uma base desse tamanho já é uma comunidade pronta. Falta apenas um motivo para ela se encontrar fora dos dias de show. Daniel Krutman, CEO da Ticket Sports, lê o movimento como parte de uma troca de comportamento mais ampla, com a queda no consumo de álcool entre os jovens sinalizando uma migração da noite para o dia. O festival que percebe isso não está diversificando receita, está defendendo relevância. O que abre para quem vende bem-estar Uma corrida cria pontos de contato que um festival bienal nunca vai sustentar sozinho. Treino, inscrição, nutrição, vestuário, calçado, recuperação e tecnologia de monitoramento entram em cena meses antes da largada, e continuam depois dela. É um funil de engajamento que roda o ano inteiro dentro de uma marca que o público já ama. Para patrocinadores do setor de saúde, muda o tipo de ativação disponível. Em vez de um estande no meio de um festival, você passa a ter um consumidor em preparação, com objetivo definido, disposto a mudar hábito e a comprar produto para chegar lá. É o tipo de audiência que marcas de performance e longevidade gastam fortunas tentando construir do zero. É a prova de que entretenimento e longevidade pararam de disputar a agenda do mesmo consumidor. O público que quer dançar até de madrugada é o mesmo que acorda cedo para treinar, e quem enxergar essa jornada dupla primeiro vai ocupar um espaço que ainda está em aberto no mercado brasileiro. Quer continuar por dentro do que realmente está acontecendo no wellness? A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor. Se inscreva em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/

O treino mudou de endereço. E os equipamentos também.

Pensa em onde você treinou na última semana. Talvez tenha sido na academia perto de casa. Talvez no studio do seu personal, na academia do prédio antes de começar o dia ou naquele canto da casa que, aos poucos, virou espaço de treino. Há alguns anos, essa resposta seria bem mais previsível. Quando se falava em equipamento de alto padrão, o cenário era quase sempre o mesmo: grandes academias, redes de alto fluxo e centros de treinamento com estrutura de sobra. Só que o movimento saiu desse lugar fixo e foi atrás das pessoas. Tem quem corra trinta minutos na esteira do condomínio antes de abrir o notebook. Tem quem prefira a calma de um studio pequeno a uma academia lotada. E tem quem só consiga manter o hábito quando o treino está a poucos passos de casa. Cada um desses lugares vive uma realidade diferente. Tem o espaço que recebe centenas de pessoas por dia. Tem o studio onde cada metro quadrado importa. Tem o condomínio que precisa atender do morador que caminha para desacelerar a cabeça ao que está treinando para a primeira prova de corrida. E tem quem queira uma estrutura em casa sem transformar a sala em academia. Durante muito tempo, escolher equipamento para esses espaços significava abrir mão de alguma coisa. Ou se investia em uma estrutura robusta e tecnológica, ou se buscava uma alternativa mais acessível, sabendo que ela talvez não aguentasse o uso de verdade. E quem treina sente essa diferença nos detalhes. Na esteira que trava no meio da corrida. No aparelho parado há semanas com um aviso de manutenção. Na desculpa a mais para não voltar no dia seguinte. É essa divisão que algumas marcas do setor começaram a questionar. A Iron Kraft é uma delas. O fitness brasileiro não cabe mais em um único modelo Os números ajudam a entender essa mudança. Segundo o Panorama Setorial Fitness Brasil, o número de CNPJs ativos de academias quase triplicou em dez anos, saindo de 22.581 em 2015 para pouco mais de 60 mil em 2025. A projeção é chegar a 70 mil até 2027. Mas esse crescimento não acontece só dentro das academias tradicionais. Ele também está chegando mais perto de casa. Uma pesquisa da Brain Inteligência Estratégica, feita em junho de 2026 com 1.200 pessoas, mostrou que a academia empata com a piscina como o item de lazer mais valorizado por moradores de condomínios, citada por 56% dos entrevistados. Ainda assim, só 34% dos prédios têm uma. As pessoas querem se movimentar onde a vida já acontece. E ainda existe uma distância grande entre esse desejo e a estrutura disponível. Faz sentido. Quanto menor o caminho entre a vontade de treinar e o treino em si, mais fácil é transformar movimento em rotina. Só que cada espaço pede uma resposta diferente. Uma grande rede precisa de equipamentos que aguentem alto fluxo e uso contínuo. Um studio precisa aproveitar cada metro. Em casa ou no condomínio, espaço e investimento pesam ainda mais na decisão. Não existe mais um único aluno padrão. E, por consequência, também não deveria existir um único tipo de estrutura. Uma marca construída por quem também treina A Iron Kraft entra nessa história por um caminho que ajuda a explicar suas escolhas: ela nasceu de gente que conhece bem o outro lado da máquina. Fundada em 2019, a marca surgiu do encontro entre experiência em comércio exterior e uma relação muito pessoal com o esporte. Guilherme, CEO da empresa, cresceu em uma família com mais de 25 anos de atuação no comércio internacional. Fora do trabalho, pratica musculação, corrida, endurance, mountain bike e artes marciais. Quem treina com essa frequência percebe rápido o que ajuda e o que atrapalha. Ao lado dos sócios Toni e Danilo, ele identificou uma lacuna no mercado brasileiro: faltavam equipamentos que unissem qualidade, robustez e estética sem ficar distantes da realidade financeira de quem compra. Foram cerca de três anos de estruturação, pesquisa e desenvolvimento até o início da operação comercial, em 2021. A presença consecutiva em grandes eventos do setor, como a Fitness Brasil, ajudou a marca a ganhar espaço dentro e fora do país. Mas o que chama mais atenção é o jeito como a Iron Kraft enxerga quem está do outro lado. A ideia que guia a marca cabe em uma frase: treino é para todos. Na prática, isso vira um portfólio pensado para realidades bem diferentes. Ele passa pela academia de bairro, com a energia de espaços como a Mansão Maromba, marca do Toguro com quem a Iron Kraft tem parceria, e chega aos centros de treinamento mais exigentes, com linhas como a série FORGE. A marca também está presente em redes como SKY FIT, Selfit e Ultra Academias. São públicos e contextos diferentes, com uma exigência em comum: o equipamento precisa funcionar tão bem para quem chega às seis da manhã quanto para quem só consegue treinar depois do expediente. Duas esteiras, duas realidades, o mesmo padrão Foi dentro dessa lógica que a Iron Kraft apresentou, na Fitness Brasil 2026 oficialmente, duas novas esteiras da linha Cardio Performance, a HYPER+ e a DYNAMIC. A HYPER+ é o modelo profissional e o carro-chefe da linha. Pensada para centros de treinamento e academias de grande porte, é uma esteira profissional Iron Kraft feita para ambientes de uso intenso, onde a máquina quase não descansa e precisa entregar a mesma experiência para quem caminha, para quem faz um treino intervalado e para quem está se preparando para a próxima prova. A DYNAMIC nasce de outra necessidade. Mais compacta, foi pensada para studios pessoais e academias menores, lugares onde o espaço importa tanto quanto a própria máquina. Pelo custo-benefício, também faz sentido em condomínios e residências, para quem quer um cardio de qualidade por perto sem ocupar o ambiente inteiro. É uma esteira compacta residencial que leva a lógica de um equipamento de performance para espaços menores. No dia a dia, isso pode ser a diferença entre depender de sair de casa

Café em excesso pode enfraquecer os ossos de mulheres acima de 65 anos, sugere estudo

Esqueça a briga sobre café ser vilão ou herói. O que decide o jogo é a dose. Pesquisadores da Flinders University, na Austrália, analisaram o consumo de café e chá de 9.704 mulheres com 65 anos ou mais ao longo de dez anos. Duas a três xícaras por dia não mostraram prejuízo aos ossos. Acima de cinco, a densidade mineral óssea foi menor. Fox NewsFlinders University A equipe usou dados do Study of Osteoporotic Fractures, com medições repetidas do consumo das bebidas e da densidade óssea no quadril e no colo do fêmur, áreas muito ligadas ao risco de fratura. O estudo foi publicado na revista Nutrients. News-Medical Onde está a linha do excesso? A cafeína é a principal suspeita. Estudos de laboratório mostram que ela interfere na absorção de cálcio e no metabolismo ósseo, embora esses efeitos sejam pequenos e possam ser compensados com a adição de leite. News-Medical O cenário piora quando o álcool entra em campo. Nas mulheres com maior consumo de álcool, o café esteve associado a menor densidade óssea no colo do fêmur. É o tipo de combinação que transforma um hábito comum em campo minado. nih O chá entrou em quadra Do outro lado, o chá teve resultado positivo. Quem bebia chá apresentou densidade óssea do quadril levemente maior do que quem não bebia. A diferença foi modesta, mas estatisticamente significativa. Flinders University Parece pouco, só que em escala muda o jogo. Segundo o pesquisador Enwu Liu, pequenos ganhos de densidade óssea podem significar menos fraturas em grandes populações. O benefício foi mais evidente em mulheres com obesidade, e a explicação provável está nas catequinas, compostos abundantes no chá que podem estimular a formação óssea e frear sua degradação. News-MedicalScienceDaily O que o estudo não diz? A pesquisa é observacional. Ela mostra associação, e não causa e efeito. As participantes eram, em sua maioria, mulheres brancas, o que limita a aplicação direta dos resultados a outras populações. nih O tema, porém, é grande demais para ignorar. No mundo, cerca de uma em cada três mulheres com 50 anos ou mais sofre fraturas por osteoporose. Para marcas de bebidas funcionais e para quem desenha programas de longevidade feminina, a lição é personalização. A mesma xícara pode ter efeitos diferentes dependendo do consumo de álcool, do peso e da fase da vida. nih O bem-estar do futuro é menos proibição e mais dose certa, no contexto certo. E às vezes a estratégia de longevidade começa no que você coloca na xícara. Quer continuar por dentro do que realmente está acontecendo no wellness? A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor. Se inscreva em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/

Carne processada eleva risco de câncer no estômago e no esôfago, aponta estudo com 450 mil pessoas

Colocar toda carne no mesmo saco é simplificar demais o jogo. Um estudo europeu com 450.112 pessoas, acompanhadas por 14,1 anos em média, investigou a relação entre carne vermelha, processada e branca e os tumores de estômago e esôfago. A carne vermelha não mostrou associação significativa com o risco geral. A processada, sim. A pesquisa foi liderada pelo grupo de Nutrição e Câncer do IDIBELL e do Instituto Catalão de Oncologia, na Espanha, com dados do EPIC, uma das maiores coortes do mundo sobre alimentação e câncer. Os resultados saíram no International Journal of Cancer. Os participantes vinham de 10 países europeus. O que os números mostram? A cada 30 gramas adicionais de carne processada por dia, o risco de câncer gástrico subiu 9%. O de adenocarcinoma de esôfago subiu 13%. Para ter uma ideia de escala, uma fatia comum de presunto pesa por volta de 28 gramas. A associação foi mais marcada no câncer gástrico do tipo intestinal, um dos principais subtipos da doença, e se manteve consistente entre diferentes formas do tumor. Os números pedem leitura com calma. Ao longo do acompanhamento, foram identificados 876 casos de câncer gástrico e 215 de adenocarcinoma de esôfago. A própria OMS lembra que o risco individual é relativamente baixo e depende da quantidade consumida. O aumento percentual acontece sobre uma base pequena, mas pesa quando multiplicado por uma população inteira. Por que o processamento faz diferença? Carne processada é aquela modificada para ganhar sabor ou durar mais, por cura, defumação, salga ou conservantes, caso de salsicha, presunto e bacon. Um dos caminhos apontados pelos pesquisadores é o sal. Esses produtos elevam a ingestão de sódio, que irrita a mucosa do estômago e pode provocar inflamação e dano. O alerta não é novo, mas ficou mais amplo. A carne processada já é classificada como cancerígena para humanos pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer, com ligação forte com o câncer colorretal. O novo estudo estende a evidência para outros tumores digestivos. Um achado ainda precisa de confirmação. Entre mulheres, 20 gramas a mais de carne branca por dia estiveram ligados a mais risco de câncer na região não cárdica do estômago. Entre homens, só a carne processada mostrou associação. O que isso sinaliza para a indústria de alimentos? O estudo tem limites claros. O consumo de carne foi registrado uma única vez, no início, e pode ter mudado com os anos. Sozinha, a pesquisa não prova causa e efeito. Ainda assim, o recado para quem vende comida é direto. Reformular produtos com menos sal e conservantes, apostar em proteínas minimamente processadas e repensar cardápios corporativos deixa de ser tendência e vira vantagem competitiva. Paula Jakszyn, diretora do estudo, reforça que o risco depende do conjunto da dieta e do estilo de vida, e não de um único alimento. A alimentação voltada à longevidade é menos sobre cortar grupos inteiros e mais sobre entender o caminho que o alimento percorreu até chegar ao seu prato. Quer continuar por dentro do que realmente está acontecendo no wellness? A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor. Se inscreva em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/

Gordura abdominal pesa mais na testosterona do que a idade

A velha lógica de que a testosterona cai porque o homem envelhece está com os dias contados. Um estudo publicado no Journal of the Endocrine Society analisou dados de 4.948 homens americanos, entre 20 e 59 anos, da pesquisa nacional de saúde NHANES, de 2011 a 2016. O fator que mais pesou no hormônio não foi a idade. Foi a gordura visceral. PubMed Central Quando os pesquisadores colocaram a distribuição de gordura na conta, a idade perdeu protagonismo e passou a ter só uma associação modesta com os níveis do hormônio dentro dessa faixa etária. Science Alert Por que a gordura da barriga mexe tanto com o hormônio? A gordura visceral não é aquela que você belisca na cintura. Ela fica nas camadas profundas do abdômen, envolve órgãos como fígado, estômago e intestinos e concentra muitos receptores de testosterona, o que a torna especialmente sensível ao hormônio. Science Alert O mecanismo ainda não está fechado, mas as pistas são fortes. Esse tecido favorece a resistência à insulina, que pode atrapalhar a forma como células dos testículos transformam colesterol em testosterona. Ele também ativa vias inflamatórias que aumentam a conversão do hormônio em estradiol. Science Alert O IMC não enxerga o jogo inteiro Aqui está a virada de chave. IMC e circunferência da cintura, as réguas mais usadas para medir obesidade, não mostram como a gordura está distribuída no corpo. PubMed Central A diferença aparece nos números. Entre homens com peso considerado normal, quem tinha pouca gordura visceral registrou testosterona média de 542 ng/dL. Quem tinha muita gordura visceral, com o mesmo peso normal, ficou em 353 ng/dL. Endocrinologyadvisor Na prática, um jovem com IMC saudável pode ter gordura visceral escondida afetando o hormônio. E um homem mais velho e musculoso pode ser apontado como risco só por causa da idade e do IMC. Para os autores, a baixa testosterona deve ser entendida como um traço da gordura visceral, e não da obesidade medida pelo IMC. Science AlertOxford Academic O que muda para o mercado de saúde masculina? Esse recado mexe com um mercado acostumado a tratar testosterona baixa com reposição hormonal. Os pesquisadores Karl Friedl e Adam Potter, do Instituto de Pesquisa em Medicina Ambiental do Exército dos EUA, defendem investigar o perfil de gordura e os fatores metabólicos reversíveis antes de iniciar qualquer terapia com testosterona. Eles colocam a redução da gordura visceral como alvo principal para recuperar a produção natural do hormônio. Science AlertOxford Academic Para clínicas, academias e plataformas de saúde, o campo de jogo muda. Ganha espaço quem mede composição corporal de verdade, como o exame de DEXA usado no estudo, e quem entrega programas focados em reduzir a gordura profunda. A repercussão do estudo já aponta que intervenções nessa direção, incluindo remédios como Ozempic e Wegovy, podem atacar o problema de forma mais direta do que a reposição sozinha. Science Alert Uma ressalva importante. A análise olhou os participantes em um único momento, então mostra associação, e não causa e efeito. A saúde hormonal masculina do futuro é menos reposição e mais composição corporal. Quem entender que essa conversa começa na barriga, e não no receituário, sai na frente. Quer continuar por dentro do que realmente está acontecendo no wellness? A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor. Se inscreva em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/

OXXO transforma loja em Red Bull e escancara a força dos energéticos entre os jovens

Esqueça a loja de conveniência genérica. O OXXO inaugurou no dia 24 de agosto uma unidade inteiramente tematizada com a Red Bull, bem em frente à PUC Campinas, no interior de São Paulo. Fachada e interior foram envelopados com a campanha Red Bull White Edition, sabor que a rede vende com exclusividade. A ativação fica dois meses no local. Por que em frente a uma universidade? O endereço conversa direto com o público que está puxando a categoria. Entre consumidores de 16 a 24 anos, os energéticos cresceram 30,6%, segundo levantamento do Citi. E o hábito saiu de casa. De acordo com a Kantar, o consumo fora do lar alcançou 54% mais gente em um ano. A conveniência vira o ponto de encontro entre a rotina acelerada e a lata na mão. Energético virou categoria estratégica Para o OXXO, a aposta tem lastro. As vendas de energéticos na rede cresceram 35% em 12 meses, e a categoria já responde por 27% das bebidas não alcoólicas vendidas ali. O horário de consumo revela ainda mais. Do total de energéticos que saem da rede, 27% são vendidos entre 6h e 12h, muitas vezes no mesmo carrinho que o pão de queijo e a coxinha. O energético entrou de vez na rotina da manhã. E o bem-estar nessa equação? Esse é o lado do jogo que não pode ficar fora do radar. Uma lata de energético tem cerca de 80 mg de cafeína, e o consumo frequente por adolescentes está associado a insônia, ansiedade e alteração no ritmo cardíaco. Se você está no varejo ou numa marca de bebidas, o crescimento entre os mais jovens é uma oportunidade evidente. Se você está no mercado de saúde e bem-estar, é um alerta sobre hábitos que se formam cedo e um espaço aberto para quem conseguir entregar energia sem cobrar a conta no sono e na saúde mental. É a prova de que a disputa pela energia do consumidor jovem está sendo travada no balcão da conveniência, logo cedo. Quem souber equilibrar performance e bem-estar nessa corrida sai na frente. Quer continuar por dentro do que realmente está acontecendo no wellness? A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor. Se inscreva em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/

Idosa com Alzheimer avançado volta a conversar após receber psilocibina, mostra relato clínico

Dez anos de Alzheimer. Cinco anos falando quase só em monossílabos. E, de repente, quase 4 horas de conversa. Um relato clínico publicado na revista Frontiers in Neuroscience em 28 de maio de 2026 descreve o caso de uma mulher nipo-americana com mais de 80 anos que voltou a falar depois de receber cogumelos com psilocibina, a substância ativa dos chamados cogumelos mágicos. O que aconteceu com a paciente? Ela recebeu 5 gramas de cogumelos por via oral, sob supervisão médica. Cerca de 19 horas depois, acordou e conversou por quase 4 horas, puxando memórias da própria vida. A virada não parou na fala. No segundo dia, voltou a andar sozinha. Entre o segundo e o terceiro dia, passou a se vestir sem ajuda e recuperou o controle da urina, perdido havia mais de 5 anos. Por que é cedo para comemorar? Os especialistas pedem cautela, e com razão. Trata-se de um caso único, sem exame de imagem, sem escala cognitiva padronizada e sem grupo de comparação. Os próprios autores, Lago, Cerveira e Simonet, afirmam que não houve reversão da doença e que os ganhos foram temporários. Existe ainda um ruído nessa história. O nome e a foto de uma idosa que circulam nas redes ligados ao caso não fazem parte do estudo. E nada disso autoriza qualquer uso da substância por conta própria. O que fica de aprendizado? O caso não prova tratamento. Mas indica que funções antigas podem seguir guardadas no cérebro doente, mesmo em estágio avançado. Se você acompanha a agenda da longevidade, essa pergunta tem peso. Quando capacidades que pareciam perdidas dão sinais de que ainda estão lá, a busca por caminhos seguros e comprovados para preservá-las ganha um novo sentido para a pesquisa e para todo o ecossistema de saúde do cérebro. É a prova de que, na ciência, um caso isolado não vira protocolo, mas pode virar pergunta. E, quando o assunto é o cérebro, uma boa pergunta costuma ser o primeiro passo para as próximas descobertas. Quer continuar por dentro do que realmente está acontecendo no wellness? A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor. Se inscreva em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/

Cientistas descobrem conexão entre a bactéria H. pylori e o câncer no intestino

Durante muito tempo, a H. pylori teve endereço fixo no estômago. A bactéria ficou conhecida por causar gastrite, úlceras e câncer gástrico. Agora, uma revisão de 43 estudos com quase 50 milhões de participantes mostra que ela também aparece associada a parte dos tumores do intestino grosso. O que a pesquisa realmente mostra? Os pesquisadores encontraram uma conexão estatística entre ter a bactéria e desenvolver câncer colorretal. A associação global ficou em torno de 22%, mas o número muda bastante de uma região para outra. Nas Américas, ela cai para aproximadamente 11%. E aqui está o detalhe que faz toda a diferença. A revisão não prova que a H. pylori causa o câncer diretamente. Os especialistas lembram que ter a bactéria não é sinônimo de desenvolver a doença, e que a relação ainda precisa de mais investigação para confirmar se existe causa ou apenas associação. O intestino entrou de vez no tabuleiro da prevenção O estudo faz parte de uma mudança maior. Cientistas estão mapeando como as bactérias do trato digestivo influenciam diferentes tipos de câncer, e não só o de estômago. Se você atua em saúde e bem-estar, esse é um sinal claro de para onde a conversa caminha. A saúde intestinal deixa de ser assunto restrito à digestão e ganha espaço estratégico na agenda de prevenção. Quanto mais a ciência entende esse ecossistema, maior o terreno para abordagens personalizadas, que olham para dentro do corpo antes de a doença dar sinais. É a prova de que o intestino está longe de ser coadjuvante. O cuidado do futuro é menos sobre tratar o órgão isolado e mais sobre entender as conexões que atravessam o corpo inteiro. Quer continuar por dentro do que realmente está acontecendo no wellness? A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor. Se inscreva em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/