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SemaClique chega às farmácias e a EMS coloca duas marcas de semaglutida em campo

A guerra das canetas de semaglutida no Brasil acaba de ganhar mais um jogador em quadra. A partir desta sexta, 6 de novembro, o SemaClique começa a ser vendido nas farmácias do país. A caneta é da Brace Pharma, farmacêutica do Grupo EMS, e chega disputando preço e conveniência.

A semaglutida é a substância do Ozempic e do Wegovy, da dinamarquesa Novo Nordisk. A patente da molécula caiu no Brasil em março, e desde então versões nacionais começaram a ocupar espaço. O SemaClique foi aprovado pela Anvisa em agosto, com indicação para diabetes tipo 2, sempre junto com alimentação equilibrada e atividade física. A compra exige receita médica em duas vias.

O que muda no bolso de quem trata?

Cada caneta custa R$ 464,81. No combo com três unidades, o preço cai para R$ 333 cada. Hoje, canetas com a mesma substância custam em média entre R$ 900 e R$ 1.300.

A sacada está no próprio nome. Com o sistema de cliques, o paciente ajusta a dose na mesma caneta, conforme a orientação médica, sem comprar uma nova a cada mudança. Em um tratamento que costuma subir de dose aos poucos, isso significa menos desperdício e menos atrito na jornada de quem usa.

Por que a EMS colocou dois times em campo?

O SemaClique não joga sozinho. Ele é um medicamento similar que tem como referência o Ozivy, caneta de semaglutida sintética desenvolvida pela própria EMS. O Ozivy chegou às farmácias em 15 de junho, a partir de R$ 452, e faturou R$ 100 milhões em apenas 15 dias.

Lançar uma segunda marca da mesma molécula parece redundante, mas é ocupação de território. Segundo Marcus Sanchez, vice-presidente da EMS, cada empresa do grupo atende um painel diferente de médicos. O grupo dobra o alcance na prescrição sem que uma marca engula a outra. A leitura do mercado é que a EMS quer garantir espaço nos consultórios e nas redes de farmácia antes da chegada de novos concorrentes.

Um jogo de centenas de milhões

Os números explicam a pressa. Sozinha, a Brace Pharma projeta 700 mil unidades nos primeiros 12 meses, com receita estimada em cerca de R$ 250 milhões. Somadas, as duas marcas podem passar de 2 milhões de unidades e R$ 800 milhões por ano.

Para ter dimensão, a Brace Pharma faturou cerca de R$ 500 milhões em 2025, dentro de um grupo que superou R$ 10 bilhões. Uma única caneta pode representar metade do que a operação inteira faturou no ano anterior. É uma virada de chave para uma unidade que atua principalmente com medicamentos de prescrição em cardiologia, endocrinologia, ortopedia e sistema nervoso central.

É a prova de que a queda de uma patente não abre só espaço para remédio mais barato. Ela dispara uma corrida por receita, por prateleira e por conveniência. O tratamento metabólico no Brasil fica menos dependente de marca importada e cada vez mais disputado ponto a ponto, clique a clique.

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