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Spray com molécula de sapo reduz depressão resistente em estudo publicado no JAMA

Esqueça a imagem do psicodélico como uma sessão de dia inteiro. Um spray nasal feito com a molécula do veneno de um sapo do deserto reduziu os sintomas de depressão resistente em um estudo publicado no JAMA em 26 de outubro. E o detalhe que mais deveria chamar a atenção do mercado é o relógio.

Do sapo ao laboratório

A molécula em questão é a mebufotenina, também conhecida como 5-MeO-DMT. No estudo, ela foi produzida em laboratório, em versão pura. Ou seja, nada a ver com o “bufo” vendido na rua.

O teste envolveu 193 pessoas que já tinham passado por dois a cinco antidepressivos sem melhora. Cada participante recebeu uma única dose do spray, em 38 centros espalhados por seis países. Cerca de um mês depois, entre 18% e 26% dos pacientes tratados estavam sem sintomas de depressão. No grupo placebo, esse número ficou em 8%.

Por que duas horas mudam o jogo?

O efeito psicodélico dura menos de duas horas, e a maioria dos pacientes foi liberada dentro desse prazo. Para comparar, a psilocibina, outro psicodélico em teste, exige uma sessão de cerca de seis horas.

Essa diferença vai muito além do conforto do paciente. Menos tempo de sessão significa mais pessoas atendidas por clínica, menos horas de equipe por tratamento e uma operação mais fácil de escalar. Em saúde mental, onde o acesso é um gargalo, isso pode ser a virada de chave para tirar os psicodélicos do nicho.

Os efeitos colaterais mais comuns foram dor de cabeça, náusea e dor no nariz, quase todos leves ou moderados. Pessoas com risco de suicídio ficaram de fora do estudo, então ainda não se sabe como o tratamento funcionaria para esse público.

A big pharma entrou em quadra

O estudo foi financiado pela AtaiBeckley, empresa comprada pela Eli Lilly. Quando uma gigante farmacêutica coloca um psicodélico no portfólio, o recado para o setor é claro. A terapia psicodélica deixa de ser aposta de startup e passa a disputar espaço no tabuleiro das grandes.

O caminho ainda é longo. O remédio precisa passar pela fase 3 e, por enquanto, só está disponível dentro de pesquisas. Mas o movimento já mostra para onde o mercado está olhando. O tratamento de saúde mental do futuro é menos sessão interminável e mais eficiência, escala e precisão.

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