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Nova pílula de emagrecimento da Eli Lilly recebe aprovação de órgão regulador

A briga mais lucrativa da indústria farmacêutica acaba de mudar de formato. O comitê de medicamentos da Agência Europeia de Medicamentos (EMA) recomendou a aprovação do Foundayo, a pílula da Eli Lilly contra obesidade e diabetes tipo 2 em adultos. A decisão final cabe à Comissão Europeia, que costuma acompanhar o parecer do comitê em poucas semanas. Se isso se confirmar, a Lilly entra em quadra para disputar com a Novo Nordisk um terreno que até agora tinha dono.

O que a EMA avaliou?

O parecer foi adotado em 15 de outubro e divulgado no dia seguinte. Para a indicação de controle de peso, a agência analisou dois estudos com 4.740 adultos com obesidade ou sobrepeso. Depois de 72 semanas, quem tomou o Foundayo perdeu entre 5% e 11% do peso, conforme a dose. No grupo placebo, a perda ficou perto de 2%. Para diabetes tipo 2, foram outros quatro estudos, somando 3.765 adultos.

O princípio ativo, a orforglipron, é uma molécula pequena que ativa o receptor do hormônio GLP-1, o mesmo alvo das canetas que viraram fenômeno. Os efeitos colaterais mais comuns são náusea, vômito e diarreia, concentrados no início do tratamento, quando a dose sobe. O remédio só é vendido com receita.

Praticidade como arma competitiva

A Novo Nordisk largou na frente. O Wegovy em comprimido foi aprovado na Europa em julho e, no segundo trimestre, faturou US$ 484,5 milhões. No mesmo período, o Foundayo somou US$ 98 milhões, quase cinco vezes menos. Nos Estados Unidos, onde chegou em abril, a pílula da Lilly também vem tendo adoção mais lenta que a rival.

A resposta da Lilly é apostar na rotina do paciente. O Foundayo pode ser tomado a qualquer hora do dia, sem restrição de comida ou água. O concorrente exige jejum. Parece detalhe, mas em tratamento contínuo, adesão é o jogo inteiro. Quanto menos atrito no dia a dia, maior a chance de o paciente seguir até o fim. A dúvida do mercado é se essa conveniência basta para virar o placar.

O que está em jogo para o mercado?

O tamanho do prêmio explica a pressa. O mercado de remédios contra obesidade deve passar de US$ 100 bilhões até 2030, e a Organização Mundial da Saúde estima que obesidade e sobrepeso atingem mais de 2,5 bilhões de pessoas no mundo. A Lilly já busca aprovação da pílula em mais de 40 países.

Na Europa, porém, aprovar é só o primeiro passo. Preço e reembolso serão definidos país a país, e é aí que a disputa comercial vai se decidir de verdade.

Com dois comprimidos na prateleira, o tratamento da obesidade deixa de ser sinônimo de agulha e passa a competir por conveniência, preço e experiência do paciente. É a prova de que, no bem-estar, a inovação que ganha mercado nem sempre é a mais potente. Muitas vezes, é a que cabe melhor na vida real.

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