arrow-left-square Created with Sketch Beta.

Quase nove em cada dez alegações sobre saúde checadas nas redes brasileiras são falsas

Quase nove em cada dez alegações sobre saúde checadas nas redes brasileiras são falsas. O dado é do relatório Raio-X da Desinformação em Saúde, do Observatório Lupa, produzido com apoio do grupo de educação médica Afya. Para quem trabalha com bem-estar, o recado é duro. Seu concorrente mais barulhento talvez não seja outra marca, e sim uma mentira bem embalada.

O levantamento analisou 764 conteúdos virais entre 2017 e junho de 2026. Foram 667 falsos, ou 87,3% do total. Isso dá mais de uma mentira de grande alcance por semana.

A mentira veste jaleco

A tática mais comum é a falsa autoridade científica, presente em 21,6% das alegações. São estudos distorcidos, frases inventadas atribuídas a médicos reais e deepfakes cada vez mais convincentes. Logo atrás aparecem o alarmismo, em 17% dos casos, a distorção de dados, em 15,7%, e as soluções simples para problemas complexos, em 12,6%.

Rosto conhecido faz parte do jogo. Ao menos 142 conteúdos traziam figuras públicas, o que não significa que elas tenham endossado as alegações. O Ministério da Saúde chegou a denunciar 97 perfis que usavam inteligência artificial para imitar a voz de Drauzio Varella oferecendo terapias milagrosas.

O medo virou a principal arma

Os temas também mudaram. Entre 2025 e 2026, metade das fake news passou a mirar doenças crônicas como diabetes e problemas no coração, quase sempre com a promessa de uma cura simples, rápida e barata.

No ciclo mais recente, o medo assumiu o volante. Vacinas, tratamentos e produtos do dia a dia aparecem ligados a câncer, infertilidade ou morte. A urgência faz muita gente compartilhar antes de checar. Só sobre vacinas, foram 244 alegações examinadas, e 212 eram falsas.

O WhatsApp aparece em mais de 70% dos casos, justamente onde a mensagem chega por amigos e familiares. A Lupa pondera que isso não prova que o aplicativo seja a origem das mentiras, já que a agência recebe pedidos de checagem por um canal próprio ali.

Quando a desinformação vira modelo de negócio

Aqui mora o alerta para todo executivo do setor. Das 18 verificações ligadas à exploração comercial, 17 envolviam algum tipo de oferta ao público. O diabetes lidera esse recorte, presente em sete delas, com produtos vendidos como naturais e promessas que nenhum tratamento sério faria.

Victor Terra, coordenador de educação da Lupa, defende cortar a monetização de quem lucra com a mentira para asfixiar a estrutura dessas fraudes. Enquanto isso não acontece, quem joga limpo disputa atenção num campo onde o adversário promete milagre e não presta contas.

É a prova de que, no mercado de saúde e bem-estar, credibilidade virou ativo estratégico. Marcas, clínicas e profissionais que investem em evidência, transparência e comunicação clara não estão só fazendo o certo. Estão construindo a única vantagem competitiva que uma fake news não consegue copiar.

Quer continuar por dentro do que realmente está apostando no bem-estar?
A newsletter da FitFeed entrega, toda semana, um radar com os movimentos mais importantes do setor.
Inscreva-se em 👉 https://fitfeed-newsletter.beehiiv.com/