A Oura acaba de entrar em quadra no território dos relógios esportivos. Nesta terça-feira (20), a empresa lançou duas funções pensadas para quem treina, o Cardio Effort e o VO2 máx automático. O anel que ficou famoso por medir o sono agora quer dizer quanto o seu treino realmente pesou e para onde o seu condicionamento está indo.
Como funciona o Cardio Effort
O Cardio Effort dá uma nota de esforço para cada treino. O cálculo usa o TRIMP, sigla em inglês para impulso de treinamento, um método que combina intensidade e duração. Na prática, um treino curto e pesado pode valer tanto quanto um longo e leve.
O esforço é medido pela elevação dos batimentos em relação à frequência cardíaca de repouso de cada pessoa. Corrida, bike, musculação e yoga entram na conta, inclusive treinos registrados manualmente. As notas se somam ao longo da semana e caem em cinco faixas, de leve a puxado, calibradas pelo seu próprio histórico.
A ideia é mostrar se você está mantendo o condicionamento, ganhando fôlego ou passando do ponto. Bater a faixa mais alta várias semanas seguidas é o sinal para priorizar a recuperação. A função chega ao anel Gen3 e aos modelos mais novos.
VO2 máx sem teste de caminhada
A segunda novidade é o VO2 máx, a quantidade máxima de oxigênio que o corpo consegue usar durante o esforço. É um dos principais indicadores de condicionamento, e a própria Oura trata o número como um marcador de longevidade. Antes, o anel pedia um teste de caminhada de seis minutos. Agora, ele estima o valor sozinho depois de cinco caminhadas, corridas ou trilhas com GPS.
O VO2 do anel é uma estimativa, não uma medida de laboratório. A função ainda está no Oura Labs, a área de testes do app, e a empresa não divulgou a margem de erro. Quem já fez ergoespirometria pode registrar o resultado no app, mas ele fica separado e não substitui o cálculo do anel. Num mercado que vende confiança nos dados, essa transparência pesa. A Whoop, rival direta, divulga erro médio abaixo de 8% em relação ao laboratório para a sua estimativa.
A briga pelo pulso e pelo dedo
O alvo é o público que hoje acompanha o treino com Garmin e Whoop. E esse público está crescendo. O segmento fitness da Garmin faturou 547 milhões de dólares no primeiro trimestre de 2026, alta de 42% sobre o mesmo período do ano anterior, puxado pela procura por wearables avançados.
O jogo corre nos dois sentidos. Em julho, a Garmin lançou a Cirqa, sua primeira pulseira sem tela e sem assinatura obrigatória para as funções principais, e comprou as plataformas de treino TrainingPeaks e TrainHeroic. Relógio, pulseira e anel caminham para o mesmo ponto, um ecossistema que mede o dia inteiro e ainda interpreta os dados por você.
Para a Oura, o movimento vem num momento estratégico. A empresa faturou 1,21 bilhão de dólares nos nove meses encerrados em junho, alta de 74%, e soma 5 milhões de membros pagantes. Provar que o anel também serve para quem treina amplia o mercado e reforça a assinatura, peça central do negócio. A estreia na Nasdaq, que estava prevista para setembro, acabou adiada pela própria empresa por causa da instabilidade do mercado.
O anel que nasceu para medir o sono agora disputa o corredor com os relógios esportivos. É a prova de que a guerra dos wearables está migrando da tela para a interpretação. Vence quem transformar batimentos em decisão e disser a você quando acelerar, quando manter e quando descansar.
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